Diretrizes estratégicas para a cafeicultura

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Silas Brasileiro, presidente do CNC: "Não queremos que o governo faça intervenção, mas sim o ordenamento do café"

Um planejamento estratégico para a cafeicultura, elaborado em conjunto pelo Conselho Nacional do Café (CNC), a Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), será apresentado oficialmente durante o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2012/13 – que deverá acontecer nesta quinta-feira, em Brasília. O plano prevê várias ações para garantir renda ao cafeicultor, entre elas um fundo garantidor para o segmento.

As medidas vêm em um momento crucial para a atividade. Os custos aumentaram muito para o ciclo 2012/13, de alta produção, e os preços pagos ao produtor declinaram de forma acentuada desde o fim do ano passado. O CNC estima que a renda da atividade será entre 25% e 30% menor do que na temporada anterior. Além disso, o clima não tem sido favorável à cultura, que enfrentou seca no primeiro trimestre do ano e chuvas no início da colheita, prejudicando a qualidade do grão.

Uma das propostas do planejamento estratégico é o acesso a financiamento para a formação de estoques estratégicos. Hoje, os estoques de passagem estão em nível considerado muito baixo, menos de 3 milhões de sacas. A ideia é que aumente para 5 milhões a 6 milhões de sacas, para fazer frente a qualquer problema de abastecimento. "Não queremos que o governo faça intervenção, mas sim o ordenamento do café", afirma Silas Brasileiro, presidente do CNC. Ele afirma que são necessários recursos suficientes para que não haja uma concentração da oferta em determinados períodos.

Outro pleito é o Fundo Garantidor para disponibilizar novos recursos para a cafeicultura sem exaurir o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), formado no passado a partir de taxas pagas pelos exportadores. Há estimativas de que o fundo tenha os R$ 2,7 bilhões liberados pelo governo para a safra 2012/13 e mais cerca de R$ 2,8 bilhões em passivos. Com a nova política, o fundo poderia dar sustentação ao mercado. "Os recursos precisam ser otimizados", observa Silas Brasileiro.

Outra resolução do plano é o georreferenciamento nas áreas produtoras do país para detalhar o tamanho, idade e capacidade produtiva do parque cafeeiro nacional. A tarefa ficaria a cargo do governo federal. O plano também demanda recursos para pesquisa e certificação, além da reativação do Centro de Inteligência do Café, que funcionou de 2005 a 2008, em Minas Gerais, maior produtor nacional do grão. O órgão seria ligado ao Departamento de Café do Ministério da Agricultura com a missão de trazer informações necessárias para a elaboração de políticas para o setor.

Silas Brasileiro acredita que o governo sinaliza positivamente às propostas. Ele informou que os juros dos financiamentos do Funcafé devem ser reduzidos de 6,75% para 5,5% ao ano.

Fonte: Valor Econômico

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