Crise da COVID-19 suspende mais de 500 feiras e eventos de negócios

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Os próximos dias seriam de festa, com a presença de milhares de visitantes, e de muitos negócios em Uberaba, no Triângulo Mineiro, durante a Exposição Internacional de Gado Zebu (Expozebu). Contudo, foi necessário suspender o evento, um dos maiores do agronegócio no Brasil, que seria aberto no último sábado e prosseguiria até 3 de maio, devido ao isolamento social, medida adotada contra a propagação do novo coronavírus. A situação se repete em outros lugares. A pandemia da COVID-19 provoca efeitos devastadores na economia com a suspensão de grandes eventos no estado e no país.

O agronegócio é o setor mais afetado com o cancelamento ou adiamento de feiras e eventos de negócios, mas outras áreas sofrem, como a indústria da moda, os pequenos negócios, resultando em prejuízos difíceis de ser calculados no momento. Somente na agropecuária, pode chegar a 500 o número de eventos cancelados em Minas Gerais, em razão da quarentena. O balanço é da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg).

O diretor técnico da entidade, Altino Rodrigues Neto, lembra que, tradicionalmente, são realizados no estado em torno de 4 mil eventos do agronegócio por ano. A maioria deles ocorre entre abril e agosto – quando são realizados, em média, mais de 500 feiras e encontros mensais. “Com o isolamento social, foi limitada a quantidade de 30 pessoas nos encontros. Somente os organizadores das feiras chegam a esse número”, comenta o diretor técnico do sistema Faemg,

Rodrigues Neto disse que ainda não há estimativa dos prejuízos diante da suspensão dos leilões e vendas diretas de animais nas feiras agropecuárias. Relatório do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) aponta que, desde o inicio da crise do novo coronavírus, houve queda de 70% na comercialização de bovinos para cria e recria no estado. Redução significativa de preços de suínos e aves também é considerada nessa análise.

Expozebu em Uberaba: nova data de uma das maiores exposições do agronegócio no Brasil deverá ser definida em maio (foto: Flickr/ABCZ)

Por causa da pandemia da CODIV-19, a Expozebu, maior exposição zebuína do mundo, pela primeira vez na história, teve uma edição suspensa desde que começou a ser realizada, há 85 anos. Ainda no mês de março, após a chegada da doença respiratória no Brasil, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), responsável pelo evento, anunciou o adiamento, devido às medidas de isolamento social e ao objetivo de garantir “mais segurança e tranquilidade ao público, aos expositores e patrocinadores do evento”. Na mesma ocasião, a entidade comunicou que nova data seria divulgada “tão logo seja estabelecido o cenário futuro”.

Procurada nesta semana, a diretoria da associação informou que a nova data deverá ser definida no começo de maio. A instituição evitou falar em prejuízos. Em 2019, a Expozebu recebeu cerca de 280 mil pessoas no Parque Fernando Costa, em Uberaba. O evento movimentou R$ 49 milhões com a comercialização de animais, de acordo com números divulgados pelos organizadores.

Outro evento atingido pela pandemia do coronavírus é a tradicional Festa Nacional do Milho (Fenamilho) de Patos de Minas, no Alto Paranaíba. O tesoureiro do Sindicato Rural de Patos de Minas, Damião Borges da Silveira, disse que devido à pandemia, não será possível realizar a Fenamilho/2020 no período inicialmente previsto, de 5 a 14 de junho e que ainda não foi decidido se a festa será adiada ou cancelada.

Silveira afirmou que não trabalha com projeções sobre perdas decorrentes de eventual cancelamento. O evento tem previsão de gerar 400 empregos diretos e atrair público de 400 mil pessoas. Foram contratados grandes shows de artistas nacionais, a exemplo dos sertanejos Luan Santana, Gustavo Lima e Jorge & Mateus.

Vários shows de artistas nacionais também estavam programados para a 39ª Exposição Agropecuária Regional de Janaúba (Expôjanaúba), no Norte de Minas, que seria realizada de 5 a 14 de junho, e já foi cancelada por causa da pandemia. “Não temos como estimar prejuízos porque o evento mexe com a economia da cidade: lojas, hotéis, postos de gasolina, salões de beleza e outros prestadores de serviços”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Janaúba, José Aparecido Mendes.

A entidade prevê investimento de R$ 3 milhões na realização do evento. A contratação de shows envolveu R$ 1,5 milhão e são esperados 250 mil visitantes. O Sindicato Rural de Janaúba deu início à devolução do dinheiro para os consumidores que compraram “passaportes” para os shows. O prazo para pedir o ressarcimento vai até 30 de setembro.

