Exportação de café é a pior em três décadas no Espírito Santo

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O ano de 2017 deve ficar marcado na história do setor exportador de café capixaba negativamente. O período ainda nem chegou ao fim, mas a expectativa é de que se encerre totalizando 1,8 milhão de sacas vendidas para o mercado externo – o pior volume de exportação de café em mais de três décadas.

Essa é a menor quantidade comercializada desde 1982, quando o Estado exportou o montante de 1,04 milhão de sacas.

Com a baixa produção de café, o volume de exportação também diminui significativamente. Do total de produção previsto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para este ano, aproximadamente 20,5% serão exportados.

De acordo com o presidente do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Jorge Luiz Nicchio, a produção de café foi muito abaixo da capacidade do Estado. “O café conilon produzido foi absorvido em grande parte pelo mercado interno e pela indústria de café solúvel. Porém, exportamos mais o tipo arábica”, comentou.

O café arábica representa 72% das vendas internacionais, de pouco mais de um milhão de sacas, de janeiro a julho de 2017.

Nesse mesmo período, houve uma queda de 28,97% em relação ao mesmo intervalo de 2016, quando mais de 1,45 milhão de sacas de arábica foram vendidas. O total de café produzido naquele ano foi superior a 2,33 milhões.

A receita gerada nos sete primeiros meses deste ano foi aproximadamente 7% menor que a do mesmo período de 2016, representando US$ 13 milhões a menos (equivalente a R$ 41,21 milhões).

De acordo com o presidente do CCCV, além da produção de café no Estado ter sido prejudicada nos últimos três anos pela ausência das chuvas, outros fatores prejudicaram as exportações. “Também pesa a deficiência do nosso porto, que é obsoleto e não consegue atracar navios de grande porte”, declarou. Conforme o relatório do Concelho de Exportação de Café do Brasil (Cecafé), o Porto de Vitória foi responsável pela exportação de apenas 0,4% do total de café no Brasil de janeiro a julho de 2017.

“Perdemos a exportação de toda a zona leste de Minas Gerais, que está indo para o porto do Rio de Janeiro (RJ) ou de Santos (SP). Também perdemos os cafés produzidos aqui, pois eles estão sendo transportados para o porto do Rio de Janeiro, onde são embarcados”, explicou Nicchio.

Ele acrescenta que, atualmente, cerca de 40% do café arábica produzido no Espírito Santo vai para o porto do Rio de Janeiro para ser exportado. O café que precisa ir por terra para embarque em outro porto tem um custo em torno de R$ 6 por saca, o que gera perda de receita.

HISTÓRICO

O pico da exportação capixaba de cafés, desde o início do registro pelo CCCV em 1961, aconteceu em 2002. Mais de 8,27 milhões de sacas saíram do país. Desse total, 4,26 milhões eram de café arábica e 3,79 milhões de conilon.

Já os menores volumes ocorreram todos na década de 1970, com uma média aproximada de 619 mil sacas por ano. Esses foram os únicos anos no Estado que as exportações ficaram inferiores a um milhão de sacas.

ESCASSEZ FEZ PREÇO DA SACA SUBIR QUASE 20%

Nos sete primeiros meses de 2017, o preço médio por saca de café ficou 19,45% maior na comparação com o mesmo período do ano anterior.

De acordo com Renato Theodoro, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), a falta de café no mercado fez o preço subir. “No mercado interno chegamos a ter picos superiores a R$ 550,00 na saca do conilon por causa da falta do produto. As empresas estavam procurando e não encontraram. Agora houve uma queda novamente em função do aumento de produção”, explica.

A média por saca de 60 quilos (kg) deste ano é de US$ 163,69 (equivalente a R$ 518,89 na cotação atual), enquanto a do ano passado ficou em US$ 137,03 (R$ 434,38). Em fevereiro de 2017 chegou a US$ 170,12 (R$ 539,28).

Segundo Theodoro, historicamente o Estado vende mais o café conilon para o mercado interno. E neste ano, quase todo o conilon produzido foi consumido pelas indústrias nacionais.

ESTIMATIVA

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que neste ano, a produção de café no Estado será 8,95% menor que em 2016. A safra do café conilon deve crescer 14%, já a do arábica cairá 9%. A expectativa é que produção seja de quase 8,9 milhões de sacas de café para 2017.

Segundo o levantamento de estoques privados da Companhia Nacional de Abastecimento, o Estado é o maior produtor de café conilon do país, responsável pela produção de mais de 5 milhões de sacas de café no ano passado. Apesar disso, esta é a primeira vez, desde 2004, que, por dois anos consecutivos, a produção será inferior a 9 milhões de sacas.

Fonte: A Gazeta Online (Por Siumara Gonçalves)

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