Exportador já se ajusta à alta do dólar

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A alta do dólar dos últimos dias já provocou alguns ajustes na rotina das empresas exportadoras, que buscam valer-se do real mais fraco para melhorar a rentabilidade. A West Coast, por exemplo, fabricante de calçados masculinos e femininos com sede em Ivoti (RS), fechou ontem a venda de dólares no mercado futuro, assegurando na operação uma taxa média de R$ 2. A empresa não operava no mercado futuro desde o início do ano passado, mas agora aproveitou a alta do câmbio para formar uma "gordura" que poderá até ter impacto positivo nos preços dos produtos exportados, disse o diretor financeiro Rui Sippel.

O executivo não revelou o montante da operação, mas explicou que ela representa parte da previsão de receita com exportações em 2012 e que a taxa obtida hoje superou em cerca de 15% a cotação do dólar considerada no cálculo dos custos de produção. A estimativa da West Coast para este ano é alcançar um faturamento entre R$ 210 milhões e R$ 220 milhões com a produção de 3 milhões de pares de calçados, dos quais quase 20% deverão ser exportados.

Antes da forte subida dos últimos dias, a fabricante vinha apenas vendendo dólar no mercado à vista, de acordo com o ingresso das receitas das exportações. Eventualmente segurava parte dos recursos quando não necessitava de caixa. "A taxa que eu esperava (para operar no mercado futuro) era de pelo menos R$ 1,80", explicou Sippel.

No grupo Cosipar, o maior exportador de ferro gusa do país, já foi observado algum encarecimento das linhas de ACC. Mas para o grupo, que sofreu forte abalo na crise de 2008 quando as linhas de financiamento à exportação secaram nos bancos, não há sinais de problema à vista. "Fizemos um pouco de ACC nesta onda de alta do dólar e foi muito bom", afirmou Luiz Guilherme Monteiro, diretor financeiro da empresa. "Não há problema de liquidez, apesar da operação estar um pouco mais cara. Mas, repito, não está havendo dificuldade, desde que a empresa tenha limite no banco não tem ninguém cortando limite ou pedindo para antecipar pagamento, como ocorria em 2008".

O grupo projeta exportar em 2011 um volume de 300 mil toneladas de ferro gusa para o mercado americano, a um preço de US$ 500 a US$ 520 a tonelada. A Cosipar tem embarcado regularmente 30 mil toneladas ao mês. Embora a alta do dólar seja vista como algo positivo pela empresa, a volatilidade da moeda preocupa. "Quem ganha com volatilidade é o especulador", diz.

O diretor corporativo de relações com investidores da Randon, Astor Schmitt, disse que a alta brusca do dólar não alterou a "prática cautelosa" do grupo de manter o "equilíbrio" entre recebíveis e passivos em moeda estrangeira. Segundo ele, a empresa apenas fechou algumas operações com derivativos e antecipou alguns contratos de ACC para obter melhores margens nas exportações.

"Não ficamos muito vendidos nem muito comprados", afirmou o executivo, que não vê nenhum "efeito relevante" da valorização do dólar para o grupo. De acordo com ele, se de um lado a variação recupera ganhos nas exportações, de outro ela encarece as importações e as linhas de financiamento externas.

Para a Fiat, que exportou 66,55 mil carros no ano passado, ainda é prematuro tomar grandes decisões baseadas apenas no comportamento do câmbio neste mês. A montadora diz, por meio de sua assessoria de imprensa, que o momento é de observar o comportamento dos mercados, que se mostra muito volátil não só em câmbio, mas também nos preços de componentes.

A montadora comenta ainda que, seguindo um direcionamento global do grupo, tem proteção de contratos de hedge para a totalidade de sua exposição à moeda estrangeira, seja em operações financeiras, seja em transações de comércio exterior.

No BNDES, que em outubro de 2008 anunciou a abertura de uma linha de crédito de R$ 5 bilhões para atender a demanda dos exportadores porque as linhas internacionais tinham desaparecido, ainda nem se cogita a volta da linha de exportação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). A linha, de R$ 4 bilhões, foi criada em 2009 para estimular exportações de máquinas e equipamentos (pré-embarque) por conta da crise econômica.

Fonte: Valor Econômico

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