Em dia movimentado, café recua e depois se recupera em NY

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quinta-feira com ligeiras quedas, em uma sessão caracterizada por grande volatilidade, que fez com que a primeira posição variasse 770 pontos.

O mercado deu todos os sinais de que teria um dia de perdas intensas. Logo na abertura as cotações seguiram a tendência negativa já verificada no after-hours da sessão passada e as baixas apenas se acentuaram com o reflexo dos mercados externos, com as commodities recuando forte.

Assim, foi questão de tempo para que a primeira posição tivesse rompido o seu principal suporte atual, no nível de 230,00 centavos de dólar por libra peso. Com essa fato sendo verificado, rapidamente alguns stops de venda foram registrados, com os preços passando a ficar mais deprimidos.

No entanto, os stops tiveram uma interrupção e, pouco a pouco, especuladores e até mesmo fundos entraram executando recompras, o que culminou no março voltando a se posicionar acima do suporte e com o encerramento do dia se dando com baixas bastante modestas.

Para completar o quadro de vai-e-vem do mercado, o after-hours encerrou com valorização para os contratos, o que, segundo alguns analistas, pode ser um indicativo ao menos para a abertura dos negócios nesta sexta-feira.

Segundo operadores, o dia foi caracterizado por uma grande pressão externa que se somou aos aspectos técnicos, tão logo o principal suporte foi rompido.

Esses operadores sustentaram que, apesar da pressão, o café voltou a dar sinais de solidez, principalmente com sua recuperação na segunda parte do dia, deixando de lado, ao menos momentaneamente, a expectativa existente entre os participantes de que o março poderia, ao perder sua última sustentação, buscar um nível entre 220,00 ou 215,00 centavos de dólar por libra peso.

No encerramento do dia, o março em Nova Iorque teve perda de 70 pontos com 231,80 centavos, sendo a máxima em 234,20 e a mínima em 226,50 centavos por libra, com o maio tendo oscilação negativa de 60 pontos, com a libra a 233,65 centavos, sendo a máxima em 236,00 e a mínima em 228,50 centavos por libra.

Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição março registrou queda de 4 dólares, com 2.115 dólares por tonelada, com o maio tendo desvalorização de 2 dólares, com 2.142 dólares por tonelada.

Segundo analistas internacionais, o dia foi caracterizado pelas vendas especulativas, pela volatilidade e pela reafirmação da força do café que, mesmo em um cenário considerado totalmente negativo, conseguiu se estabilizar e, inclusive, amealhar alguns ganhos no after-hours.

"Foi realmente uma sessão interessante, já que muita gente não acreditava no rompimento dos 230,00 centavos. A partir do rompimento, a expectativa era uma correção muito forte, algo que também não se verificou, após algumas recompras e, em menor grau, aquisições de torrefadores", disse um trader. O dia foi caracterizado por pressão no mercado externo.

As commodities caíram, com o índice CRB recuando 0,43%. O petróleo, por sua vez, caiu quase 2,5% e o ouro recuou 1,4%. Algumas notícias fizeram com que o mercado tivesse um dia ruim para as matérias-primas.

O dólar, por exemplo, voltou a subir em relação a uma cesta de moedas internacionais, ao passo que o euro acumulou perdas. Os Estados Unidos revelaram os níveis de solicitações de seguro desemprego. O número apresentado foi menor que o projetado pelo mercado, o que ajudou o dólar a se fortalecer.

Outro dado apresentado no país foi a venda de casas usadas, que subiu 12,3% em dezembro, taxa que foi considerada por operadores de mercado como surpreendentemente positiva.

Além dos dados norte-americanos, o mercado se balizou também na China. O gigante asiático informou que seu Produto Interno Bruto cresceu 10,3%, zero ponto dois pontos percentual acima das projeções. A inflação chinesa em dezembro ficou numa taxa anualizada de 4,6%, o que, segundo operadores, deverá continuar sendo um referencial para novos ajustes monetários dessa nação.

O Macquire Bank divulgou sua estimativa de que os preços do grão possam tocar os 300,00 centavos por libra no curto prazo, refletindo a continuidade da grande demanda, a oferta limitada e a diminuição gradativa dos estoques.

O banco sustentou que a necessidade de exportação de cafés de alta qualidade se mantém, apesar de regiões chaves, como a América Central, enfrentarem, pelo segundo ano consecutivo, produções pobres. As fortes chuvas na Colômbia também jogaram por terra a esperança de o país ter uma produção mais forte, sustentou o Macquarie, que avaliou a safra colombiana no nível de 8,9 milhões de sacas.

"Diante do cenário de produção deficiente e de baixos estoques não é nada inconcebível que os preços em Nova Iorque em breve testem o nível de 300 centavos por libra", indicou a instituição em seu relatório ao mercado.

As exportações de café do Brasil em janeiro, até o dia 19, somaram 1.067.728 sacas, contra 2.278.753 sacas registradas no mesmo período de dezembro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 6.362 sacas indo para 1.657.557 sacas.

O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 25.743 lotes, com as opções tendo 9.002 calls e 2.586 puts. Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 234,20, 234,50, 234,90-235,00, 235,50, 236,00, 236,50, 237,00, 237,50 e 238,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 226,50, 226,00, 225,50, 225,10-225,00, 224,50, 224,00, 223,50, 223,00, 222,50 e 222,10-222,00 centavos por libra.

Fonte: Agnocafe

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