Dólares para a lavoura

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Uma linha de crédito de US$ 70 milhões para financiar a mecanização e a compra de insumos para a AGRICULTURA FAMILIAR e cooperativa está entre as iniciativas concretas que resultarão da visita da presidente Dilma Rousseff a Cuba, a partir de amanhã. A ajuda foi negociada ainda no ano passado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, que esteve na ilha para detalhar a experiência brasileira com a distribuição da terra a pequenos proprietários – um caminho que o regime comunista empreendeu nos últimos três anos, como parte das reformas econômicas promovidas pelo presidente Raúl Castro.

A chegada de Dilma a Havana, na primeira viagem ao país como presidente, coincide com um momento de transição também em aspectos do sistema político, discutidos ao longo do fim de semana na 1ª Conferência Nacional do Partido Comunista de Cuba (PCC). No entanto, o chanceler Antonio Patriota praticamente descartou, em declarações feitas em Davos (Suíça), que seja abordado pulbicamente o tema dos direitos humanos. Na última quarta-feira, a embaixada brasileira concedeu visto para que a blogueira dissidente Yoani Sánchez visite o país em fevereiro, para o lançamento de um documentário sobre ela, mas é improvável que Dilma interceda com as autoridades locais para que autorizem a viagem.

"Este é um período em que eles passam por ajustes no seu modelo econômico e se inspiram em várias experiências do Brasil, além de um tempero da China e do Vietnã", disse ao Correio o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes. O objetivo da presidente é estender e aprofundar programas de cooperação em andamento, principalmente as obras de ampliação do Porto de Mariel, realizadas pela construtura brasileira Odebrecht com financiamento de US$ 683 milhões pelo BNDES.

"A viagem sinaliza o interesse do Brasil em participar de projetos nas áreas agrícola, de energia e de infraestrutura", explicou o diplomata. Um dos projetos em andamento, com participação da Embrapa, contempla o apoio técnico para incrementar a produção de milho e cana-de-açúcar. A Odebrecht atuará na cogeração de energia para o processamento das colheitas. O interesse cubano, porém, se volta também para os programas do governo brasileiro para desenvolver a AGRICULTURA FAMILIAR e a produção de alimentos. "Eles não querem copiar modelos, mas estudá-los para adaptar à realidade deles", concluiu Tovar Nunes.

Segunda reforma
Desde 2006, quando assumiu o comando de Cuba no lugar do irmão mais velho, Fidel Castro, Raúl vem introduzindo reformas destinadas a dinamizar a economia e sanear as contas do Estado, carregadas por um pesado mecanismo de subsídios. Em particular, o presidente determinou como prioritária a produção em larga escala de alimentos, já que o país importa cerca de 60% daquilo que consome.

Para isso, a reforma agrária proclamada em 1959, no início da revolução, foi atualizada em 2008 para incentivar a pequena propriedade familiar e o cooperativismo. Desde então, com a entrega de terra a pequenos produtores, o número de propriedades no país teve um acréscimo de 150 mil, inclusive com a criação de um "cinturão verde" em torno da capital.

Fonte: Correio Braziliense

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