Fertirrigação pode ser solução para pés de cafés durante estiagem em MG

Imprimir

As mudanças climáticas e a estiagem trazem para o Sul de Minas um novo esquema de irrigação e aplicação de fertilizantes no café, impensável até poucos anos: a fertirrigação, ou seja, quando os nutrientes são aplicados nas plantas por meio de gotejamento. Além de ser uma medida sustentável, a fertirrigação é também uma alternativa à questão da economia de água, especialmente em tempos de crise hídrica. Esse é um dos temas que está sendo discutido na Feira de Máquinas, Insumos e Implementos Agrícolas (Femagri), em Guaxupé (MG).

O engenheiro agrônomo e produtor rural Gustavo Nehemy Faria, implantou a técnica na Fazenda Santa Luzia, em Guaranésia (MG). Faria levou quatro meses para instalar todo sistema no sítio onde tem os pés de café plantados. Com a novidade, ele pretende expandir a produção em até 30% nos próximos dois anos. A implantação da tecnologia varia entre R$ 4 e R$ 6 mil por hectare, dependendo das características do solo.

“Acredito que em três anos vamos conseguir recuperar o investimento,que foi feito também pensando em aumentar a produtividade. Atualmente colhemos 2,7 mil sacas, para 2016 pretendemos ampliar para 4 mil e até 2017 nossa produção deve ser de até 7 mil sacas”,destacou.
Ainda de acordo com Faria, a fertirrigação permite uma otimização do trabalho. Para irrigar e adubar 55 hectares, ele afirmou que atualmente gasta apenas 1 dia, com um funcionário trabalhando. Se fosse no sistema anterior, com trator, ele gastaria pelo menos quatro dias de trabalho. “Com trator, o investimento é de R$ 60 por hora, ou seja, gastaria muito mais tempo e a eficiência não é tão boa”, disse.

A adoção do sistema de fertirrigação via gotejamento favorece o bom manejo da água e dos fertilizantes no café, segundo as empresas especializadas na instalação e também os produtores que já aderiram. A água utilizada no processo é misturada com fertilizantes e com isso é possível irrigar com economia – o uso da água é reduzido em até 30% – e oferecer os nutrientes necessários para a planta.

“As melhoras podem ser sentidas desde o ambiente, até a maximização da produção de café por unidade de água e fertilizantes utilizados, até os econômicos, com o aumento da produtividade das lavouras com qualidade, garantindo maior longevidade dos cafeeiros e melhores resultados econômicos na atividade”, afirmou o professor e consultor das áreas de nutrição e fisiologia vegetal, Ricardo Teixeira.

Outro ponto positivo é que com o investimento na fertirrigação, Faria conseguiu fazer a renovação para a lavoura em 60%. Outras medidas como mais espaçamento entre os pés também foram aplicadas por ele, a fim de garantir mais economia e melhor utilização da água.
Segundo Teixeira, a utilização da fertirrigação é benéfica para as lavouras, em geral. “Com o manejo correto na irrigação é possível utilizar a água como veículo para aplicação de uma série de produtos, sejam eles de origem química ou biológica. É importante saber que fertirrigação é uma técnica de aplicação de fertilizantes e outros componentes ligados à nutrição vegetal, utilizando a água de irrigação e promovendo um ambiente adequado para absorção”, explicou.

Fertilizantes
Com a fertirrigação é possível, segundo os especialistas, ampliar o tempo de adubação do café, formando um produto mais forte, com melhora na qualidade. “Já deu para notar que com este esquema, conseguimos melhorar a qualidade. Os grãos crescem mais, ficam mais uniformes, visto que há também uma padronização da florada”, explicou Faria.

Já segundo Bruno Francischelli, responsável por uma empresa de fertilizantes e que incentiva o uso da fertirrigação para melhorar o café e o gasto de água, o Sul de Minas tem um grande potencial para aderir ao sistema. No entanto, é preciso atenção à escolha dos produtos, que quando utilizados no processo, devem apresentar algumas características básicas.

“Os fertilizantes para a fertirrigação devem ser puros, ter alta solubilidade em água, baixa condutividade elétrica e Ph entre 5 e 6. Isso faz toda a diferença na parcela orgânica e no enraizamento das plantas, na hora de absorver os microorganismos”, disse.

Ainda de acordo com ele, a empresa tem um profissional exclusivo para visitar as fazendas que fazem a adesão do produto, para explicar o funcionamento correto e os adubos mais eficientes. “Nosso objetivo é focar na eficiência da fertirrigação”, frisou Francischelli.

Fonte: G1 Sul de Minas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *