Exportações altas pressionam preços do café, diz OIC

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A OIC (Organização Internacional do Café) sinalizou um potencial de “pressão” para os preços do café por conta da oferta, mesmo em meio a um debate intenso no Brasil, maior produtor e exportador, sobre a extensão dos estoques do grão.

A OIC, embora tenha observado que os preços médios mensais do café medidos pelo seu índice de referência “melhoraram significativamente” no mês passado, recuperando-se mais da metade dos 9,7% perdidos em dezembro, eles permaneceram bem abaixo dos valores máximos registrados em novembro em meio as preocupações com a seca no Brasil e Vietnã.

“O nível ininterrupto das exportações e as notícias de condições meteorológicas mais favoráveis no Brasil levaram a uma inversão da tendência positiva [de preços] no final de janeiro”, disse a Organização.

As exportações mundiais de café no período de outubro a dezembro, os três primeiros meses de 2016/17, totalizaram 29,8 milhões de sacas de 60 kg, um aumento de 8,3% de um ano para o outro, liderada por um aumento de 23% nas remessas dos cafés “outros suaves” expedidos por Honduras e Peru, mas também houve registro de aumentos nos outros segmentos principais.

As exportações de café robusta aumentaram 7,9%, para 10,5 milhões de sacas, desafiando as preocupações sobre o mau tempo que pode ter atingido a produção nos principais países produtores da cultura. Esse temor ajudou os futuros robusta em Londres a atingir US$ 2.282,00 por tonelada em 19 de janeiro.

“Pressão sobre os preços”

Os dados de exportação – combinados com as ideias de estoques em países importadores, como os EUA, onde os estoques de dezembro totalizaram 6,26 milhões de sacas, os maiores do mês em 23 anos – exerceram pressão sobre os preços, disse a OIC.

“Parece provável que os grandes volumes exportados e a abundância dos estoques mantidos dos países consumidores exercerão pressão sobre os níveis de preços”.

Os comentários de importantes analistas, como Judith Ganes-Chase, que levantou perguntas à premissa de mercado de “que a oferta ficaria escassa seguindo uma sequência de baixas da produção nas três temporadas passadas”.

Notando a força contínua nas exportações de café, Ganes-Chase disse que “o indicador-chave da oferta está dando sinais de esgotamento e não está piscando”.

“De fato, o oposto aconteceu”, com dados que mostram que as remessas para os primeiros três meses de 2016/17 “estão subindo acentuadamente em todos os tipos de café e isso está mantendo armazéns de consumo bem abastecidos”.

A disputa sobre os estoques robusta

No entanto, os comentários também vêm em meio as incertezas sobre a oferta no Brasil, que tem sofrido com baixas colheitas de café robusta, mesmo que a produção de arábica no ano passado tenha sido recorde.

Enquanto os estoques de robusta foram informados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de terem diminuído em 2,1 milhões – o que levou Blairo Maggi, ministro da agricultura do Brasil, a anunciar na semana passada a probabilidade do país abrir as importações sem precedentes da variedade – uma decisão que foi adiada com reivindicações de maiores estoques.

Produtores do Espírito Santo, maior estado produtor de robusta do Brasil, reivindicaram estoques de cerca de 4 milhões de sacas, afirmando que a pesquisa feita pelos técnicos da Conab foi sido incompleta e não abrangia todos os armazéns.

Oferta limitada de arábica também?

Enquanto isso, a Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé) a maior cooperativa de café do mundo, minou na quinta-feira as ideias de amplos estoques de arábica, dizendo que o aperto na oferta de robusta estava levando muitos compradores a mudar de grão.

A tensão no abastecimento chegará ao mercado em meados de maio, disse a Cooxupé, logo próximo da colheita.

“Quase todos os exportadores brasileiros de café venderam lotes do grão [arábica] para indústrias locais ultimamente”, disse Lúcio Dias, chefe de comércio da Cooxupé.

“O consumo interno está reduzindo a quantidade de arábica disponível para as exportações”.

Incerteza nos dados do Brasil

Embora os dados sobre as exportações brasileiras de café sejam respeitados e estejam prontamente disponíveis, inclusive do grupo de exportadores Cecafé, as estatísticas sobre a produção são vistas por muitos investidores como menos completas, como as da Conab que tendem a subestimar a produção.

A previsão inicial da Conab para a safra 2017/18 prevê uma queda de 8% a 15% na produção interna, para 43,65 milhões a 47,50 milhões de sacas.

“No entanto, algumas fontes independentes indicam números muito mais altos para a produção total do Brasil”, disse a OIC.

Fonte: Agrimoney via Notícias Agrícolas (Com tradução de Jhonatas Simião)

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