Consumo de café atinge 64% no mercado americano

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Por Rodrigo Costa*

Rodrigo Correa da Costa - ArcherO mercado acionário tem vivido dias de volatilidade ajudada pelas declarações mercuriais do presidente Donald Trump, o qual via twitter e discursos influencia o posicionamento dos investidores no curto-prazo.

Novas retaliações da China contra os Estados Unidos ameaçando aplicar tarifas sobre a soja americana, o algodão e produtos químicos, entre outros, causou uma forte baixa nos índices de commodities durante a semana.

O dólar cedeu na sexta-feira após a criação de postos de trabalhos na América ter sido menor do que esperado no mês de março, mas o Real brasileiro desvalorizou, encerrando no mais baixo nível em um ano.

Talvez o triste episódio de ver um sentenciado pela justiça brasileira desafiando e debochando de um dos poderes essenciais para garantir uma democracia possa ter assustado o capital dos que não estão acostumados a ver tamanho desrespeito à ordem – que provavelmente acontece diariamente, mas está sendo demonstrado à mídia através do mau-exemplo dado pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

O café em Nova Iorque fez uma nova mínima, mas as oscilações diárias continuam muito menores do que um dia já foi um dos contratos mais voláteis negociados em bolsa, perdendo recentemente inclusive para os movimentos do S&P500.

A falha de Nova Iorque trabalhar acima da média-móvel de vinte dias atraiu novas vendas de especuladores, levando os fundos para um novo-recorde de posição bruta e líquida vendidas (soa como disco arranhado, eu sei). A proximidade das médias-móveis, entretanto, deixa uma possibilidade maior de uma cobertura dos vendidos, que com a moeda mais fraca pode ajudar um aumento do fluxo de café no físico e um eventual alargamento moderado dos diferenciais.

Às vésperas da entrada da safra do conilon o preço da variedade parece ter achado um piso. Difícil de dizer se o “piso” é provisório, ainda mais depois da diminuição do preço mínimo ajustado pelo Ministério da Agricultura de R$ 223.59 para R$ 202.19 a saca. Por sinal o órgão elevou o preço mínimo de arábica de R$ 333.03 para R$ 341.21, valores que, ao menos hoje, na prática apenas dão base para o financiamento do produto.

Uma trading multinacional, a Volcafé (do grupo ED&F Man) divulgou sua estimativa para a safra brasileira de 18/19 em 61.8 milhões de sacas, sendo 44.2 milhões de arábica e 17.6 milhões de conilon). O grupo também aponta para uma produção vietnamita de 30.6 milhões de sacas, números que juntos geram um superávit depois de em 17/18 o déficit ter ficado em 8.4 milhões de sacas – cifra que varia entre os que acham que foi um superávit pequeno a este da respeitada casa.

Há uma certa dúvida sobre o potencial da produção no Vietnã, por questões climáticas e também de remuneração aquém do desejável no país.

Enquanto isto os estoques no destino diminuem o ritmo de uso, como demonstrado pela queda simbólica de 34,833 sacas em fevereiro no Japão, totalizando 2,972,600 sacas no fim do mês. Os certificados também se mantêm próximos de 2 milhões de sacas no arábica e 1.3 milhões de robusta.

Um dado interessante, extraído de um estudo apresentado pela National Coffee Association, aponta que 64% dos consumidores americanos bebem café diariamente, o maior patamar desde 2012. Outro, as importações americanas, mostra um volume menor nos últimos 12 meses, 25.22 milhões de sacas, comparadas com as 25.69 milhões do ano anterior – compensado com a utilização dos inventários, ou seja, não significa que o consumo caiu.

Uma noticia que tem passado meio despercebida é preocupante dependendo do desdobramento: na Califórnia um juiz exige que seja colocado um aviso nos cafés vendidos no estado dizendo que a bebida contém uma substância cancerígena, tese discutível, mas que pode assustar alguns bebedores – a Associação Nacional de Café (NCA) está ciente e sempre foi atuante contra teorias que não sejam cientificamente comprovadas, assim como defendeu, apresentou e garantiu estudos que demonstraram ser a bebida benéfica quando consumida moderadamente.

Na OIC a saída dos Estados Unidos do acordo internacional do café talvez na prática não seja tão importante, mas acontece em um momento desconfortável para os produtores, ou seja, o timing não é dos melhores.

A rolagem de posição para quem não quer receber ou entregar café na bolsa começou, com os volumes inchados e o spread firmando. Tecnicamente Nova Iorque encontrará recompras acima de US$ 120.35 centavos por libra-peso, e abaixo de US$ 115.50 centavos pode encorajar uma nova rodada de venda dos fundos.

Uma ótima semana e muito bons negócios a todos.

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda

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