Cooperativas buscam mercado externo por falta de armazéns

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Mesmo após investirem cerca de R$ 150 milhões em armazenagem de grãos nos últimos anos, as cooperativas catarinenses ainda têm um déficit de 40% na capacidade de estoque da produção. Aliado ao incremento de receita, este é o principal fator que leva o setor a apostar nas exportações.O presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, afirma que em Santa Catarina, a atual capacidade de armazenamento de cereais é de pouco mais de quatro milhões de toneladas para uma produção estadual que totaliza 6,5 milhões.

Ao DCI, o executivo conta que a Aurora consegue estocar cerca de 60% da safra, quando o ideal, para ele, seria 120%. "Isso nos tira competitividade. Sem armazéns adequados temos que vender durante a safra, quando o preço normalmente está mais baixo. Não conseguimos esperar o melhor momento do mercado", explica. Neste ano, 27% da produção da cooperativa será destinada à exportação. Estima-se que o faturamento bata R$ 7,4 bilhões, contra R$ 6 bilhões registrados em 2014. No entanto, Lanznaster destaca que o lucro líquido deve cair 2%, em função do aumento de custos.

Ação pública
Questionado sobre o tema, o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, diz que o governo federal está preocupado com a falta de locais para estoque, tanto que estão sendo reformados dez armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Nos locais onde a iniciativa privada não tem condições de fazer, o governo está empenhado em construir", acrescenta. Um dos estados onde haverá uma nova unidade pública é Santa Catarina.

Quando o assunto é iniciativa privada, a discussão se volta para o crédito rural. Nas temporadas de 2013/2014 e 2014/2015, o Ministério da Agriculturadisponibilizou R$ 3,5 bilhões para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), a juros de 4% ao ano, pelo Plano Safra. No ciclo de 2015/ 2016, o montante caiu para R$ 2 bilhões e a tarifa subiu para 7,5%. Rocha lembra que a maior parte dos financiamentos do PCA são tomados pelas cooperativas.
"Estamos usando a verba que o governo destinou para fazer isso. Mesmo assim, o Brasil precisa investir, seja através da armazenagem ou das cooperativas", comenta o presidente da Aurora.
Para este segmento, o Plano Safra mantém o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop) que nesta temporada terá R$ 1,6 bilhões em recursos, a juros de 8,75 ao ano. Na safra passada, o aporte era de R$ 2,1 bilhões a 6,5% de taxa.

Ganho de receita
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que nos últimos dez anos as exportações agropecuárias de cooperativas mais que dobraram. Entre os meses de janeiro e junho de 2005, foram embarcados US$ 1,02 bilhão. No mesmo período de 2015, o faturamento saltou para US$ 2,79 bilhões.

O analista econômico da Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB), João José Prieto Flávio, acredita que essa capacidade de penetração no mercado externo deve aumentar gradativamente com a prospecção de novos importadores. "Outro ponto importante é a ação do governo para a efetivação de acordos comerciais bilaterais", destaca.

O ponto positivo é que, com o dólar em alta e o momento de recessão na economia nacional, exportação significa incremento de receita.

A Cocamar Cooperativa Agroindustrial, sediada em Maringá (PR), tem foco no consumo interno, porém, 10% do faturamento virão do mercado externo.

A receita total da cooperativa está estimada em R$ 3,110 bilhões, contra os R$ 2,850 bilhões marcados no ano passado. O Paraná foi o maior estado exportador de produtos agropecuários no primeiro semestre de 2015. "Em 2014, as vendas externas deram um salto em comparação a 2013. Os volumes somaram US$ 144 milhões, contra US$ 99 milhões do ano anterior.

A tendência é que os negócios continuem evoluindo em 2015 e cresçam em torno de 10%. A Cocamar embarca basicamente farelo de soja. O suco de laranja é distribuído ao varejo na Europa com a chancela do Mercado Justo, um segmento voltado a consumidores que priorizam produtos sustentáveis e que está em expansão no mercado internacional", afirma a cooperativa por meio de nota.

Preços internacionais
No primeiro semestre deste ano o produto mais exportado foi o café em grão, que gerou receita de US$ 504,4 milhões. Em Minas Gerais está a maior unidade cooperativista do mundo no setor, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). O presidente, Carlos Alberto Paulino, disse ao DCI que a questão da armazenagem não é problema e a busca pelo mercado internacional acontece por ter mais liquidez de venda.

A preocupação está no nível de estoques existentes, que estão cada vez menores. Além disso, os preços da commodity estão inferiores aos praticados no ano passado. A média de valor passou de R$ 500 por saca de 60 quilos para R$ 420.

"A produção pode não ser suficiente para atender o consumo nacional e a demanda de exportação. Isso favorece o aumento de preço, mas a movimentação depende do andamento dos indicadores da bolsa lá fora. Todas as commodities estão sendo comercializadas a preços menores", comenta Paulino.

A expectativa é que a Cooxupé exporte de 3,8 a 4 milhões de sacas em 2015.

Fonte: DCI

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