Curso pioneiro forma profissionais do café no Instituto Federal de Muzambinho

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Se tem uma bebida que é estudada, pesquisada e degustada em todo o planeta, esta bebida é o café. E não é por acaso. O fruto do café vem sendo alvo de inúmeros experimentos voltados para as mais diversas áreas. Seja no campo, nas cozinhas ou nos laboratórios, a cafeína desperta, cada vez mais, o interesse de estudiosos ávidos por descobrir propriedades ainda ocultas da bebida mais consumida no mundo.

Desde 2005, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF Sul de Minas), Campus Muzambinho, inovou ao implantar o primeiro curso superior voltado para o setor cafeeiro, o curso de Tecnólogo em Cafeicultura. A professora Ana Lígia de Rezende Maciel, primeira coordenadora do curso, conta com orgulho o processo de escolha e implantação.

“Trabalhamos muito para ter a aprovação do MEC. Foi feita uma pesquisa através de uma parceira entre a antiga Escola Agrotécnica e a Amog (Associação dos Municípios da Micro Região da Baixa Mogiana), e dos cursos propostos, o de Tecnólogo em Cafeicultura foi o que teve maior aceitação em todos os municípios”, lembra a professora.

Ana Lígia ressalta que foram propostos vários cursos de tecnologia, inclusive na área de informática que já estava em alta na época, mas o de Tecnólogo em Cafeicultura ganhou praticamente por unanimidade.

Alunos estudam toda a cadeia produtiva do café até a comercialização (Foto: Viola Júnior)
Alunos estudam toda a cadeia produtiva do café até a comercialização (Foto: Viola Júnior)

“Acredito que o de cafeicultura teve essa votação expressiva justamente por atender produtores, filhos de produtores, técnicos em agropecuária que visavam uma especialização, não ficou nenhuma dúvida, foi uma iniciativa popular muito consciente”, relata.

O atual coordenador do curso, Alberto Donizetti Alves, diz que a criação dos institutos federais foi uma mola propulsora na filosofia de implantação de cursos de tecnologia. “O investimento veio na hora certa, hoje contamos com estrutura e professores do mais alto nível, todos têm pós-graduação, o curso só cresceu e veio pra ficar”, conta.

É comum a falta de entendimento sobre os cursos de tecnólogos por boa parte da população e até mesmo de empresas do setor. O professor José Marcos Angélico de Mendonça conta que, por ser novidade, o curso superior de Tecnologia em Cafeicultura, ainda causa certa confusão.

“Muitos nos perguntam se é um curso técnico. Explico que é um curso superior específico, mais direcionado e de curta duração, envolvendo tanto a parte técnica como a acadêmica. O curso visa formar profissionais com capacitação para atender demandas pontuais de um mercado específico”, diz o professor.

Hoje, conforme o Instituto Federal, apenas Muzambinho e a cidade de Alegre, no Espírito Santo, oferecem esse curso em cafeicultura em todo o mundo. Por se tratar de um curso muito específico, o futuro tecnólogo coloca literalmente a mão na massa, da análise do solo ao plantio, da poda ao controle de doenças, da colheita ao beneficiamento, da embalagem à comercialização.

Curso de tecnólogo do café prepara profissionais para o mercado (Foto: Viola Júnior)
Curso de tecnólogo do café prepara profissionais para o mercado (Foto: Viola Júnior)

José Marcos explica que um núcleo docente de professores consultores ajudam a direcionar as políticas do curso. “Nossa meta é formarmos profissionais que se adequem ao mercado, é preciso pensar na dinâmica, saber qual é a demanda de hoje e qual deixou de ser”, diz ele.

Um dos diferenciais de uma escola como os institutos federais, voltados para a agricultura, é que o alvo de estudo pode se tornar também produto para consumo interno e até mesmo de comércio, gerando renda para a própria escola. No caso do tecnólogo em cafeicultura, tudo o que é produzido e beneficiado dentro do instituto, serve ao corpo de funcionários e alunos e o excedente é comercializado com empresas que participaram de licitações.

A professora Roseli dos Reis Goulart ressalta que nem só filhos de cafeicultores ou agrônomos se interessam pelo curso. “Hoje temos alunos que vieram de diversas áreas, são jovens que muitas vezes enxergam uma oportunidade de colocação no mercado cafeeiro através do curso de tecnólogo”, diz.

Não só filhos de cafeicultores ou agrônomos, mas alunos de diversas áreas procuram o curso no instituto (Foto: Viola Júnior)
Não só filhos de cafeicultores ou agrônomos, mas alunos de diversas áreas procuram o curso no instituto (Foto: Viola Júnior)

O aluno Peterson Rocha da Silva, da cidade de Juruaia, vem de uma família tradicional de cafeicultores, e enaltece a oportunidade de estar aprendendo situações que, em outros tempos, não conseguiria sem o curso.
“Hoje nós não dependemos mais da contratação de um engenheiro agrônomo para atividades como análise de solo, fertilidade. Hoje sou eu quem indico isso para o meu café”, conta o estudante.

Interessados em fazer o curso de tecnólogo de café podem se inscrever para o vestibular do 2º semestre do IF de Muzambinho, que está com inscrições abertas. A inscrição pode ser feita pelo site da instituição. O valor é de R$ 50. Os campi do instituto vão disponibilizar computadores com internet para candidatos que não têm acesso.

Fonte: G1 Sul de Minas (Por Viola Júnior)

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