Em meio à volatilidade, café segue em alta

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As incertezas sobre os prejuízos provocados pela seca à safra brasileira de café que começou a ser colhida neste mês (2014/15) voltaram a impulsionar os preços da commodity em abril. O índice composto do produto da Organização Internacional do Café (OIC) atingiu US$ 1,7058 por libra-peso, 3,4% mais que em março e maior média mensal em mais de dois anos, de acordo com relatório mensal divulgado pela entidade.

O índice da OIC é formado pelas cotações médias de quatro grupos de preços de produtos – cafés suaves colombianos, outros suaves, naturais brasileiros e robustas.

Os três grupos de café arábica que formam o índice da OIC (suaves colombianos, outros suaves e naturais brasileiros) tiveram em abril aumentos de 4,5%, 4,4% e 4,2%, respectivamente, os maiores níveis em mais de dois anos. Já o preço mensal do grupo dos robustas ficou praticamente inalterado no mês passado ante março.

A OIC acrescenta que todos os indicadores de preços do café tiveram oscilação recorde em abril, na comparação com março. A volatilidade é ainda maior por um fator adicional: a perspectiva de um déficit global de abastecimento de café diante de incertezas sobre as produções, não somente do Brasil, mas de outros importantes players em virtude das previsões de efeitos do fenômeno climático El Niño.

O Centro de Previsão do Clima dos EUA estima que a probabilidade de ocorrência do El Niño até meados deste ano é superior a 50%, diz a OIC no relatório. O fenômeno climático pode ter outros efeitos adversos, como chuvas durante a colheita brasileira, já prejudicada pela seca e pelas altas temperaturas no início deste ano, fase importante de desenvolvimento dos grãos.

No Vietnã e na Indonésia, em contrapartida, existe a possibilidade de redução de chuvas, o que poderá ter um efeito negativo sobre a produção da espécie robusta, enquanto na Colômbia, um "moderado" El Niño poderia ajudar a cultura, afirma a OIC.

Todas essas previsões contribuem para mais volatilidade do mercado. Na semana passada, os preços do café arábica na bolsa de Nova York recuaram 10,4% diante da percepção do mercado de que a quebra da safra brasileira poderá não ser tão grande quanto se imaginava inicialmente, dizem analistas. Na sexta-feira, os contratos para julho registraram queda de 5,93% (1.160 pontos), a US$ 1,839 por libra-peso. (Colaborou Camila Souza Ramos).

Fonte: Carine Ferreira/ Valor Econômico

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