Estudo demonstra sensibilidade da ferrugem do cafeeiro

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José Abrahão Galvão, analista da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) em sua dissertação de Mestrado em Agronomia e Proteção de Plantas, pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista, analisou a sensibilidade de Lecanicillium lecanii, agente de biocontrole de Hemileia vastatrix, que causa a ferrugem, principal doença do cafeeiro, a radiação ultravioletavioleta-B.

“Esse agente, parasitado de forma natural por Lecanicillium lecanii, indica a potencialidade desse fungo para controle biológico”, informa Galvão.

“Um dos fatores que comprometem a eficiência de bioagentes é a radiação ultravioleta-B (UV-B), que aumentou com a diminuição da camada de ozônio, podendo afetar os processos naturais de controle de doenças de plantas e os programas de manejo com uso de bioagentes. Os estudos evidenciaram a efetividade biológica da radiação UV-B sobre os conídios de Lecanicillium”.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, com uma área plantada de 2,3 milhões de hectares e cerca de 5,7 bilhões de pés. São cerca de, 287 mil produtores em 15 Estados, gerando cerca de 8,5 milhões de empregos na cadeia produtiva.

Em 2012, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) , a produção nacional foi de aproximadamente 50 milhões de sacas. A planta é exigente em condições adequadas de umidade e temperatura, luz e a radiação solar, que influenciam, em maior ou menor intensidade, o desenvolvimento, intensidade e severidade de doenças.

A principal doença do cafeeiro é a ferrugem, causada por Hemileia vastatrix, responsável por prejuízos de até 50% em todas as regiões produtoras. O uso de cultivares resistentes é o método de controle mais eficiente.

No entanto, a maioria das variedades plantadas é suscetível à doença e o seu controle é baseado na aplicação de fungicidas. “Com a intensificação das restrições ao uso desses produtos, sugere-se o controle biológico como uma alternativa”, enfatiza Galvão.

Foram realizados experimentos para estabelecer metodologias para a avaliar o efeito da radiação sobre a germinação de conídios de L. lecanii, para selecionar os isolados mais tolerantes, avaliar a sensibilidade do bioagente em diversos estádios da germinação de conídios e a interação da radiação UV-B com temperaturas e concentrações de CO2 e o seu efeito no estabelecimento de Lecanicillium em pústulas de ferrugem, além de estabelecer a curva de sobrevivência dos isolados expostos.
As radiações UV-B e UV-A que atingem a superfície da Terra são biologicamente ativas, podendo ser nocivas a diversos seres vivos, inclusive ao homem, a patógenos, vetores e hospedeiros, afetando os ecossistemas e a agricultura.

Nas plantas, a radiação UV pode causar alterações morfológicas criando um microclima favorável às infecções por microrganismos.

No entanto, a exposição de esporos de fungos à radiação UV-B pode danificar essas estruturas nas fases de desenvolvimento e infecção de plantas.

A radiação solar é um dos fatores ambientais que interferem no estabelecimento desses bioagentes no hospedeiro e, na perspectiva de aumento da incidência dessa radiação, deve-se buscar agentes de biocontrole tolerantes a essa mudança.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente via Rede Social do Café

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