Consumo alto de café e safra menor no Brasil desafiam setor para retomada pós-pandemia

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A queda na oferta de café, com uma safra brasileira mais fraca, e uma demanda global resiliente deverão colaborar para “fortes emoções” no mercado neste ano, à medida que o mundo emerge da pandemia e o consumo é potencializado, disse o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Nicolas Rueda comentou, em entrevista à Reuters, que ainda é preciso saber exatamente quanto a safra de arábica 2021/22 será reduzida por uma severa seca do ano passado, que afetou a florada das árvores que já estariam no ano de baixa do ciclo bianual. Mas ele assegurou que, do lado da demanda, há “uma história muito positiva”.

Rueda, um colombiano que também está no comando das operações da trading Volcafé para América do Sul e do Norte, chamou a atenção para um mercado diferente em 2021 após o Brasil – maior produtor e exportador global – ter colhido sua melhor safra, em termos de volume e qualidade, em plena pandemia, fatores que pressionaram os preços em muitos momentos em 2020.

“Agora, vamos ver o mundo saindo da pandemia no ciclo baixo da produção (do Brasil), e uma demanda que não cessa, e muito pelo contrário, poderia continuar crescendo. Acho que ainda tem fortes emoções, e o balanço mundial é muito fino”, disse ele.

Segundo o presidente do Cecafé, à medida que os estoques da safra recorde de 2020 do Brasil vão se reduzindo, é menor a capacidade do mundo cafeeiro de atravessar “situações inesperadas” sem grandes sobressaltos.

“O café é um produto resiliente, nem a crise econômica nem a pandemia conseguiram tirar o consumo do café. Imagina quando voltar, quando pudermos tomar o café no escritório, sair para encontrar alguém”, destacou, citando um esperado impacto do avanço da vacinação na Europa e Estados Unidos nas relações sociais e na economia.

Esse cenário ajuda a entender, juntamente com a expectativa de uma queda mais acentuada do que o normal para uma safra de baixa brasileira, a razão de o mercado ter mudado de patamar.

“A base de preço do ano passado era entre 90 e 110 (centavos de dólar por libra-peso). Hoje, quando desce, desce a 120, fica entre 120 e 140, estamos mais perto de 140. A nova base que se formou dá a entender que estamos em uma nova realidade”, considerou.

Na cesta das “fortes emoções”, Rueda colocou ainda como elemento a proximidade do inverno no Brasil, que sempre traz preocupações com geadas – mesmo que nos últimos anos não tenham sido registrados problemas relevantes. E também possíveis efeitos do clima desfavorável para a produção de 2022.

Fonte: Revista Globo Rural com Reuters