Incidência da bacteriose do cafeeiro aumenta e gera preocupação no setor

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Uma das maiores preocupações dos cafeicultores atualmente são as bacterioses do cafeeiro, principalmente a mancha aureolada, doença que se espalha rapidamente causando grandes prejuízos em viveiros e no campo. Nos últimos meses a incidência do problema aumentou e já pode ser observado em várias regiões produtoras de Minas Gerais.

De acordo com o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café (INCT Café), Mário Lúcio Vilela de Resende, é preciso ter atenção com as mudas dos viveiros de café, que são as grandes disseminadoras da bacteriose.

“A doença começa no viveiro com as mudas contaminadas, onde há grande incidência de bactérias. Aí as mudas contaminadas são levadas para o campo. Há um grande risco de se levar a doença para regiões onde ela ainda não existe. Temos notado que a severidade da doença tem aumentado grandemente de uns cinco anos para cá”, explicou.

A mancha aureolada (Pseudomonas syringae pv. garçae) é a bacteriose mais importante no parque cafeeiro estadual. A doença é caracterizada por lesões foliares de coloração parda e escura, que podem ou não ser acompanhadas por um halo amarelado, seca de ramos e lesões nas rosetas, inflorescências e frutos novos, o que provoca, posteriormente, a desfolha intensa dos ramos.

O coordenador do INCT Café destacou ainda a importância dos cuidados com a doença no estágio inicial do cafeeiro e da busca por produtos sistêmicos no combate à bactéria, já que os produtos a base de cobre usados para este fim não se translocam pela planta, o que deixa as folhas novas desprotegidas.

“O tratamento deve ser preventivo no viveiro, ou seja, pode-se fazer o tratamento com produtos a base de cobre, que estão registrados no Ministério da Agricultura. A planta está em crescimento rápido, então as folhas novas não estão protegidas. O tratamento tem que ser semanal. É importante também reduzir a água e a umidade. Quanto mais água, mais bacteriose vai ocorrer”, explicou.

A bactéria penetra no café por meio de ferimentos causados por outras pragas, colheita mecanizada ou não, ou por aberturas naturais, como estômatos, hidatódios e nectários. Segundo o Prof. Mário Lúcio, importantes medidas complementares podem ser adotadas como adubações periódicas, nutrição equilibrada e o roguing, que é a retirada e a queima ou compostagem das plantas doentes, principalmente nos viveiros.

O cafeicultor José Lúcio de Carvalho, que possui cerca de 160 hectares de café em Três Pontas, no sul de Minas Gerais, foi um dos muitos produtores afetados pela doença nos últimos meses. Aguardando uma solução e assustado, ele ressaltou que ficou impressionado com a força da bacteriose.

“Pensei que os danos foram causados por chuva de pedra porque o ataque foi muito rápido e destruidor. Está bem afetado, mais na parte onde venta mais na lavoura. É violento, bactéria como essa eu nunca tinha visto igual”, disse o produtor, que pensa em plantar alguma outra cultura para diminuir a incidência do vento nas lavouras de café.

Pesquisadores da UFLA e Epamig, ligados ao INCT Café, estão estudando as espécies de bactérias responsáveis pelos danos nos viveiros e campo, bem como as condições climáticas que favorecem a doença e novas estratégias para o manejo da mesma. Os estudos passam pela resistência genética e novos produtos, menos nocivos ao homem e ao ambiente.

Os pesquisadores também alertam que é necessário evitar que a mancha aureolada seja confundida com a mancha de phoma, doença causada pelo fungo Phoma tarda. A confusão resulta no agravamento dos danos porque as medidas adequadas de controle não são adotadas a tempo. Por esta razão, o diagnóstico correto da doença é fundamental para o seu controle.

Fonte: Polo de Excelência do Café

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