Estagnada, economia mineira tem pior resultado desde 2009

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Responsável. A queda da produção de café em Minas Gerais prejudicou o agronegócio e afetou o crescimento do PIB mineiro em 2011

Desde a crise de 2009, Minas Gerais não tinha um desempenho tão fraco no PIB. De janeiro a setembro, a economia mineira acumulou um tímido crescimento de 0,2%, em relação ao mesmo período de 2012. No ano passado, nessa mesma época, o Estado acumulava aumento de 2,7%. O ano já começou com o ritmo lento, com crescimento de 1,3% no primeiro trimestre, que caiu para 0,7% no segundo.

A culpa é do café e das chuvas. “O café teve um ano muito complicado e ele, sozinho, responde por cerca de 1,5% de todo o PIB de Minas. Já a falta de chuvas esvaziou os reservatórios no começo do ano, diminuindo a produção de energia das hidrelétricas e foi preciso gastar mais com as termoelétricas. Deixamos de ser exportador e passamos a ser importador de energia”, explica o pesquisador Raimundo de Sousa, responsável pelo levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP).

O governador Antonio Anastasia não ficou muito animado com o resultado do PIB mineiro e atribuiu o resultado ao fraco desempenho do café, que puxou para baixo o setor de agronegócio. Perguntado sobre a expectativa de crescimento para o 2013 inteiro, disse que as expectativas não são boas. “Eu acredito que, neste ano, não teremos um PIB bom. Não vai crescer o que nós gostaríamos. Temos hoje no Brasil uma situação de falta de confiança, diminuição de investimentos, dificuldades para grandes investimentos públicos, principalmente nas obras federais no Estado. Temos a lentidão em relação à BR-381 e ao metrô. Tudo atrapalha”.

Ele lamenta o fraco investimento no Estado. “Investimento gera movimentação econômica e gera melhoria no PIB. Então isso tudo (incluindo o problema com o café) acabou influenciando um ano que no ponto de vista econômico não foi positivo. Esse é um dado da realidade. Esperamos que no ano que vem tenha uma reação”, completou.

Analisando o terceiro trimestre isoladamente, o PIB mineiro cresceu 0,3%, enquanto o do Brasil recuou 0,5%. O maior impacto foi o da agropecuária, que teve queda de 0,6%. “Neste setor, dois terços vêm da agricultura e, dessa fatia, o café tem um peso de 35%. Como ele teve um ano ruim, o impacto foi muito grande”, justifica Sousa.

Para o quarto trimestre, Sousa não arrisca uma estimativa. Mas adianta que é muito pouco provável que o resultado seja pior do que o do terceiro trimestre. “Pelos dados que a FJP já tem, do mês de outubro, percebemos uma recuperação industrial. Se não houver nenhuma surpresa, o quarto trimestre será mais positivo”, destaca Sousa.

Ao contrário da agropecuária, a indústria mineira subiu 0,5% e o setor de serviços teve uma aceleração de 0,3%, no terceiro trimestre. No primeiro caso, o resultado é explicado pela recuperação na geração de energia nas hidrelétricas de Furnas, que estavam com graves problemas de redução nos reservatórios de água desde o começo do ano. Mas, entre julho e setembro, o setor expandiu 6,1% em relação ao trimestre anterior.

Enquanto Minas Gerais acumula no ano um aumento de 0,2% no PIB, o Brasil tem um crescimento de 2,4%. “Sem dúvidas tem a ver com a atividade econômica de Minas, onde o café tem um peso muito grande”, ressalta Sousa.

Fonte: O Tempo

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