Dólar recua em dia de baixo giro de negócios

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Depois de uma volta de feriado de Natal agitada por pesadas atuações do Banco Central, ontem o mercado de câmbio teve uma sessão mais tranquila. O dólar fechou em baixa, ainda refletindo os leilões de swap cambial de quarta-feira. Passou o dia oscilando ao sabor de operações pontuais, cujos efeitos foram potencializados pelo baixo giro de negócios.

"O BC voltou a falar o que quer pela mesa de operações, e não mais pela boca de outras pessoas do governo", disse o diretor de uma corretora em São Paulo. Para ele, os leilões de swap cambial tradicional realizados ontem mostram que a autoridade monetária voltou a atuar diretamente no mercado para administrar o câmbio em vez de se fiar em "intervenções verbais" de seus diretores e outros integrantes do governo, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A moeda americana caiu 0,29%, a R$ 2,044, próxima da mínima do dia, de R$ 2,041.

Com a baixa liquidez, normal em data tão próxima do feriado de Ano Novo, transações um pouco maiores tiveram força para influir nas cotações. Após abrir em queda, a moeda subiu, recuando novamente à tarde, após o BC anunciar novo leilão conjugado de venda e compra de dólar para hoje – operação que será a 11ª do tipo apenas neste mês.

Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a surpresa causada pelos leilões de swap na quarta-feira levou muitos no mercado a zerar posições para, evitando, assim, exposição de risco na virada do ano. Caso o BC não tivesse realizado os leilões de swap há dois dias, Galhardo acredita que o câmbio continuaria travado até os últimos pregões.

O gerente de câmbio da Treviso acredita que, no início de janeiro, o mercado deva testar com mais vigor o piso da atual banda cambial informal do BC.

"Pode ainda ter pressão e uma queda ainda mais acentuada do dólar", disse Galhardo. "Ele pode bater em R$ 2,02, R$ 2,01 e ou o BC compra para segurar ou deixa ir mais para baixo. Ainda não sabemos qual o piso que o BC quer para o dólar."

No mercado futuro de juros, em um pregão de baixo volume, as taxas registraram ligeira queda, devolvendo assim um pouco mais do prêmio acrescentado aos contratos na última semana. A piora do ambiente externo, aliada ao noticiário menos negativo sobre inflação doméstica contribuíram para esse movimento de queda.

O humor no exterior azedou ontem por causa da piora do dado de confiança do consumidor americano medido pelo Conference Board, que recuou para 65,1 pontos em dezembro, abaixo da expectativa de 70 pontos. Além disso, a tensão com as negociações em torno do abismo fiscal americano voltou a crescer. Esses fatores colocam em risco a recuperação da economia global em 2013 e, dessa forma, justificam recuo das taxas de juros.

Também contribuiu para algum alívio dos juros no início da quinta-feira o resultado do IGP-M de dezembro, que subiu menos que o esperado. O índice avançou 0,68%, abaixo do piso das estimativas colhidas pelo Valor Data, que estavam entre 0,71% e 0,80%.

Fonte: Valor Econômico

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