Falta de mão de obra atrasa colheita de café no Cerrado

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A colheita de café 2011/12 supera os 50% da área e a perspectiva é de uma safra brasileira de boa qualidade. Em algumas regiões produtoras, porém, a retirada do fruto tem limitação pela falta de mão de obra, uma situação que se agrava ano a ano. Na área em que atua a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), no sul de Minas, considerada a maior cooperativa cafeeira do mundo, os trabalhos no cerrado estão mais lentos que nas demais. A colheita alcança cerca de 60% no sul de Minas; 47% em São Paulo (na região de São José do Rio Pardo e Caconde, entre outras); e 32% no cerrado mineiro.

A Cooxupé tem recomendado aos produtores a mecanização da colheita, por causa do alto custo de contratação de trabalhadores. "Esse problema (falta de mão de obra) tem se tornado cada vez mais grave", diz o gerente do Departamento de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, Joaquim Goulart de Andrade. O crescimento da economia tem gerado mais emprego nas cidades e as pessoas vão embora da zona rural, explica. Por isso, a cooperativa tem informado os benefícios da mecanização. "Mesmo áreas acidentadas podem receber máquinas, do tipo costal motorizada, fazendo o serviço de 4 a 5 trabalhadores", disse Andrade.

Segundo ele, o atraso é preocupante, mas, por enquanto, a qualidade dos grãos não está comprometida. O gerente estima que a colheita deve ser finalizada entre o fim de agosto e o início de setembro. A Cooxupé tem 300 mil hectares com café e colheu perto de metade da área em produção (105 mil hectares). A cooperativa já recebeu dos cooperados cerca de 30% do volume total de café previsto nesta safra. A meta é de 3,8 milhões a 4 milhões de sacas de 60 kg. No ano passado, o volume foi recorde de 5,2 milhões de sacas, resultado principalmente da bienalidade do café e da entrada de novos cooperados, diz Goulart de Andrade.

O café arábica tem como característica a bienalidade, alternando safras altas e baixas. A produção nacional este ano está estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 43,5 milhões de sacas de 60 kg, 10% abaixo do ano passado (48,1 milhões de sacas). A área cultivada é de cerca de 2 milhões de hectares. "Apesar do ciclo de baixa, a colheita progride bem e a qualidade dos grãos é boa, favorecida pelo clima", diz Robério Silva, diretor do Departamento de Café (Dcaf), do Ministério da Agricultura.

Comercialização – Conforme Silva, os produtores têm realizado venda para entrega futura, favorecidos pelos momentos de alta das cotações no mercado internacional. No ano passado, ao contrário, os cafeicultores não tiveram oportunidade de aproveitar a alta, pois a melhora nos preços ocorreu quando boa parte da safra já havia sido negociada.

A cotação do café oscilou entre R$ 500 a R$ 520 a saca no primeiro semestre deste ano no sul de Minas, principal região produtora do País. No mesmo período do ano passado, o preço da saca estava em cerca de R$ 270 a R$ 280 a saca, conforme dados do AE Taxas. "Muitos venderam a futuro este ano a R$ 500 e R$ 520 a saca", diz Robério. Ele pondera que, neste momento, o produtor deve segurar um pouco a venda. "É preciso dosar, resistindo a esse momento de baixa nas cotações", observa. A saca está cotada atualmente em cerca de R$ 440/R$ 450.

Conillon – No Espírito Santo, a colheita de café robusta (conillon) está praticamente encerrada. O Estado é o maior produtor nacional da variedade, com safra estimada em 8,1 milhões de sacas, segundo a Conab. De acordo com o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Antonio Joaquim de Souza Neto, de São Gabriel da Palha, no norte do Estado, onde se concentra a produção de conillon, a safra será de ótima qualidade, com "grãos graúdos", ao contrário do ano passado.

A cooperativa espera receber cerca de 700 mil sacas do produto, superando o recorde do ano passado, quando foram entregues perto de 610 mil sacas. Conforme Souza Neto, os cooperados têm investido em tecnologia, como irrigação e mudas mais produtivas, para melhorar o resultado, compensando o aumento de custo com mão de obra. "O cafeicultor com produtividade de 20 sacas por hectare (média nacional) está fora do mercado", explica.

Fonte: Agência Estado

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