Estimativa preliminar da OIC mostra como importação de US$ 1 bi pode se tornar negócio de US$ 50 bi

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Estimativa preliminar da Organização Internacional do Café (OIC) mostra como importações de pouco mais de US$ 1 bilhão podem se transformar num negócio extraordinário, de mais de US$ 50 bilhões.

O economista-chefe da OIC, Denis Seudieu, examinou, por exemplo, a formação do valor agregado desde países produtores até o consumidor final na Alemanha.

Empresas alemãs importam "liquidamente" (descontando o que reexportam) cerca de 9 milhões de sacas de 60 quilos para seu próprio consumo, que teriam representado custo próximo de US$ 1,3 bilhão por ano, em média. Esse volume se transforma em 453.781 toneladas de café torrado. Aplicando um preço de varejo médio do café na Alemanha, que é de 403 centavos de dólar por libra-peso, chega-se a um valor agregado médio de US$ 4 bilhões para os atacadistas.

A soma é multiplicada quando cada quilo de café torrado se transforma em 60 xicaras. No total, o volume importado para consumo interno resultará em 27.226.890,756 xicaras. Se o preço médio da xicara de café é € 1,5, o valor agregado bruto total pode alcançar US$ 52 bilhões – ou quase dez vezes mais que a receita das exportação de café verde do Brasil em 2012.

Seudieu admite que esse não é um cálculo automático, porque para uma estimativa definitiva é preciso que se leve em conta outros parâmetros. Mas é um bom exemplo de como funciona o negócio.

Na Alemanha, torrefadores, atacadistas e cafeterias só tem a comemorar: o alemão bebe mais café (149 litros por ano) do que água mineral (135) e cerveja (107), segundo a Associação Alemã de Café.

Agora, a nova fronteira do consumo é a China. O crescimento da demanda de café na segunda maior economia do mundo está levando companhias que comercializam o produto a expandir suas atividades nessa area. A Nestlé, por exemplo vai gastar US$ 16 milhões na criação de um ‘Nescafé Coffee Centre’ na Província de Yunnan, onde estão 90% dos cafezais do país. O centro será o maior do gênero na China, e deverão ser treinados ali 5 mil agricultores, agrônomos e profissionais do café cada ano, visando promover a produção e o consumo.

O consumo de café entre jovens chineses vem sendo impulsionado com a abertura de centenas de "coffee shops" por grandes redes locais e também internacionais. A Starbucks tem plano de abrir 300 cafés este ano, e poderá chegar a 1,5 mil em 2015. A dificuldade será enfrentar a concorrência de redes locais com nome quase similar e mesmo modelo de negócios. No total, a China já tem pelo menos 14 mil "coffee shops", conforme o Rabobank.

Heiko Schipper, diretor da divisão de alimentos e bebidas da Nestlé na China, repete a expectativa de enormes negócios com base no potencial: o consumo chinês é de apenas 4 xicaras de café por ano comparado a 150 xicaras em Taiwan. Levando-se em conta uma população de quase 1,5 bilhão de pessoas, mesmo um aumento leve no consumo chinês terá impacto no mercado global.

Para Rabobank, o valor do mercado chinês de café crescerá 15% ao ano entre 2012 e 2017, comparado a uma alta de 6% na Índia. O consumo chinês foi de 120 mil toneladas em 2012, 6% do total consumido nos EUA. Em comparação, cerca de 1 milhão de toneladas de chá foram consumidas na China no período.

Fonte: Valor Econômico via Rede Social do Café

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