Guatemala quer impedir entrada de novos cafés na bolsa de Nova Iorque

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Os produtores de café da Guatemala enviaram uma carta para apresentar sua oposição à proposta de incluir o café do Brasil no mercado de contratos futuros de arábica, argumentando que a suposta baixa qualidade dos grãos do maior produtor mundial pode inundar o mercado e deprimir os preços. O contrato "C" da ICE Futures US está reservado até agora somente a 19 países, incluindo vários da América central, África, Colômbia, México, Peru e Índia, que são reconhecidos por cultivar grãos em grandes alturas.

O Brasil tem buscado há anos entregar alguns de seus grãos lavados e semi-lavados de arábica em Nova Iorque. Esses grãos são de melhor qualidade, porém só representam cerca de 10% da produção dos produtores dessa origem. Apesar de insucessos nos anos passados, a ICE está agora considerando uma proposta nova para permitir o ingresso do Brasil ao "clube". A proposta dispõe que os grãos brasileiros seria vendidos com desconto de 7 a 9 centavos em relação ao valor de Nova Iorque.

Para a Guatemala, que entrega seu café na ICE e seus grãos tem uma reputação internacional de alta qualidade, aponta que os descontos não são suficientes e se preocupa que o Brasil poderia inundar o mercado com sua safra gigantes e provocar retração nos preços. "Não existe uma estatística de que quantidade de café é que o Brasil chama de lavado. Os brasileiros têm os dados, mas não os revelam", sustentou Ricardo Villanueva, presidente da Anacafé (Associação Nacional dos Produtores de Café da Guatemala). "É muito arriscado deixar entrar um tipo de café diferente e que não sabemos nem sequer o volume", complementou. Villanueva disse que a carta da Anacafé dará argumentos técnicos contra a admissão do Brasil. A ICE aceitará comentários sobre a proposta até 15 de junho e, até o momento, recebeu ao menos dez, segundo a Intercontinental Exchange. Se a proposta for aprovada, o café brasileiro não poderá ser entregue provavelmente até 2013.

Por sua vez, as lavouras de café da Colômbia e da América Central estão verificando uma redução de suas expectativas nessa temporada, sendo que os estoques estão caindo dramaticamente em meio às crescentes preocupações sobre a oferta de cafés de melhor qualidade. A escassez provocou um aumento nos prêmios no mercado e forçou os compradores a buscar fontes alternativas de abastecimento, como o Brasil, que atualmente está produzindo mais café semi-lavado para cobrir a demanda. Neil Rosser, diretor de Estatísticas da Neumann Kaffee Gruppe, disse que incluir o Brasil no contrato "C" tem sentido.

"A escassez na Colômbia e América Central não vai acabar de imediato. A safra da Colômbia não vai recuperar seus níveis históricos em dois anos e os estoques estão baixos, sendo que o Brasil se converteu em um novo abastecedor", apontou. A Colômbia tem tratado na última década da entrega de café do Brasil na ICE, devido à preocupação dos produtores colombianos com uma possível retomada das quedas do preço do setor.

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