Fator externo volta a exercer pressão e café fecha em baixa na ICE

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta sexta-feira com perdas, em uma sessão marcada pela volatilidade, com a primeira posição flutuando num range largo de 760 pontos.

Apesar disso, a semana se encerrou com alta de 1,69% para a posição de maior liquidez, uma prova de consistência, segundo operadores, já que os mercados externos tiveram uma ação forte sobre as commodities, pressionando os preços.

Esta sexta foi caracterizada por vendas especulativas e de fundos, notadamente na segunda parte do dia, o que permitiu as novas baixas, sem, contudo, que o março tivesse ameaçado o seu principal suporte atual, no nível de 230,00 centavos de dólar por libra peso. Algumas vendas estiveram relacionadas ao feriado prolongado, já que a ICE não opera na segunda-feira, devido ao feriado do dia em homenagem a Martin Luther King. Nas mínimas algumas compras especulativas e de torrefadores foram notadas, o que amenizou o nível de retração. A influência do dólar e da pressão de outras commodities pesou para que alguns players apresentassem suas ordens de venda e o mercado encerrasse o dia no lado negativo. No after-hours os contratos encerram com cotações ligeiramente mais altas que no intraday, num aspecto muito mais corretivo que de aquisições mais arraigadas.

Um operador apontou que o mercado na semana foi caracterizado por uma volatilidade considerável, com o cenário macroeconômico voltando a ser uma influência forte para as altas e baixas do mercado cafeeiro. O café continua demonstrando boa consistência quando não sofre maiores pressões do dólar ou de outras commodities, no entanto, nos dias atuais, caracterizados por algumas emoções mais fortes nos grandes mercados a "contaminação" tem sido constante. Alguns players sustentaram que é possível que as commodities, ao menos no curto prazo, continuem a ser pressionadas, com o temor dos mercados de que a recuperação econômica pós-recessão, em pontos como Estados Unidos e União Européia, não venha tão rápido quanto o setor deseja. Com isso, alguns participantes estariam mais propensos a se posicionar em portos mais seguros, deixando os negócios de risco, como o de matérias-primas, para um segundo momento. Caso isso se efetive, uma correção para baixo poderia ser observada em breve.

No encerramento do dia, o março em Nova Iorque teve retração de 290 pontos com 234,60 centavos, sendo a máxima em 239,15 e a mínima em 231,55 centavos por libra, com o maio tendo oscilação negativa de 285 pontos, com a libra a 236,30 centavos, sendo a máxima em 240,70 e a mínima em 233,30 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição março registrou queda de 13 dólares, com 2.124 dólares por tonelada, com o maio tendo desvalorização de 11 dólares, com 2.146 dólares por tonelada.

Segundo analistas internacionais, o mercado, fundamentalmente, não trabalha com grandes novidades. A questão da oferta cafeeira está bem assimilada, com a perspectiva de que o cenário apertado deverá continuar a ser registrado. "Estamos, efetivamente, refletindo um quadro externo. Apesar da fraqueza das duas últimas sessões, o café conseguiu preservar seu suporte mais consistente", disse um trader. Operadores destacaram que a medida tomada pela China, que elevou o depósito compulsório de bancos em meio ponto percentual, afetou os mercados em geral e foi um fator extra de pressão sobre as commodities. A medida chinesa de aperto monetário dá mais evidências de que o banco central do país está disposto a combater a inflação e permitir a desaceleração do crescimento econômico, o que deverá fazer com que investidores reduzam sua exposição a mercados de maior risco.

Especialistas apontam que o cenário verificado de baixa não está ligado diretamente a fatores técnicos ou fundamentais do café, mas sim de um complexo geral bearish (baixista) das commodities construído ainda nesta semana, depois de as matérias-primas terem batido nas máximas de dois anos. "Os investidores estão vendo um potencial de baixa. Alguns players estão menos interessados em commodities caso a economia continue como está hoje e deverão retornar para mercados como o de ações", disse Paul Justice, diretor de pesquisa da Morningstar Investment Services Inc., em Chicago.

As exportações de café do Brasil em janeiro, até o dia 13, somaram 611.982 sacas, contra 733.211 sacas registradas no mesmo período de dezembro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 8.217 sacas indo para 1.670.530 sacas.

O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 20.468 lotes, com as opções tendo 4.669 calls e 4.137 puts.

Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 239,15, 239,50, 240,00, 240,50, 241,00, 241,20, 241,50, 242,00, 242,50, 242,95-243,00, 243,30, 243,50 e 244,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 231,55-231,50, 231,00, 230,50, 230,00, 229,50, 229,00, 228,50, 228,00 e 227,50 centavos por libra.

Fonte: Cafedaterra

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