Falta de chuva prejudica a produção de café conilon no Espírito Santo

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No estado que mais produz café conilon no país, muitos agricultores estão frustrados. A falta de chuva comprometeu a produção do Espírito Santo, e pés de café estão sendo arrancados.

O produtor Alaílson Thomazelli tem uma fazenda com 30 hectares de café na cidade de Jaguaré, no norte do ES. E o resultado da safra foi pior do que ele imaginava: queda de 72,5% em relação ao ano passado: “Mais de 30 anos que a gente vem cuidando de café, mexendo com café, essa foi a pior de todas, é inacreditável o que está acontecendo”.

A última chuva na região foi em janeiro deste ano. De lá pra cá, as plantações de café ficaram sem água. E o produtor já começa a tomar medidas extremas: está arrancando os pés. Uma lavoura jovem, com chuvas regulares, produziria muito bem por, pelo menos, mais 5 anos. Mas, por causa das secas, as plantas ficaram tão castigadas que o produtor desistiu. Ela será replantada, mas também não se sabe quando. Isso porque para plantar, também precisa de chuva.

Jaguaré tem uma área de 20 mil hectares de café. A produção anual, que era de 810 mil sacas, caiu para 350 mil sacas em 2016, segundo o Conselho Municipal de Agricultura.

A qualidade do café também caiu, porque a quantidade de defeitos nos grãos aumentou.

O presidente da COOABRIEL, Antonio de Souza Neto faz um comparativo desanimador: “O café do ano passado, em média, deu 160 defeitos, que é o café tipo 7. O café desse ano está, agora nesse início de safra, com até 400 defeitos. São pretos, tem casquinhas que a máquina não consegue tirar, e esse defeito foi o sol que proporcionou”.

Na região noroeste, a situação se repete. Na cidade de Pancas, a família do agricultor Marcos Loosi desistiu de lutar contra a estiagem. Está indo embora do Espírito Santo para tentar recomeçar tudo no estado de Rondônia: “A gente vai abandonar aqui e tenta ruma nova vida, tentar reconstruir a vida lá, até melhorar aqui. E quem sabe, um dia a gente volta, né?”.

A seca no norte do Espírito Santo atinge também o sul da Bahia. Na região, a seca é considerada de extrema intensidade, de acordo com levantamento da Agência Nacional de Águas.

Fonte: Globo Rural (Por Serli Santos)

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