Cooxupé projeta safra de qualidade para 2017

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A produção elevada de café em 2016 fez com que a Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé), localizada no Sul de Minas, recebesse um volume 21% maior do grão. Ao todo, foram entregues pelos cooperados e comprado de terceiros 6,2 milhões de sacas de 60 quilos, ante as 5,1 milhões de sacas registradas em 2015. A safra passada foi marcada pela alta qualidade e melhores preços para os cafeicultores. Para 2017, ano de bienalidade negativa do cafeeiro na maior parte das regiões produtoras, o clima, até o momento, está favorecendo a formação de uma safra de qualidade.

De acordo com o superintendente comercial da Cooxupé, Lúcio de Araújo Dias, em 2016, a demanda pelo café, principalmente no mercado interno, se manteve em alta, fazendo com que a cooperativa buscasse maior volume com outras cooperativas e produtores que não são associados.

“Tivemos uma compra importante de café de terceiros no exercício para ter volume e atender à clientela. Quando não recebemos o volume esperado do produtor associado vamos ao mercado e compramos o suficiente para atender a demanda”.

O café entregue à Cooxupé é produzido nas regiões Sul e Cerrado de Minas Gerais e na Média Mogiana, em São Paulo. Segundo Dias, a produção apresentou boa qualidade e o maior volume foi proveniente do Cerrado.

“A produção de café em 2016 foi marcada pela boa qualidade. Recebemos dos produtores do Cerrado um volume maior este ano. No Sul de Minas, o volume foi menor porque as áreas mais altas do Sul, onde estão concentrados importantes municípios, estavam em período de bienalidade negativa. Neste ano, a tendência é que estes municípios que tiveram uma produção baixa colham um volume maior”, disse Dias.

Para a safra 2017, a expectativa é de uma safra de alta qualidade, mas a concretização ainda dependerá das condições climáticas. Dias explica que, por enquanto, o clima está bastante favorável para o desenvolvimento do café.

“Em dezembro e início de janeiro tivemos um período bem chuvoso e a produção está bem melhor que nos anos anteriores. Voltamos a ter os velhos janeiros com bastante chuva. Nesta época, se faltar chuva, para o café é muito ruim, porque ele não cresce e não grana, como aconteceu em 2014 e 2015”.

O maior volume de cafés recebidos pela Cooxupé foi necessário para atender à demanda do mercado. A quebra da safra do café conilon, no Espírito Santo, fez com que a demanda da indústria nacional ficasse maior. Além disso, Dias também acredita que o consumo do café no mercado interno foi maior em 2016. No mercado doméstico, as negociações da Cooxupé cresceram 27%, com a venda de 1,8 milhão de sacas no Brasil, frente ao volume de 1,4 milhão alcançado em 2015.

“Houve uma ampliação grande no mercado interno, em função da quebra da safra de conilon. Muitas indústrias utilizaram o arábica para a produção de blends ao invés do robusta. Acredito que esta mudança também favoreceu o consumo, já que o café arábica é mais saboroso e incita o consumidor a beber mais xícaras. Por isso, tenho a impressão que o consumo cresceu bastante, mesmo com os preços mais altos, porque a qualidade melhorou sensivelmente. O consumidor brasileiro é extremamente exigente, se você coloca um café de qualidade as vendas explodem”.

Com a demanda em alta, os preços praticados no Brasil foram lucrativos. De acordo com Dias, a saca de café foi negociada, em média, a R$ 500. O valor mais alto fez com que o mercado nacional ficasse mais interessante e parte do volume que seria destinado às exportações foi negociado internamente.

Embarques recuaram 19,6% no ano passado

Para o mercado internacional, a Cooxupé exportou 3,923 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 19,6% frente as 4,88 milhões de sacas exportadas em 2015. Os principais compradores do café são a Alemanha, Argentina, Bélgica, Estados Unidos, Itália e Japão.

“Dois fatores contribuíram para a queda nas exportações. O primeiro foi que os embarques de café no primeiro semestre de 2016 ficaram menores em função da produção também menor em 2015, o que interferiu nos resultados do ano. Como a produção de café em 2016 foi maior, os resultados do primeiro semestre de 2017 tendem a ser melhores. Além disso, o consumo interno pagou mais pelo café do que outros países”, avalia o superintendente comercial da Cooxupé, Lúcio de Araújo Dias.

Dias destaca que os estoques de café disponíveis para a venda estão bem limitados, o que vem sustentando os preços, e o cafeicultor esta sabendo negociar a safra de forma lucrativa. “O cafeicultor está muito cauteloso e escolhendo o melhor momento para vender o café. Estão sendo exímios operadores de mercado, o que é muito bom”, disse.

Fonte: Diário do Comércio (Michelle Valverde) via FAEMG

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