Cafeicultura

Vários eventos ligados à produção de café foram também cancelados. Um deles é a 23ª Feira Nacional da Cafeicultura Irrigada (Fenicafé), que seria realizada de 17 a 20 do mês passado, em Araguari, no Triângulo. O evento reuniria mais de 20 mil pessoas de mais de 100 cidades brasileiras e a expectativa era de que movimentasse contratos de mais de R$ 30 milhões.

Segundo a analista de Negócios do Sistema Faemg Ana Carolina Alves Gomes, foram feitos cancelamentos de eventos em outras cidades de Minas, como Varginha e Três Pontas, no Sul do estado, grande região cafeeira. “O cancelamento dos eventos trouxe impacto significativo porque eles ocorreriam antes da colheita do café, período em que o produtor se prepara para a safra, se atualiza e conhece as novidades tecnológicas”, observa.

Pequenos

O Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae Minas) informou que, em decorrência das medidas de isolamento social adiou alguns eventos de grande porte, como o Reload (seminário de marketing digital), que estava programado para este mês, em Belo Horizonte. O analista do Sebrae Minas Vinicius Quintão lembra que o cancelamento de eventos comerciais gera impactos “não apenas sobre a redução de vendas e contratações diretas, mas também pela não exposição das marcas e redução de interação entre empresas”.

ADIADOS
» Expô Itajubá, em Itajubá
» Expomonte, em Monte Alegre de Minas
» Expozebu, em Uberaba
» Feira de Alimento e Gastronomia, em Uberaba
» Feira do Agronegócio da Agricultura Familiar do Vale do São Francisco, em São Francisco
» Femec, em Uberlândia
» Feneagro, em Governador Valadares
» Fenicafé, em Araguari
» Simpósio de Cafeicultura das Matas de Minas, em Manhuaçu

Indústria da malha conta perdas

Afetados pelas regras da quarentena, eventos e feiras podem ter cancelado mais de 500 edições em Minas, com alto prejuízo do agronegócio à moda (foto: ACIJ/Divulgação)

O inverno é a época de realização das grandes feiras de malhas e de moda em geral, por ser o período de aquecimento das vendas e propício para o lançamento das novas coleções. Mas, neste ano, com a “quarentena” do coronavírus na chegada da estação, em vez de lucros, o setor vislumbra grandes prejuízos com a suspensão e adiantamento de eventos e redução das vendas.

O clima de apreensão e de perdas é vivido em Jacutinga, cidade do Sul de Minas conhecida como a capital nacional das malhas. Devido à pandemia da COVID-19, foi suspensa a 43ª Feira das Malhas de Jacutinga, a FestMalhas, previstas para 5 a 21 de junho. O presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Jacutinga (Acij), Eliseo Fávaro Junior, disse que a entidade ainda vai decidir se realizará a edição da feira em outra data neste ano, o que depende da “curva” do coronavírus no estado.

Se a nova data não puder ser cumprida, o evento será cancelado. “O impacto financeiro de um cancelamento será muito grande. A FestMalhas é a maior feira de malhas do tricô retilíneo do país”, ressalta o empresário, lembrando que, durante os dias do evento Jacutinga recebe cerca de 180 mil pessoas – mais de sete vezes a população da cidade (de 25,4 mil habitantes), movimentando bares, restaurantes, pousadas, hotéis e outros estabelecimentos do comércio local. Cancelar a FestMalhas representa perda de faturamento de R$ 6 milhões. O município conta com mais de 1 mil indústrias de malharia, que empregam em torno de 10 mil pessoas.

A situação é semelhante em Monte Sião (23,8 mil habitantes), também no Sul do estado, na divisa com São Paulo), onde, no período de 6 a 21 de junho seria realizada a 45ª Feira Nacional do Tricô (Fenat). O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Prestação de Serviços do município, João Tadeu Dorta Machado, informou que ate o início de maio vai definir pela realização ou não do evento em 2020.

Machado afirma que se o isolamento se entender, terá que cancelar a Feira de Tricô. “Se passar de julho, a realização da feira perde o sentido”, disse Machado. O evento visa divulgar a nova coleção e aproveitar o inverno para o incremento das vendas. A grande importância da feira é que ela serve para o lançamento das novas coleções do outono/inverno, tendo efeito de divulgação como um showroom da cidade, observa.

Na mesma região, foi adiada a 23ª Feira da Moda Íntima e da Lingerie de Juruaia, que estava marcada para o período de 30 deste mês a 2 de maio, com a expectativa de mais de 20 mil visitantes e gerar cerca de R$ 20 milhões em negócios. A cidade é conhecida como a capital da lingerie. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju), José Antonio da Silva, informou que a nova data será divulgada após reunião com os expositores.

Fonte: Estado de Minas

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