Cooperados da Unicoop entram no mercado de cafés especiais

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Ainda em época de crise do setor cafeeiro, novas alternativas que beneficiam os produtores são sempre bem vindas. O mercado de cafés especiais ou finos está em crescimento em todo mundo e é uma opção. E é nesse nicho de mercado que a União Cooperativa Agropecuária Sul de Minas Ltda. (Unicoop) investe para ajudar seus cooperados. Esta semana, representantes da multinacional Syngenta, produtores e diretores da cooperativa, estiveram reunidos para falar sobre o tema. A possibilidade de comercializar a saca de café pelo preço de R$600,00 animou os cooperados presentes.

A reunião foi na quinta-feira, 08, no auditório da Unicoop. O representante da Syngenta e engenheiro agrônomo, Alysson Troost, e o gerente comercial da Agrogarcia, representante da multinacional em Três Pontas, Eduardo Reis Chaves, juntamente com a consultora do Departamento de Cafés Especiais da Unicoop, Carmem Lúcia Chaves de Brito, e do gerente comercial, Paulo Roberto Moreira Campos, discutiram opções para os primeiros cooperados que poderão ser beneficiados com o comércio dos cafés especiais.

Para Alysson, o comércio desse tipo de café para o produtor é extremamente viável. “O cafeicultor começa a trabalhar com o quesito qualidade e passa a buscar no mercado um real valor, uma real precificação do produto originado do seu trabalho. E conforme a qualidade do produto, quanto mais excêntrica a bebida, há sim uma diferenciação na comercialização ou troca por defensivos agrícolas, uma modalidade que a Syngenta trabalha através do projeto Nucoffe junto dos produtores”.

O nome Nucoffe significa a abreviatura moderna da expressão “new coffe”. Ou seja, é uma forma diferente de se pensar na cadeia produtiva do café. Uma ideologia adotada pela Syngenta para trabalhar o produto de forma simples, humana e transparente. O representante da Syngenta disse que com esse trabalho, a multinacional ajuda o produtor, oferecendo a troca do café por produtos, e também contribuindo para a comercialização do excesso no mercado internacional.

“Poderemos estar ajudando o produtor a trabalhar esse excedente aproveitando a rastreabilidade e histórico do café. Ele veio do Brasil, Minas Gerais, Três Pontas, passou pela Unicoop e veio de tal propriedade. Ao mesmo tempo que o produtor recebe um histórico de quem comprou, para onde ele foi exportado, onde está sendo consumido, o comprador também sabe da origem do produto. Ambas as partes estão sabendo o destino do café. E essa conexão do café facilita muito para o produtor comercializá-lo”.

Entre alguns fatores considerados para que a bebida seja considerada especial estão o não uso de alguns defensivos e alguns fatores. “Um café de qualidade hoje é trabalhado dentro do padrão da SCAA (Specialy Coffe Association of Amercia), uma associação que trabalha em nível mundial com padrão de qualidade do café. São considerados fatores como, aroma, fragrância, acidez, entre outros quesitos. Até mesmo a preferência da pessoa que está naquele momento provando ou fazendo a degustação daquele café”, explicou Alysson.

Ele disse ainda que o consumo de café é crescente tanto no mercado interno quanto no externo. “Principalmente pelo público adolescente, que busca esses cafés diferenciados. Hoje o adolescente vai a uma cafeteria atrás desses cafés com essências específicas. E é nesse nicho mercadológico que estamos trabalhando, de levar esses produtos brasileiros para o mercado exterior. Estados Unidos e Japão são os principais mercados consumidores atualmente”.

O cooperado, Flávio de Figueiredo Gomes, é um dos primeiros a ser beneficiado com a ação do Departamento de Cafés Especiais da Unicoop. Dentro da safra colhida por ele foram selecionadas amostras que renderam 160 sacas com padrão especial. Produto que antes era comercializado diluído no meio do café comum. “Investir em qualidade acho que sempre vale à pena. Mas cada produtor tem que fazer o investimento de acordo com sua situação também, até mesmo para não se endividar mais. E nessa hora é fundamental o papel da cooperativa. O produtor já tem suas ocupações na produção da porteira para dentro de sua propriedade. E muitas vezes, não tem uma estrutura física ou econômica para assumir o lado comercial. E a cooperativa é mais organizada nesse sentido”.

