Expectativa de bons resultados leva cafeicultor a investir na propriedade

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Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso/MG começam a cuidar dos últimos preparativos para o início da colheita da safra 2011/2012, que deve acontecer nos próximos dias. Mesmo com a queda no preço da saca nos últimos meses, os produtores se mostram esperançosos com a alta produtividade de suas lavouras e continuam investindo na mecanização e na estrutura das propriedades.

Antonio Adolfo de Souza, proprietário da Fazenda Machados, localizada no bairro Nossa Senhora das Mercês, espera colher 2 mil sacas de café durante os próximos três meses. Destas, cerca de 60% deverão ser apanhadas de forma mecanizada. Segundo ele, essa opção lhe renderá cerca de 40% de economia.

Além da economia, o agricultor declara que encontrar mão de obra qualificada está cada vez mais complicado, mesmo assim, afirma que contratará cerca de 20 apanhadores, todos oriundos do norte de Minas Gerais. “Hoje, mexer com gente está cada vez mais complicado. Já fizemos algumas mudanças no pessoal. Os que vieram no ano passado não vêm neste ano, pois o serviço deles não me agradou”.

Ele discorda dos comentários de que as máquinas seriam responsáveis pela extinção da profissão de apanhador de café. “O pessoal fala isso, mas não é verdade. Se não fossem as máquinas, nós não daríamos conta de fazer a colheita em todas as lavouras da região. Elas vieram para nos ajudar a aproveitar melhor o produto, pois não conseguimos mais coletar só de forma manual”. Antonio Adolfo tem 170 mil pés de café espalhados em uma área de 45 hectares. Desses, 130 mil estão produzindo.

A topografia da Fazenda Machados possibilita que a colheita mecanizada atue em quase toda propriedade, no entanto, o cafeicultor diz que prefere usar os recursos humanos para a lida com os pés que produzem pela primeira vez. Mas avisa: “A tendência é diminuir cada vez mais”.

O preço do café

Nos últimos meses de 2011 e nos primeiros dias deste ano, a saca do café chegou a ultrapassar a casa dos R$500. Animados com a valorização da commoditie, os agricultores acreditavam que esses números aumentassem ainda mais, já que toda a produção estava aquém da demanda mundial. Entretanto, um duro golpe atingiu os proprietários das lavouras: a queda dos preços foi de quase 30%.

Antonio afirma que o governo é um dos culpados por essa realidade. Ele se lembra dos tempos em que um sistema regulador de estocagem amparava e dava tranquilidade aos cafeicultores nos momentos de baixa. “Acho não dão muita bola para a agricultura como antigamente. Tem dias que a bolsa oscila mil pontos em um dia. Tivemos café a R$ 530 e ele caiu para R$ 360. Esses dias que ele voltou para a casa dos R$ 400”, lamenta. Mesmo com o atual momento, o produtor crê que, a partir de outubro, o mercado cafeeiro se aqueça novamente e atinja aquele patamar que recuperou as finanças de muitas fazendas. Por isso, nos próximos meses, deverá vender apenas uma parte de sua safra para quitar algumas contas e adquirir insu-mos para o ano seguinte. O restante da produção ficará estocado até que a oferta do produto no mercado diminua.

Investimentos e certificação da propriedade

Com o objetivo de melhorar a qualidade de seu produto e conseguir melhores preços, Antonio Adolfo não mede esforços e melhora sua propriedade. Novas máquinas e a construção de um mais um terreiro para a secagem do café, com 2.500 metros quadrados, custaram ao produtor cerca de R$230 mil.

Auxiliado pela filha, engenheira agrônoma da Cooparaíso, o cafeicultor participa do Certifica Minas, programa estruturador do Governo de Minas executado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e pela Emater-MG. Uma de suas ações é o programa de Certificação de Propriedades Cafeeiras, que tem por objetivo atestar a conformidade das propriedades produtoras com as exigências do comércio mundial, que possibilita ao café mineiro consolidar e conquistar novos mercados.  As orientações para adequações das propriedades são feitas pela Emater-MG, enquanto as auditorias preliminares para checar as adequações de acordo com os padrões internacionais são realizadas pelo IMA.

Mesmo não tendo ainda nenhum retorno financeiro pela certificação estadual, Antonio conta que o programa foi um divisor de águas em sua atividade.

O resultado pode ser visto na organização de sua fazenda. “Você sabe quanto custaram as sacas, quais talhões dão prejuízo e  quais dão lucro. Isso é muito bom. Nos dá trabalho, mas vale a pena”, completa. Satisfeito com os resultados, o proprietário da Fazenda Machado diz que vai continuar investindo em melhorias para obter novas certificações.

Fonte: Jornal do Sudoeste

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