Cooxupé aposenta sacaria e economiza R$ 18,5 milhões por ano

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Após quatro anos de investimentos da ordem de R$ 100 milhões em armazéns, silos, maquinário e aquisição de bags, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa do setor do mundo, praticamente eliminou o uso de sacos de 60 quilos para carregar e armazenar o café. Agora, além de mecanizar todo o processo de recebimento, armazenagem e preparação dos grãos, a Cooxupé economiza R$ 18,5 milhões por ano, que antes eram desembolsados na aquisição ou recuperação de cerca de 5 milhões de sacas anualmente.

A decisão foi tomada pela diretoria da entidade há quatro anos, com o estímulo e o aval de seus quase 12 mil cooperados. Como o setor cafeeiro é formado majoritariamente por pequenos produtores e a maioria deles com mais de 50 anos, eram recorrentes as queixas dos cooperados por terem de carregar pesados sacos de café na hora de levar a produção para as unidades da Cooxupé. 

Do lado da cooperativa, era cada vez mais difícil continuar fazendo, de forma manual, o transporte e o empilhamento das sacas recebidas. "Tínhamos dificuldade em contratar pessoas para fazer o trabalho. Havia muitos afastamentos de funcionários por questões de saúde e a legislação trabalhista ficou mais restritiva quanto à altura da pilha de sacos, exigindo medidas de segurança para os trabalhadores", disse ao Broadcast o presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino da Costa.

Já no primeiro ano de mudanças, 50% dos associados deixaram de lado a sacaria. Agora, somente 3% ainda a utilizam. A Cooxupé aplicou os R$ 100 milhões na compra de mais de 151,4 mil big bags (capacidade de 1.200 kg cada), 50 silos, construção de três armazéns, maquinário para a separação dos grãos por cor, tamanho e densidade – um trabalho antes desempenhado manualmente por mulheres. Dos 50 silos, 30 têm capacidade para armazenar o volume de 30 mil sacas cada (1,8 mil toneladas) e 20, para 50 mil sacas (3 mil t de café). "Os associados tiveram de fazer pouco investimento", explica o presidente da Cooxupé.

Depois da mudança, a maioria dos produtores passou a levar seu café para a Cooxupé a granel (caminhões ou outros meios de transporte). Nem 10% deles, segundo Paulino da Costa, adota as big bags em sua propriedades. "A mudança aconteceu de forma espontânea. E cada um traz o produto do jeito que quiser", diz o presidente.

Na Cooxupé, o processo interno mudou bastante. Agora, os grãos são descarregados dos caminhões, ensacados nas big bags e levados para os armazéns com a ajuda de empilhadeiras mecânicas. Quando a venda para a cooperativa é autorizada, o café é transferido por dutos para um silo. Posteriormente, será preparado para a comercialização, de acordo com as exigências do mercado de destino (interno ou externo). Grãos verdes, médios e graúdos são separados por máquinas e os maiores, destinados à exportação. A cooperativa conta com capacidade de armazenagem para 328 mil toneladas, 55,4% em big bags e 44,65% em silos. Em 2014, foram recebidas 300 mil t, das quais 276 mil foram comercializadas (o restante é estoque de cooperados). Deste volume, 80% seguiu para exportação.

Além de resolver o problema da falta de pessoal e gerar economia com os sacos, a mudança trouxe também agilidade no processo de carregamento dos caminhões. Se antes este trabalho era feito por seis funcionários e demorava 48 minutos, agora fica a cargo de uma única pessoa (que controla o maquinário) e é realizado na metade do tempo.

Ao longo de 2015, a cooperativa vem dando continuidade aos investimentos para receber e armazenar de forma mecanizada a produção dos cooperados. A meta para 2015 é elevar o volume total recebido para 312 mil t. Já na próxima semana devem ser inaugurados um armazém no núcleo de Nova Resende e um no de Serra de Salitre, em Minas Gerais. Também serão concluídas neste ano as instalações de cinco silos nos núcleos de Monte Carmelo e três no de Rio Paranaíba.

"Ao todo, serão R$ 40 milhões investidos em 2015. Vamos definindo as obras de acordo com a pressão de entrega (dos cooperados) e de suas dificuldades", disse Paulino da Costa. Das 35 unidades da Cooxupé, 17 são núcleos dotados de estrutura de armazenamento e loja de insumos. Destes, dez têm condições para receber grãos tanto a granel como em big bags. "Estamos abrindo mais filiais, então não para nunca", complementou.

Fonte: Agência Estado (Clarice Couto) via CNC

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