Embrapa Café e Emater-MG promovem arranjo institucional para capacitar cafeicultores em tecnologias sustentáveis

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A Embrapa Café, coordenadora do Consórcio Pesquisa Café, incrementou parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais – Emater-MG para transferência de tecnologias. O objetivo é atender às demandas de produtores e do mercado e promover o desenvolvimento qualificado da atividade cafeeira no Estado por meio da adoção de boas práticas agrícolas e de gestão previstas na Produção Integrada do Café e no Programa Certifica Minas Café. Espera-se também que a parceria entre as instituições eleve a produtividade, agregue qualidade ao produto, garanta renda aos produtores, qualifique mão-de-obra, entre outros. Os recursos para a execução dessa parceria por meio de convênio são provenientes do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – Funcafé, em consonância com o Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Setor Cafeeiro – PEDSC 2012/2015, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.

Ações realizadas – Até o presente, professores, técnicos e pesquisadores de instituições ligadas ao agronegócio café capacitaram 166 extensionistas em tecnologias de produção. O treinamento foi realizado no campus da Universidade Federal de Lavras – Ufla, instituição participante do Consórcio Pesquisa Café. Entre os temas do treinamento estão mercado de café atual e futuro; gestão produtiva, econômica e mercadológica para melhoria da produção; políticas de governo para o setor; agregação de valor ao café; pré e pós-colheita com foco na qualidade; manejo com derriçadeira portátil; Código Florestal; nutrição, doenças e pragas do cafeeiro; concurso de qualidade; certificação; georreferenciamento; relações institucionais; Rede Social do Café e o papel da assistência técnica em épocas de crise. Parte da programação foi realizada no Polo de Tecnologia em Qualidade do Café, no Setor de Cafeicultura da Ufla. O grupo também participou de dia de campo especial na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Varginha, com enfoque em fertilidade, novas cultivares, irrigação, podas, sombreamento e colheita mecanizada. O Programa de Treinamento teve apoio do Polo de Excelência do Café.

Convênio – Como etapa desse arranjo institucional, por meio do convênio celebrado em 2012 para execução em 2013, também foram treinados na Ufla 40 técnicos da Emater-MG do Programa Certifica Minas por professores dessa Universidade e técnicos e pesquisadores de instituições ligadas ao agronegócio café. Na ocasião, os palestrantes levantaram várias questões de mercado atual e futuro, destacando alguns pontos principais como expectativas por preços melhores; políticas de governo para o setor; favorecimento do clima (principalmente geada); aumento da produção de robusta em relação a arábica no mercado brasileiro; estoque brasileiro e mundial; realidade do setor cafeeiro; deslocamento da indústria de café solúvel para Ásia; aumento da produção e exportação de café no Vietnã, especialmente café robusta; gestão produtiva, econômica e mercadológica para melhoria da produção; assistência e recomendações interligadas à transformação cultural do produtor; agregação de valor ao café; importação do café em cápsula para máquinas domésticas; e a praticidade como conceito de qualidade para o mercado consumidor.

Do ponto de vista agronômico, foram abordadas questões relacionadas à fertilidade do solo; semiologia do cafeeiro que trata da relação entre sintomas de desordens nutricionais, fitossanitárias e fisiológica das plantas; podas, doenças e pragas do cafeeiro. Foram enfatizadas questões da adequação das propriedades rurais no contexto do novo código florestal e da agregação de valor ao produto (qualidade do café) a partir das boas práticas nos procedimentos de pré e de pós colheita. Também foi apresentado aos técnicos o “Programa de Gestão Financeira aos Produtores e do Apoio Estratégico ao Governo de Minas para a Formulação de Políticas Públicas para o Café”, desenvolvido pelo Centro de Inteligência em Mercados – CIM da Ufla. Como prática, os participantes tiveram contato com as instalações de pós-colheita do Polo de Desenvolvimento do Café, onde puderam discutir sobre aspectos do processamento via úmida do café, secagem e armazenamento de grãos.

Treinamento também foi realizado em tecnologias sustentáveis para extensionistas da Emater-MG na Ufla. O curso foi direcionado a 146 técnicos que trabalham nas quatro regiões produtoras de café em Minas Gerais. Ao todo, foram ministradas dez palestras que abordaram diversos aspectos técnicos e econômicos da cafeicultura na atualidade, como irrigação por gotejamento, gestão de propriedades rurais, nutrição do cafeeiro, controle de nematoides, padrão técnico de qualidade para classificação do café verde, análise de solos e ainda outros temas. O coordenador técnico estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Marcelo Felipe, ressaltou os benefícios que esse tipo de treinamento em tecnologias sustentáveis trará ao abordar tópicos que acompanham as diversas fases por que passam as plantas durante o ciclo de cultivo do café. “Nessa fase do treinamento, enfatizamos principalmente o uso de defensivos agrícolas, parte ambiental, processamento e colheita. Vamos atualizar 232 técnicos de café neste ano”, disse.

Próximas etapas – Está em andamento assistência técnica individual para 350 produtores de café nos municípios inseridos no programa Certifica Minas Café, totalizando 1050 assistências técnicas. Os produtores que receberão as informações irão participar da final do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais. Trinta extensionistas serão selecionados para participar do VIII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, a ser realizado em Salvador-BA, de 25 a 28 de novembro. Também serão apresentados relatórios nos quais estarão contidas as orientações técnicas específicas, realizadas de forma individual ou coletiva, para os produtores conforme suas necessidades para a melhoria da produtividade e sustentabilidade econômica e ambiental. Os relatórios das assistências técnicas deverão dar subsídios para compreender o estado atual da cafeicultura mineira e das possíveis demandas por novas tecnologias, uma vez que vão possibilitar visão em tempo real das dificuldades e necessidades dos cafeicultores em relação à transferência e adoção de tecnologias, informações sobre como estão sendo feitas a gestão das diferentes propriedades e ainda fomento para desenvolvimento de novas tecnologias para o setor. Entre os temas a serem abordados estão formação de viveiros; plantio; condução da lavoura; nutrição; fitossanidade; irrigação; adubação orgânica; manejo de plantas invasoras; colheita; pós-colheita; manejo sustentável e gestão da propriedade.

Metas – Após treinamentos, os técnicos retornaram aos seus respectivos escritórios regionais para prestar a assistência técnica aos cafeicultores. Ao final, calcula-se que 170 extensionistas capacitados com recursos do convênio entre Emater – MG e Embrapa transmitirão técnicas de produção e processamento de café desenvolvidas no âmbito do Consórcio Pesquisa Café para cerca de 2.400 produtores – especialmente de pequeno e médio porte, e a suas associações/cooperativas em 126 municípios. No total, serão 7200 assistências técnicas aos cafeicultores, distribuídos nos principais municípios produtores de café do estado de Minas Gerais, com foco nos parâmetros da Produção Integrado do Café, preconizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa e no programa Certifica Minas.

O pesquisador da Embrapa Café Anísio Diniz acredita que a parceria em transferência de tecnologia é essencial para promover a interação entre os setores de pesquisa e produção e fazer disseminar e aplicar tecnologias por meio de ações sistematizadas e focadas em prioridades de cada região produtora, ampliando os serviços de pesquisa, assistência técnica e extensão rural. “Investir nesse trabalho é imprescindível para que pequenos e médios produtores tenham acesso aos avanços tecnológicos desenvolvidos pela pesquisa. Afinal, a tecnologia somente é tida como inovadora quando efetivamente adotada por aqueles para quem foi gerada”.

O café em Minas – O Estado de Minas Gerais possui o maior parque cafeeiro (cerca de 1 milhão de hectares plantados) do País e responde por mais de 50% da produção brasileira de café. O agronegócio café, além do significado econômico para o Estado tem ainda grande importância social, pois gera mais de 4 milhões de empregos diretos e indiretos (FAEMG-2012). A safra de 2013 está estimada em cerca 26,1 milhões de sacas de café, das quais 12,3 milhões serão provenientes do Sul de Minas, 4,9 milhões do Cerrado Mineiro (Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste), 8,1 milhões da Região da Zona da Mata e quase 0,72 milhão do Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri (Conab, Set/2013).

Consórcio Pesquisa Café – Criado em 1997, congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. Seu modelo de gestão incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Foi criado por dez instituições: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, Instituto Agronômico – IAC, Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro – Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras – Ufla e Universidade Federal de Viçosa – UFV.

VIII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil – De 25 a 28 de novembro, em Salvador-BA. Inscreva-se, participe e divulgue. Mais informações em http://www.simposiocafe.sapc.embrapa.br/

Fonte: Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa

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