DIFERENCIAIS ENFRAQUECEM APESAR DE NOVAS MÍNIMAS

O furacão Sandy causou prejuízos estimados em mais de 50 bilhões de dólares, e quase duas semanas depois ainda há áreas sem energia elétrica – problema potencializado com a frente fria que chegou na quarta-feira dia 7 de novembro.

Obama respondeu rapidamente parando sua campanha e se dedicando ao problema. Em sua visita ao estado de Nova Jersey – o mais atingido – foi abraçado e recebeu elogios do governador republicano, causando fúria à direita, e segundo alguns analistas dando uma ajuda extra para reeleição do atual presidente.

A confirmação de Barack Hussein Obama na Casa Branca por mais quatro anos se deu apesar da alta taxa de desemprego no país, e entre outros fatores o resultado das urnas refletiu um crescimento significativo do poder decisivo das chamadas minorias (ou como categorizam os estatísticos “os não-brancos”).

Os mercados financeiros reagiram negativamente ao pleito, acumulando a maior perda da bolsa de ações após eleições, sendo que o maior receio paira sob o abismo fiscal que precisa ser revisto (modificado) antes de sua implementação no começo de 2013. De forma sucinta o tal “abismo” é o aumento de impostos e corte de despesas, o que o mercado lê como uma receita quase certa para uma nova recessão americana.

As commodities não ficaram fora da fuga ao risco e também caíram nos últimos cinco dias.

O café em Nova Iorque encerrou a semana abaixo dos US$ 150 centavos por libra, ou apenas US$ 1.70 centavos acima da mínima do ano, e perdendo US$ 10.38 por saca desde meu último comentário (há duas semanas em função dos eventos climáticos por aqui). A cotação de Londres se manteve virtualmente inalterada, e São Paulo caiu US$ 11.35 por saca.

A colheita no Vietnã que atinge 25% neste momento, não pressionou o flat-price (bolsa) mas alargou um pouco os diferenciais e a arbitragem ICE/LIFFE estreitou um pouco mais, sinalizando o teste dos 60 centavos por libra.

A demanda por arábicas mais finos continua tímida, e a proximidade do primeiro dia de notificação do contrato de dezembro (juntamente com novas regras que aumentarão as penalidades aos cafés antigos) fez com que o spread Dec/Mar alargasse para -5.65 centavos por libra. Uma estrutura tão descontada é uma grande ajuda para quem carrega café, e ao mesmo tempo um sinal bem negativo para os altistas.

Negativo porque o sujeito que está comprado em café e que queira manter sua posição tem que pagar nada menos do que 3.6% para continuar no “game” – não é atoa que os fundos continuam adicionando vendas em seus livros.

Voltando ao físico, a movimentação é fraca com interesse mantido da mão para a boca e diferenciais enfraquecendo para a maioria das origens. Nos Estados Unidos a chegada do frio animou um pouco o mercado-spot, que tem menos café do Brasil do que se imaginaria.

No relatório de posicionamento dos traders (COT) os comerciais voltaram a comprar Nova Iorque, e os fundos vieram com uma posição recorde vendida – fatores que finalmente dão algum potencial de recuperação aos preços.

Finalizando, a OIC em seu relatório recente prevê uma produção mundial de 147 milhões de sacas para o ciclo de 2012/2013, e embora não fale de consumo para o mesmo período, extrapolamos estimando em 141.5 milhões – um superávit de 5.5 milhões. A sobra a principio não é grande (embora muitos não concordem com o número), entretanto se a próxima safra brasileira tiver um swing menor como alguns já esperam, há chances de termos mais um ano de superávit ao invés de déficit, o que em um cenário de maior produção de robusta em nada ajuda os preços de café com um todo.

Para o curto-prazo creio em uma recuperação rápida dos preços do arábica. Resta saber se será apenas fogo de palha ou se as altas conseguirão ser mantidas.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

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