Consumo crescente de café gourmet estimula profissão de barista

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Dias frios pedem mesmo um cafezinho. E um café feito de grãos especiais parece apetecer ainda mais. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o consumo do café gourmet aumentou 21,3% em 2010. O estudo revela ainda que o consumo de café fora de casa saltou de 14% em 2003 para 57% em 2010, sendo que 45% desses consumidores disseram que pagariam mais caro por um bom café.

Diante desse cenário, a profissão de barista — o preparador de café que é também um criador de combinações com a bebida — tem se mostrado promissora. Não apenas pelo crescente consumo do café especial, mas pela própria carreira em si que pode levar o profissional de trás do balcão, de um salário inicial de cerca de R$ 600, a ter a sua própria marca de café ou uma cafeteria.

Foi essa a trajetória da empresária Isabela Raposeiras, 37 anos, que venceu o primeiro campeonato nacional de baristas, em 2002, e hoje possui a marca de café que leva o seu nome, vendido nos principais empórios paulistas.

Em seu Coffee Lab (laboratório de café, em inglês), em São Paulo, ela promove cursos, degustações e, claro, faz a torra de grãos selecionados a dedo. “Trabalho nesse mercado há 10 anos e a demanda por cursos aqui cresce de 20% a 25% ao ano. São pessoas que querem ser baristas ou apenas amantes do café que querem aprender um pouco mais sobre esse produto”, afirma.

Os cursos profissionalizantes são uma porta de entrada para esse mercado. Atualmente, diversas escolas de gastronomia e grandes cafeterias oferecem esse tipo de ensino. Os investimentos variam conforme cada escola, mas para se ter uma ideia, o curso de formação básica de barista no Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé) é de R$ 540. Já na cafeteria Santo Grão, é de R$ 460.

Muito estudo – O segredo para o sucesso, diz Isabela, não é muito diferente do das outras profissões. “É preciso ter paixão pelo que faz e nunca deixar de estudar. O café é muito complexo, com diversos tipos de grãos e torras. Por isso, conhecê-lo bem é fundamental para ser um bom profissional”, recomenda.

Cleia Junqueira, diretora da Associação Brasileira de Café e Baristas e do Centro de Preparação de Café do Sindicafé-SP, diz que, se o profissional for completo — ou seja, conhecer muito de degustação, classificação e torra —, pode dar palestras, treinamentos e ocupar cargos de chefia, ou coordenação. Também pode ser gerente de uma grande cafeteria, ou até ter seu próprio café.

Silvia Magalhães, 33 anos, é o exemplo de uma profissional que começou preparando deliciosos cafés e hoje é diretora de qualidade da Italian Coffee. “Estou desenvolvendo um departamento de inteligência de café para controle de qualidade. O trabalho é melhorar o equipamento e aprimorar o atendimento ao cliente”, conta ela, que saiu do mercado financeiro para também ser consagrada vencedora de três campeonatos brasileiros de baristas.

Campeonatos – Como o mercado de cafés gourmets no Brasil ainda é muito tímido, tornar-se conhecido por meio de um campeonato da categoria pode ajudar o profissional a ter o seu passe valorizado. Cecília Sanada, 31 anos, gerente de qualidade do Octávio Café, diz que ser vencedora de um concurso pode elevar o salário em até 70%.

“As competições são importantes para mostrar a criatividade do barista. São 15 minutos para preparar algumas bebidas, entre elas as de nossa autoria. Sair na mídia fortalece o nome do profissional no meio, mas também trabalhar em uma grande cafeteria ajuda a valorizar o seu nome”, diz Cecília, que é ex-cabeleireira.

Para ela, uma das atividades mais interessantes da profissão é criar novas bebidas com o produto. Um de seus mais recentes drinques é o Coffee Lovers (amantes de café, em inglês) que Cecília criou em homenagem ao Dia do Café, 24 de maio. “A bebida leva ganache de chocolate branco, expresso e espuma de amarula. Tudo em uma taça de conhaque para que o aroma se espalhe à medida que o cliente vai degustando a bebida”, relata.

ONDE FAZER O CURSO DE BARISTA

— Associação Brasileira de Café e Baristas: Oferece cursos de barista em grandes cafés em todo o Brasil. A duração e os preços dependem de cada curso e região do País.

— Coffee Lab: Oferece curso profissionalizante de barista e também para pessoas que querem conhecer um pouco mais sobre a preparação da bebida. A duração e os preços dependem de cada curso.

— Senac: Curso profissionalizante de barista

— Santo Grão: Oferece curso profissionalizante de barista e também de degustação, consultoria para cafeterias e de latte art (fazer desenhos com a espuma do leite). Os preços variam conforme a modalidade escolhida.

— Sindicafé: Oferece diversos cursos profissionalizantes de barista e também de degustação. Os preços variam conforme a modalidade escolhida.

Fonte: iG Economia

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