Para ele, a produção cafeeira que seja viável para o produtor no país caminha nesse sentido. “No Brasil temos uma tendência de exigir cada vez mais qualidade, não só na cafeicultura, como em todos os setores. E sem dúvida o mercado tende cada vez mais no sentido de produzir cafés com maior qualidade. Isso já é uma realidade reconhecida principalmente no mercado internacional e é bom para nós produtores”.

Para o casal de cooperados, César Campana e Carla Campedelli Machado, esse tipo de ação da cooperativa só tende a valorizar o café e o produtor. Da produção deles foram selecionadas amostras que renderam 30 sacas de cafés especiais. “É uma forma de buscar qualidade sempre, de premiar todo trabalho da cadeia cafeeira. E a Unicoop realiza esse trabalho de vanguarda e sai na frente buscando o melhor para seu cooperado, o cafeicultor, que tem sofrido muito nos últimos anos”, falou César.

Para o representante da Syngenta, o apoio das cooperativas é muito importante para o sucesso do mercado de cafés especiais. “A administração da Unicoop percebeu que se buscarem trabalhar e incentivar a produção de cafés especiais estarão agregando valor aos cooperados. Esse trabalho vem sendo feito com alguns produtores que já começaram a comercializar esses cafés. Eles conseguiram enxergar também no exterior um mercado diferente, que valoriza seu produto. E agora, buscam com a Syngenta e seus distribuidores, parcerias mais sólidas para atingir esses mercados”.

Investimentos que compensam

O gerente comercial da Unicoop, Paulo Roberto Moreira Campos, explicou que o Departamento de Cafés Especiais da cooperativa já existia, mas que foi efetivado apenas este ano com apoio da diretoria e de alguns parceiros. Para ele, a falta de incentivos à política cafeeira é que desperdiça todo potencial da produção dos cafés especiais. “O produtor ficou muito desiludido nos últimos 10 anos, período em que o custo de produção esteve acima do valor de venda no mercado, ou seja, só trabalhando no vermelho. Até que começou a aparecer esse mercado de cafés especiais”.

Na opinião dele, vale à pena investir. “É uma área que cresce no mundo em torno de 10% a 12% ao ano, enquanto que do café comum cresce 3%. Hoje é necessário premiar a qualidade. E o diferencial de um café especial é grande. Ele pode representar até 35% de valor a mais no mercado. E você além de agregar valor, começa a mostrar para o mundo nossa região. O Sul de Minas, a região de Três Pontas, que tem cafés em potencial que nunca foram valorizados. E estamos correndo atrás dessa valorização”.

Moreira disse ainda que como cooperativa em Três Pontas a Unicoop é pioneira. Mas que há algum tempo, produtores já investem nos cafés especiais. “A mais de cinco anos cafeicultores já investem nos cafés especiais. Mas apenas aqueles que trabalham de forma independente. Muitas vezes o produto deles nem passam pela cooperativa ou quando passa é apenas para uma preparação. Esses produtores independentes repassam o produto direto para os clientes no exterior e com benefício de valorização”.

O gerente defende também o apoio de parceiros como a multinacional “Nesse nicho de microlotes que a Syngenta trabalha no exterior acredito que o produtor só tende a ganhar. Quem tem o café disponível para troca consegue um valor alto, na casa dos R$600,00 por saca. É um prêmio. Já na venda comum do produto é muito difícil de alcançar um valor como este. Para se ter uma idéia, um dos melhores preços conseguidos por cooperados em nossa cooperativa foi de R$450,00 a saca. E Três Pontas tem muito potencial para o mercado de cafés especiais. A maioria do café da região é bom. Basta ser mais trabalhado”. 

* André Silva Rosa

Fonte: Jornal Correio Trespontano

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