Curso de classificação e degustação de café nivela conhecimentos no sul de Minas

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Conhecimentos podem trazer melhorias e benefícios para a cadeia produtiva do café. Com essa meta e de olho no mercado, que busca cada dia mais café de qualidade, as cooperativas Cooxupé (Cooperativa dos Cafeicultores em Guaxupé) e Cocapec (Cooperativas de Café e Agropecuaristas), em parceria com o Senar Minas, buscam a capacitação de seus associados na classificação e degustação do café.

Desde 2014 várias turmas foram capacitadas, e esta formação irá se refletir no manejo e comercialização do produto da atual safra. Segundo o instrutor Marcelo Duque, com esse trabalho o produtor conhece a qualidade do seu café, a bebida que ele origina e as possíveis falhas do manejo. “O produtor precisa conhecer melhor o seu produto”, orienta.

Conhecendo melhor o seu produto, cafeicultores podem melhorar o manejo a fim de incrementar seus lucros

De acordo com o gerente do Núcleo da Cooxupé em Cabo Verde, Humberto de Souza Moraes, a capacitação dos produtores contribui para mudanças. Ele ressalta que muitos cafeicultores acreditam que estão conduzindo o manejo adequadamente, mas, durante o curso, observam que as suas falhas estão no terreiro do café. “Com o curso de classificação e degustação o produtor consegue manter a qualidade que está no pé do café, pois somente ele é o responsável pela bebida. O mercado busca cada vez mais cafés de qualidade e quem o tiver terá retorno financeiro”.

Humberto ainda ressalta que este é um trabalho de formiguinha, já que as turmas são pequenas, no máximo 12 pessoas, e que não é possível realizar muitos cursos ao longo do ano. “A luta da cooperativa está em trazer os produtores para o curso, que muitas vezes não conseguem ter uma semana livre para participarem da capacitação”. Nos últimos dois anos foram realizados nove cursos no seu núcleo.

Para a gerente do núcleo da Cocapec em Ibiraci, Joana D’Arc Pires Lemos da Silva, o associado percebe a diferença do seu café ao conhecer os resultados de uma bebida de qualidade e uma bebida sem qualidade. “Os que fazem o curso conseguem eliminar as dúvidas sobre a qualidade do café e esse conhecimento facilita o trabalho do produtor e da cooperativa”, ressaltou.

Experiências

O produtor Gustavo Teodoro de Souza, de Ibiraci, participou do curso e constatou que conhecia o básico da produção até levar o café para o terreiro. Depois dessa fase não sabia mais todas as técnicas para manter a qualidade dos grãos. Neto e filho de cafeicultores, Gustavo aprendeu o manejo da cultura automaticamente, com seus familiares.

Gustavo afirma que a capacitação agrega conhecimento, provoca mudanças e traz condições para se ter um produto melhor com os cuidados essenciais no manejo, principalmente nessa safra com a incidência maior de chuvas, o que demanda mais cuidados com os frutos no terreiro e secagem dos grãos.

Em Cabo Verde, o cafeicultor Sebastião Leandro Neri, destaca que, para se ter um café de qualidade, é preciso uma somatória de detalhes que garantem a qualidade do produto, e que através do curso do Senar é possível observar melhor o passo a passo do manejo.

Como exemplo ele destaca os pequenos grãos esquecidos no terreiro ou nas carretas e que fermentados prejudicam a amostragem dos lotes. “A bebida do café não é matemática. Um grão fermentado pode prejudicar a amostragem de um lote. Ao conhecer esses detalhes, implantamos mudanças no manejo em busca de melhores resultados. Não existe atividade mecânica nesse negócio, é preciso observar cores e aromas – e esses fatores aprendemos com a capacitação. Eu considero os cursos do Senar muito importantes, pois nos qualifica para sabermos o que estamos fazendo”, concluiu Sebastião.

Fonte: Senar Minas (Denise Bueno)

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