Cooxupé pode reavaliar safra de café; chuva preocupa produtor

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A colheita de café na área de atuação da Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do mundo, no sul de Minas Gerais, atingiu até o momento cerca de 10 por cento do total projetado e indica volumes menores do que os previstos, o que pode levar uma redução nas estimativas de produção na atual safra 2013/14.

A afirmação é do presidente da Cooxupé, Carlos Paulino da Costa, que avalia que a produtividade tem sido menor que a esperada por conta de um tempo excessivamente quente em dezembro e janeiro. Ele também disse estar preocupado com o efeito das recentes chuvas para a qualidade do café.

A área de atuação da Cooxupé, no Sul de Minas e Cerrado Mineiro, tem expectativa inicial de colheita de 8,5 milhões de sacas de 60 kg, o que já seria uma queda de 15 por cento na comparação com a temporada passada, em função de o ciclo atual ser o ano de baixa produtividade na bianualidade do café arábica. Mas as colheitas iniciais, de grãos "muito miúdos", indicam a possibilidade de uma produção ainda menor.

"Vai dar menos, tem um ponto de interrogação. Precisamos de uma avaliação melhor. Iria haver uma quebra de 15 por cento em relação ao ano passado, pode ser pior do que isso", afirmou ele à Reuters nesta quarta-feira, acrescentando que, conforme a colheita avança, será possível uma projeção mais detalhada.

O volume de café estimado para as regiões da Cooxupé representa 17,5 por cento da produção prevista para o país pelo Ministério da Agricultura, de 48,6 milhões de sacas de 60 kg, a maior safra para um ano de baixa do arábica.

Carlos Paulino citou um teste feito esta semana na cooperativa para exemplificar a menor produtividade. No ano passado, disse ele, para se obter 100 gramas de café eram necessários 740 grãos. Neste ano, para o mesmo volume foram necessários 900 grãos do produto que já entrou na cooperativa. "Pelo tamanho dos grãos, precisaremos de mais grãos para encher uma saca", explicou.

Até o momento, a cooperativa recebeu aproximadamente 100 mil sacas de café da safra nova, um volume ainda pequeno ante as mais de 4 milhões de sacas com potencial de receber este ano. Os recebimentos se intensificam a partir do agosto e setembro, quando os produtores já conseguiram formar maiores volumes para entregar nos armazéns.

CHUVAS AFETAM QUALIDADE

Chuvas acima da média para o mês de junho em algumas áreas produtoras do Brasil, incluindo o sul de Minas Gerais, estão preocupando os cafeicultores, uma vez que já afetam a qualidade do produto. E previsões de mais precipitações aumentam o alerta do setor produtivo, que teme a repetição de uma situação vista no ano passado.

"Parece que está repetindo o que aconteceu no ano passado, começou a chover e vai piorar a qualidade. Prejudica um pouco a qualidade, derruba o café…", comentou Carlos Paulino.

No entanto, ele lembrou que as chuvas foram mais intensas, no ano passado, ao final de junho.

"Está menos mau do que o ano passado, não está normal… A nível de Brasil, ela (a chuva) é preocupante, mas não representa perigo de atrapalhar. Ano passado ela (a safra) ficou prejudicada por conta da chuva", disse.

As recorrentes chuvas desde a segunda quinzena de maio estão afetando a qualidade do café da safra 2013/14, alertou a Somar Meteorologia na terça-feira, destacando problemas para a produção do café "cereja", de alta qualidade.

"Sobre o cereja, ela (Somar) tem razão, com a chuva adianta a maturação. Prejudicou o tipo de café… Cada chuva, o que poderia ser um futuro cereja descascado, passa a ser café boia."

Os produtores conseguem preços mais altos para os cafés de melhor qualidade, mas o presidente da Cooxupé observou que o mercado atual não estimula muito essa produção, uma vez que é pequena a diferença entre os melhores produtos e aqueles não tão bons.

Segundo ele, o café de boa qualidade está cotado a 285 reais por saca, enquanto o de baixa vale 245 reais por saca. O produtor lembrou que a commodity, que está oscilando perto do menor nível em quase quatro anos na bolsa de Nova York, é cotada no Brasil abaixo do preço mínimo de garantia do governo, de 307 reais por saca.

O indicador diário Cepea/Esalq, que mede os preços do arábica no mercado interno à vista, fechou a 283,12 reais por saca na terça-feira.

Carlos Paulino disse que mercado está "muito parado e produtor não está vendendo", enquanto aguarda programas do governo de apoio ao preço.

Fonte: Reuters

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