Dia Internacional do Café: a valorização da marca das Matas de Minas

Imprimir

No Dia Internacional do Café, 14 de abril, o Portal Caparaó destaca o trabalho envolvendo a marca da Região das Matas de Minas, que reúne 63 municípios e mais de 36 mil cafeicultores, responsáveis por uma produção de cinco milhões de sacas por ano, equivalente a 24% da produção do estado. Desde outubro de 2014, o Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas está atuando fortemente para a divulgação e consolidação dessa origem.

A Região das Matas de Minas configura uma extensão de terras contínuas da Zona da Mata e Vale do Rio Doce, no Leste mineiro, emolduradas pela Mata Atlântica, com altitudes entre 600m e 1.200m, clima e solo propícios à cultura do café de qualidade. A produção é naturalmente artesanal, com predominância de agricultura familiar no chamado "cultivo de montanha". Base da economia local, a cafeicultura abriga cerca de 75 mil empregos diretos e 156 mil indiretos, distribuídos por pequenas propriedades, já que 80% das fazendas têm menos de 20 hectares.

O projeto da marca nasceu em 2006, por meio de parceria entre o Sebrae Minas e a Federação da Agricultura/MG (Faemg). A parceria resultou na criação do Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas, organização representativa de entidades ligadas à cafeicultura local.

"Somos pioneiros no que chamamos de qualidade artesanal, com trabalho manual e técnicas desenvolvidas pelos próprios produtores", destacou o presidente do Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas, Fernando Cerqueira, que também preside a Coocafé, uma das 12 entidades que compõem o Conselho.

Fernando ressalta que a criação do Conselho veio para “aglutinar os interesses de todos os produtores dos 63 municípios das Matas de Minas”. Para ele, o grande diferencial do grão repousa sobre três pilares básicos: colheita artesanal (feita manualmente), sustentabilidade e vida comunitária. No quesito sustentabilidade, ele explica: “Nossa região é rica em mata nativa e muitas nascentes. O que nos cabe então? Produzir sem exaurir este potencial ambiental. Temos um terroir (combinação de solo e clima) único e não podemos perder este presente que a natureza nos proporcionou”.

A marca e o grão

Duas mãos entrelaçadas, em tons esverdeados (com os dedos lembrando uma lavoura cafeeira), sob um "céu" vermelho (a cor do café maduro) é o símbolo representativo da Região das Matas de Minas.

Para o designer Paulo Vischi, que trabalhou na elaboração da marca, e a apresentou na solenidade em Manhuaçu "esta é a imagem que indicará, em toda parte, a origem do café das Matas de Minas, enaltecendo sua qualidade, regularizando seu comércio e consolidando novos mercados".

De fato, a marca Região das Matas de Minas surgiu para organizar a cafeicultura local que, embora centenária, carecia de uma ação aglutinadora, tanto nos processos de produção quanto na logística de comercialização, como lembra a gerente de Agronegócio do Sebrae Minas, Priscilla Lins: "Temos uma marca, e isto é muito bom. Mas não podemos nos esquecer de que ainda temos muito trabalho pela frente".

O trabalho à frente significa conquistar novos consumidores, com estratégias corretas de escoamento da produção. Acertadas e consensadas essas estratégias, os novos mercados poderão apreciar um café de ótima qualidade. O café da Região é bem encorpado, com sabor adocicado variando entre o cítrico, o caramelado e o achocolatado. O aroma é intenso, com notas florais e a acidez é delicada e equilibrada. Enfim, uma bebida fina, de sabor agradável e prolongado, verdadeira festa gustativa para baristas e os mais exigentes paladares.

Um produtor modelo

O cafeicultor Alexandre Leitão, 43 anos, nasceu entre os cafeeiros das fazendas da família. Em uma delas, a Fazenda Dona Helena, a seis quilômetros de Manhuaçu, são 100 hectares (60 hc de café e 40 hc de Mata Atlântica). São 315 mil pés de café arábica, cuidados com todo o esmero, o que lhe valeu a certificação pela agente certificadora Speciality Coffe Association of Minas Gerais (SCAMG). A propriedade é bem dividida, com lavouras devidamente identificadas por talhões e número de mudas em cada um. No alto de cada colina foram preservadas faixas consideráveis de Mata Atlântica e, no meio destas, fileiras de eucaliptos garantem a climatização perfeita, com sombra e ventos na medida certa.

63 municípios formam a região de origem do Café das Matas de Minas

Um dos fiscais do Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas, Alexandre é um cafeicultor nato – "trabalho com café desde que me entendo por gente" – e um defensor entusiasmado do processo de produção do café regional. "Temos que trabalhar com foco num detalhe fundamental que é o de mostrar ao mundo que aqui respeitamos o meio ambiente e valorizamos a nossa mão de obra. Ou seja, produzimos café de qualidade, mas devemos sempre nos preocupar com o lado social da nossa atividade". A Dona Helena colhe anualmente 2,5 mil sacas e emprega 80 agricultores familiares.

Fonte: Portal Caparaó via Rede Social do Café

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *