Governo espera preço maior para vender café estocado

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Os preços do café, atualmente nos maiores níveis em quase 14 anos, terão que subir mais para que o governo brasileiro decida vender seus estoques da safra de 2009.

A despeito da oferta apertada que fez os preços do café dobrarem desde o último ano, o mercado internacional deve manter os níveis elevados atuais, já que não há perspectiva no curto prazo de um aumento na oferta global, disse o diretor de Café do Ministério da Agricultura, Robério Silva.

"Quando o mercado remunerar, obviamente nós vamos pensar em vender, mas não neste momento", disse Silva, que é candidato do Brasil para assumir a diretoria executiva da Organização Internacional do Café (OIC), em escolha que deve ocorrer este ano.

O Brasil tem aproximadamente 1,2 milhão de sacas de arábica da safra 2009, comprado originalmente no início de 2010 por cerca de R$ 300 por saca de 60 kg para dar sustentação aos preços no mercado local em um período quando os futuros eram negociados a quase metade dos valores atuais. Este café agora vale mais de R$ 500 a saca no Brasil, mostrando em tese um ganho de quase US$ 240 milhões para o governo.

Enquanto este volume equivale a apenas cerca de 3% do que o Brasil embarcou no ano passado, uma injeção imediata desta oferta poderia de alguma foram minimizar o cenário de estoque apertado de 2011/12, no qual uma consultoria prevê déficit. A CoffeeNetwork, consultoria do setor, estimou na semana passada que a safra 2011/12 terá uma produção de 131 milhões de sacas. Tal volume ficaria abaixo da estimativa de uma demanda de 135 milhões de sacas.

Mais de uma dezena de traders, analistas e produtores consultados pela Reuters em janeiro previram, em média, um balanço apertado entre oferta e demanda. Silva também descartou a ideia de oferecer incentivos para os produtores elevarem a produção, o que poderia levar a um colapso dos preços e o tiro sairia pela culatra para os produtores. "Nós não vamos estimular ninguém a tomar decisões que podem requerer ajuda depois", disse Silva.

Ele disse que cabe a cada cafeicultor a decisão sobre se e em quanto expandir sua produção. Analistas disseram que a safra global de café não está conseguindo acompanhar o ritmo da crescente demanda. O segundo maior produtor global de café, a Colômbia, teve uma safra desapontadora e o Brasil caminha para um ano de "ciclo de baixa" em 2011.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou em janeiro a safra em 2011 entre 41,9 milhões e 44,7 milhões de sacas de 60 kg, abaixo dos 48,1 milhões de sacas do ano passado, quando o País teve um ciclo de alta. Silva disse ainda que tem recebido boas informações sobre o desenvolvimento da safra desde então.

Fonte: AgnoCafe

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