FOLHA TÉCNICA PROCAFÉ: NOVAS OBSERVAÇÕES SOBRE OS EFEITOS DA SECA EM CAFEEIROS

A estiagem que atingiu fortemente a maioria das regiões cafeeiras, produtoras de café arábica no Brasil, em jan-fev de 2014, trouxe algumas lições para nós.

Muitas das consequências esperadas aconteceram no curto prazo, destacando-se – a redução do crescimento nas plantas ( dos ramos, folhas e frutos), o baixo enchimento dos frutos – causando chochamento, má granação, grãos negros e ardidos (perda de peso e de qualidade), a escaldadura e queda de folhas, a seca de ramos, o aumento de pragas e doenças (broca, bicho mineiro, ácaros e cercospora), e o aumento na queda de frutos.

Outras implicações do déficit hídrico ainda vão ser expressas a médio prazo. A principal sequela é representada pelo menor crescimento dos ramos, significando menor número de nós e menos rosetas para a floração na safra 2015. Também, a maior desfolha, a seca de ramos e o depauperamento das plantas vão provocar menor pegamento da próxima florada. Existe, ainda, suspeita de que pode ter havido algo de prejudicial sobre a indução floral e danos em raízes finas, o que parece menos problemático, em vista da melhoria das condições de chuva em março abril.

De todo modo, a sequência de chuvas, ainda neste ciclo agrícola, de modo a abastecer a reserva do solo, evitando déficits acumulados superiores a 100mm, é que vai ter bastante influência sobre o resultado residual da falta de chuvas do inicio do ano.

Estes dois grupos de efeitos da seca fazem parte do nosso conhecimento. No entanto, outras consequências foram observadas, pela primeira vez, e aqui são foram relatadas.

Vimos que muitos dos frutos chochos ou mal granados tendem a aumentar o seu tamanho, na fase em seguida à seca, talvez por não terem mais a necessidade de crescimento das suas sementes. Ainda, estes frutos passam a apresentar uma casca mais grossa. Observamos, também, que os frutos mal granados, ao amadurecerem, não trocam a coloração da casca, externamente, em toda sua extensão, como ocorre normalmente. Eles trocam a cor, para vermelho ou amarelo, em parte do fruto e a outra ainda fica verde.

Verificações ainda em análise mostram que diferentes variedades de café responderam distintamente ao déficit. Algumas foram mais sensíveis e outras muito menos. Isto tem a ver com a genética da planta, e, também, com a época de maturação dos frutos. Parece, a principio, que plantas de maturação mais tardia foram mais prejudicadas, quanto ao chochamento dos frutos. Por outro lado, frutos de floradas mais tardias, na mesma planta, tenderam a ser menos prejudicados na sua granação. 

* J.B. Matiello, S.R. de Almeida e R. N. Paiva – Engs Agrs Fundação Procafé

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