Fatores externos derrubam café na ICE, mas suporte é preservado

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta segunda-feira com quedas consideráveis, em mais um dia que se caracterizou por algumas liquidações especulativas, principalmente na segunda metade da sessão, com a influência direta do cenário externo.

O mercado vive o temor da retomada do cenário de fraqueza de algumas nações do bloco europeu, o que, efetivamente, poderia "contaminar" outras economias e trazer de volta o fantasma recessivo.

Esse quadro é lido com temor pelos operadores de commodities, já que os negócios em mercados como de softs estão bastante atrelados a um possível cenário econômico mais positivo para a manutenção da demanda, assim como da manutenção do dólar em níveis mais calmos, o que é um estímulou para que players comprem commodities e busquem realizar lucros em outras moedas.

Fundamentalmente, o mercado demonstra uma certa fraqueza. Apesar de a apreensão com o clima em países da América do Sul e Central persistir, os fatores técnicos é que dão as cartas nos últimos dias nos negócios de café. As chuvas verificadas na Colômbia, maior produtor mundial de cafés suaves, são as maiores desde 1973 e estima-se que já existam 1,3 milhão de desabrigados em diversas regiões do país.

O número de mortos foi estimado pelo governo em 136, mas ainda há vários desaparecidos. A Federacafe (Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia) não mudou suas estimativas de safra até o momento devido às chuvas, mas emitiu um comunicado que demonstra temor com a situação climática e também com um possível aumento da ferrugem nas lavouras.

Segundo o Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais da Colômbia, o panorama de chuvas intensas deve perdurar na maior parte do país até o fim de dezembro. No encerramento do dia, o dezembro registrou queda de 370 pontos, com a libra a 206,15 centavos, sendo a máxima em 211,65 e a mínima em 205,00 centavos por libra, com o março tendo oscilação negativa de 410 pontos, com a libra a 207,15 centavos, sendo a máxima em 213,25 e a mínima em 206,00 centavos por libra.

Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição janeiro teve queda de 62 dólares, com 1.848 dólares por tonelada, ao passo que o março registrou desvalorização de 61 dólares, com 1.859 dólares por tonelada.

O principal índice das ações européias fechou em queda a segunda-feira, por preocupações de que outros países periféricos da zona do euro necessitem ser ajudados como a Irlanda. Esse fator desencadeou, segundo operadores, uma onda negativa em outros mercados, como o de commodities.

"Há nervosismo sobre se outros países vão ser envolvidos nisso", disse Bill Dinning, estrategista-chefe da Aegon Asset Management, em Edimburgo. De acordo com analistas internacionais, apesar das quedas desta segunda-feira, o mercado continua dando sinais de consistência, após as boas oscilações da semana anterior e da manutenção de alguns níveis gráficos bastante adequados, o que mantém o cenário altista para o grão.

"Graficamente, o mercado tem um suporte mais considerável em 195,00 centavos de dólar por libra para o março. Apesar das recentes oscilações, esse nível não foi recentemente testado, o que é um sinal de força para o mercado de café", apontou um trader baseado em Chicago. As flutuações cambiais compensaram as altas de preços internacionais do café.

A afirmativa é do diretor executivo da OIC (Organização Internacional do Café), José Sette. Ele lembrou que, apesar de o café bater nas máximas de 13 anos na bolsa de Nova Iorque, o câmbio, leia-se queda do dólar, fez com que os produtores não tivessem ganhos tão intensos.

"Para alguns países, as mudanças nas taxas de câmbio significou a perda de todos os lucros. Quando levamos em consideração os custos trabalhistas e o preço dos fertilizantes, alguns produtores não sentiram as altas recentes das cotações", disse. O Brasil seria um exemplo disso, já que o real amealhou um ganho de mais de 30% em relação ao dólar.

"Há um sentimento no Brasil de que as altas só beneficiaram os produtores de café de alta qualidade. Aqueles que produzem cafés menos finos não tiveram lucros na mesma proporção", complementou. Um operador apontou que muitos players deverão ter uma semana fora do mercado, já que na quinta-feira é verificado o Dia de Ação de Graças, um feriado bastante importante na sociedade norte-americana e que, geralmente, é "esticado", com muita gente aproveitando para viajar e rever parentes e amigos.

As exportações de café do Brasil em novembro, até o dia 19, somaram 1.585.370 sacas, contra 1.751.517 sacas registradas no mesmo período de outubro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 6.163 sacas, indo para 1.736.260.

O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 8.736 lotes, com as opções tendo 1.911 calls e 1.273 puts. Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 213,25, 213,50, 214,00, 214,50, 215,00, 215,50, 216,00 e 216,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 206,00, 205,50, 205,10-205,00, 204,50, 204,00, 203,50, 203,00 e 202,50 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

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