Estoques de café não vendido no Vietnã dobram níveis de 2014 devido à queda dos preços

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Os estoques de café não vendido do Vietnã, o maior produtor de café robusta, são duas vezes maiores do que as reservas do ano passado, porque os preços voltaram a cair depois de um breve pico em junho.

Os produtores do país do Sudeste Asiático estavam estocando 400.000 toneladas, ou 25 por cento da colheita, no final de julho, segundo a média das estimativas de oito traders consultados pela Bloomberg.

Como o ano safra finaliza em setembro, os estoques correm o risco de se somarem à colheita que começa em outubro, que, segundo previsões, igualará o recorde da temporada 2013-2014. O aumento da oferta poderia pesar ainda mais sobre os preços dos futuros, que recuaram 17 por cento nos últimos doze meses e estão sendo negociados pelo valor mais baixo em 18 meses.

"Quem vinha estocando até agora, vai continuar fazendo isso", disse Phan Hung Anh, vice-diretor da Anh Minh Co., trader de café com sede em Dak Lak. "Eles têm economias para pagar as despesas e não têm pressa para vender. Os preços estão abaixo das expectativas deles".

A estocagem, que desde março está no patamar mais elevado em pelo menos cinco anos, já diminuiu as exportações neste ano para o nível mais baixo desde 2010.

"As exportações vão cair neste mês se os preços não subirem", disse Anh. As remessas do Vietnã recuaram 33 por cento nos primeiros sete meses deste ano, para 800.000 toneladas, a menor quantidade desde 2010, segundo a Secretaria de Estatísticas.

O café robusta foi negociado na quarta-feira a US$ 1.653 por tonelada na ICE Futures Europe, tendo caído 14 por cento neste ano. No Vietnã, os grãos foram negociados na quarta-feira a 36.000 dong (US$ 1,65) por quilo depois de terem subido para 39.000 dong em 25 de junho, o valor mais alto em dois meses, segundo dados do Centro de Comércio e Turismo em Dak Lak.

Chuvas suficientes – A colheita que começa em outubro chegará a 1,72 milhão de toneladas, mais do que a safra anterior, de 1,6 milhão de toneladas. Embora tenha havido menos chuvas do que o normal, devido ao padrão climático conhecido como El Niño, a quantidade foi suficiente.

"A precipitação de fato foi menor do que no ano passado e nos anos anteriores, mas não há escassez de água", disse Anh. "As chuvas continuam sendo boas o suficiente para que os agricultores apliquem fertilizantes".

Embora no mês passado só tenha chovido em Dak Lak metade da quantidade registrada há um ano, o total está apenas 4 por cento abaixo da média, mostram dados do governo. Projeta-se que, em agosto, as precipitações e a temperatura nas terras altas do centro, o cinto cafeeiro do Vietnã, fiquem perto da média de anos anteriores, disse o Centro Nacional de Previsões Hidro-Meteorológicas em seu site no dia 1º de agosto.

Fonte: Bloomberg via UOL Economia

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