Empresa mineira investe em grãos especiais

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É da fazenda Samambaia, em Santo Antônio do Amparo, no Sul de Minas Gerais, o café vendido numa rede texana de supermercados com 350 lojas nos Estados Unidos. O produto é da Cambraia Cafés, da família de Henrique Dias Cambraia, 42, com tradição no negócio desde 1896. “É um café que sai da fazenda para a gôndola. E lá eles dizem que têm um produto de altíssima qualidade e que foi buscado na origem, com garantia”, conta Cambraia, referindo-se à agregação de valor fenomenal para toda a cadeia de produção. Mas a exportação corresponde a apenas 5% da produção da empresa, que até 2020 deve representar um terço do negócio. “Somos produtores, torradores e exportadores”, explica Cambraia que recebeu a Medalha do Mérito Rural 2015 da Faemg.

Focada em cafés especiais e no café commodity, a fazenda Samambaia, de 620 hectares de área plantada, terá uma safra de 18 mil a 20 mil sacas neste ano. “Mas o nosso potencial é chegar a algo entre 23 mil e 25 mil sacas de café, o que deve acontecer no ano que vem”, calcula o produtor.

Especiais. Para Cambraia, existe um setor na cafeicultura que está numa fase crescente, que é o ramo de cafés especiais. “O mundo está descobrindo o Brasil para cafés especiais. E só o Brasil pode produzir quantidade com qualidade para o mundo. Então o negócio de cafés especiais no Brasil ainda está na fase de adolescência, já não é mais embrionário. Mas é um negócio de relacionamento”.

Como o produtor sempre quis focar o tripé commodities, torrefação de cafés especiais e exportação de cafés especiais verdes, o projeto da indústria foi desenvolvido há oito anos. E, a partir de 2010, veio a marca Cambraia Cafés.

Por isso, na fazenda, Cambraia exporta os cafés especiais de grãos de tamanho grande. Para os grãos especiais de tamanho pequeno, o empresário resolveu montar uma torrefação e fazer com os grãos os tipos torrado e o moído gourmet. “Foi aí que surgiu o nosso projeto da Cambraia Cafés, no qual buscamos equipamentos alemães e uma empacotadeira italiana que nos dão a condição de ter um café de validade com consistência, ou seja, a validade de até um ano pelo processo de maquinário, enquanto os cafés tradicionais no Brasil têm validade de 90 dias”, comparou.

E Cambraia tem toda razão em investir na produção de cafés especiais, que no Brasil cresce entre 10% e 15% a cada ano. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o preço médio de venda das sacas de café commodity, entre janeiro e julho deste ano, foi de US$ 176,58, sendo que os naturais médios alcançaram US$ 156,51 e os especiais atingiram um patamar de US$ 229,37.

Semana do café
Expominas. Belo Horizonte recebe a terceira edição da Semana Internacional do Café no Expominas a partir desta quinta. A expectativa é que sejam movimentados R$ 25 milhões em negócios diretos e R$ 60 milhões indiretamente.

Poder do grão
– Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil, com 22,6 milhões de sacas.
– O parque cafeeiro mineiro já superou 3 bilhões de pés plantados e 973,6 mil hectares, com mais de 90 mil propriedades
– O Estado exportou 93,5% de sua produção para outros Estados e países (21,2 milhões de sacas em 2013/14), representando 61,3% do café exportado pelo país, gerando US$ 6,61 bilhões de receita cambial

Fonte: O Tempo (Helenice Laguardia)

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