Encafé: produção no Cerrado Mineiro deve cair 25% na safra 2019

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A produção de café dos cerca de 4.500 produtores que integram a Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro deve recuar 25% na safra 2019/20, para 5,250 milhões de sacas de 60 kg, segundo o presidente da entidade, Francisco Sérgio de Assis. Na temporada 2018/19, os cafeicultores locais devem colher 7 milhões de sacas. “A queda será mais acentuada do que o normal em virtude do grande número de podas feitas. Geralmente o recuo da produção (em anos de bienalidade negativa) é de 15%”, explicou Assis ao Broadcast Agro, nos bastidores do 26º Encontro Nacional das Indústrias de Café (26º Encafé), em Punta del Este, no Uruguai. O Encafé é promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e ocorre até esta quinta-feira (29).

A florada foi irregular na região, formada por aproximadamente 235 mil hectares de café, comentou o produtor. “A vegetação está muito boa, as chuvas também beneficiaram as plantações, mas os grãos estão irregulares, tivemos várias floradas em momentos diferentes”, disse.

Da produção da temporada atual, 2018/19, 60% aproximadamente já foi comercializada, boa parte de forma antecipada, em negócios que devem garantir aos produtores rurais “margem de lucro pequena”, de acordo Assis. O restante será vendido em momentos considerados pelos agricultores como mais oportunos. “Eles têm condições de armazenamento e também crédito (do Funcafé), podem segurar a produção até para vender na próxima safra, se acharem melhor”, disse o presidente da federação.

Já para a temporada 2019/20, a perspectiva é menos positiva. Os preços pagos aos produtores não caíram, apesar da safra recorde brasileira, de 60 milhões de sacas, mas os custos de produção subiram de forma expressiva, conforme Assis. “O preço dos adubos subiu 70% em reais, defensivos, 20%, energia aumentou 30%, além da alta do combustível. A rentabilidade vai cair e na safra 2019/20 acredito que a margem de lucro dos produtores da região vai ser negativa”, alertou. Cafeicultores do Cerrado mineiro têm recebido entre R$ 440 e R$ 440 por saca, de acordo com Assis.

O presidente da Federação pondera que, apesar da ampla oferta de outros países produtores, como Colômbia, Honduras e Vietnã, e do superávit global estimado em 7 milhões de sacas na temporada 2018/19 (dados da Organização Internacional do Café – OIC), há a possibilidade de os estoques globais poderem estar mais “equilibrados” a partir do segundo semestre do ano que vem, o que possivelmente proporcionaria cotações da commodity mais remuneradoras para os produtores.

Fonte: Agência Estado (Por Clarice Couto) via CNC

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