Grito do Café: entenda os motivos e as reivindicações dos produtores

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Cafeicultores da região de Manhuaçu querem auxílio do governo federal para pagar dívidas. Prorrogação de prazos e descontos nos valores devidos são as reivindicações do setor, que realizou o Grito do Café, na semana passada, no Centro de Manhuaçu.

As dívidas milionárias tiram o sossego dos cafeicultores mineiros. Por isso, as lideranças do setor querem a renegociação dos empréstimos bancários. “Nós estamos neste momento solicitando do governo federal, das autoridades competentes, a renegociação de todas as dívidas dos nossos cafeicultores. Nós estamos pedindo três anos de carência, com 15 anos de parcelamento e descontos de 45% para renegociar e de 70% para quem puder quitar até setembro de 2015” diz o presidente da Câmara do Café das Matas de Minas, Admar Rodrigues Soares.

A região chega a produzir cinco milhões de sacas de 60 quilos de café por safra. Mas neste ano, todos afirmam que a produção vai ser muito menor. A colheita está só no começo e eles ainda não sabem o tamanho exato das perdas.

A baixa remuneração na safra passada deixou o produtor descapitalizado. Os pés receberam menos adubação e defensivos. A seca do início do ano também prejudicou a formação dos frutos. Com a perspectiva de menor oferta, o preço da saca aumentou, mas é quase o mesmo valor que eles contabilizam de custos de produção, em torno de R$ 300.

“A nossa cafeicultura de montanha é praticamente artesanal, e estamos concorrendo com uma cafeicultura de baixada, onde são as máquinas que colhem o café com um custo muito menor”, avalia o diretor da Câmara, Antonio Simiqueli.

Nos 27 municípios das Matas de Minas há mais de 145 mil hectares de plantações de café e mais de duzentos mil trabalhadores fazem o cultivo e a colheita manual dos 350 milhões de pés.
“O pão de cada dia das nossas famílias, o poder de renda das nossas famílias, todo o setor econômico das nossas famílias de toda a região depende diretamente do café”, aponta Admar.

PRÓXIMOS PASSOS

Durante pronunciamento, o presidente do Sindicato Rural de Manhuaçu, vice presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG) e membro do Conselho dos Cafés das Matas de Minas, Lino da Costa e Silva, chamou a atenção para uma luta incessante em busca de apoio junto aos governantes para uma política sólida, voltada para a cafeicultura das Matas de Minas.

Considerando que a situação é bem complicada, o presidente do Conselho Deliberativo da Câmara do Café Matas de Minas e produtor de café, Geraldo Perígolo acredita que somente através de mobilização é que o Governo Federal passará a dar suporte à cafeicultura. "Por inúmeras vezes fomos à Brasília levando o clamor dos nossos trabalhadores. Reuniões foram feitas com Secretários, Ministro da Agricultura, Silas Brasileiro e outras fontes com influência no Palácio do Planalto. A gente que agora eles possam nos atender e, nos próximos dias voltaremos, levando novas reivindicações", disse Perígolo.

Muitas propostas foram discutidas, votadas e serão encaminhadas pela Câmara do Café Matas de Minas. Nos próximos dias 21 e 22 está marcada nova audiência no Ministério da Agricultura.
Entre as tantas propostas estão o pedido de renegociação do montante da dívida com 40% de desconto em rebatimento para prorrogar, parcelar com 15 anos e carência de 03 anos, as dívidas vinculadas ao café desde o ano de 1995, até a presente data realizadas com agências bancárias e cooperativas de crédito, para que façam parte das propostas de renegociações, prorrogação, parcelamento, quitações e a elevação do preço do produto.

Os cafeicultores assinalaram como proposta a recuperação, em parceria com a Câmara do Café e outras entidades das Montanhas de Minas, o antigo IBC localizado em Manhumirim, que hoje está sob a administração da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), para futuro armazenamento do café estabelecido em compra por parte do Governo Federal. Eles esperam que as propostas sejam recepcionadas e, que as autoridades tenham o olhar voltado para a região, que busca uma política forte voltada para a cafeicultura das Matas de Minas.

Para o presidente da Câmara do Café Matas de Minas, Admar Rodrigues Soares a mobilização trouxe um fortalecimento e esperança, para que a caminhada siga em frente. Segundo ele, as duas audiências estão marcadas para os dias 21 e 22 de maio, com o objetivo de entregar todas as propostas votadas durante o "Grito do Café" em Manhuaçu. Ele lamenta a ausência das autoridades convidadas, mas disse contente com a presença de centenas de cafeicultores da região.

Os cafeicultores e a população presentes ao evento acompanharam o encerramento da manifestação com um grande show com a dupla Lourenço e Lourival.

QUEDA DE 30%

A região das Matas de Minas deve ter a maior redução de safra de café este ano no Estado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima quebra de 30% em relação ao ano passado. A falta de dinheiro para investir nas lavouras e a seca são os principais motivos para a menor produtividade. O café das montanhas é produzido por agricultores familiares e tem custos maiores devido a colheita manual.

O cafeicultor Admar Custódio Ferreira, perdeu quase tudo e estima colher no máximo 70 sacas de 60 quilos. Ele conta que em 2014 produziu 800 sacas nos mesmos 24 hectares de terra. A produtividade foi grande, mas na época de vender o café, o preço despencou de R$ 350 para R$ 126. Sem dinheiro para investir nas lavouras, Ferreira teve que diminuir a adubação nos cafezais. A falta de chuvas no verão também prejudicou as plantações.

No primeiro levantamento de safra realizado em janeiro, a Conab estimou redução de aproximadamente 30% de produção na zona da Mata, com perspectiva de colheita de 2,2 milhões de sacas.

Nas montanhas, a mecanização é difícil e a maior parte do café é colhida na mão. Cerca de 200 mil pessoas trabalham na colheita do café nas matas do Estado. A agricultura familiar responde por 80% das lavouras da região. O diretor do Comitê de Agricultura Familiar da Câmara do Café das Matas de Minas, diz que o custo por saca chega a R$ 370. O preço da saca de café na região para venda varia de acordo com a qualidade, está entre R$ 300 e R$ 400.

Fonte: Portal Caparaó com informações do Canal Rural

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