Conilon de Cooperativa do sul do ES ganha destaque em avaliação de degustadores internacionais

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Provadores reconhecidos internacionalmente participavam de mais um cupping (teste de xícara). Na mesa, seis amostras dos melhores cafés naturais do Brasil. A rodada de prova foi para encerrar a Conferência de Cafés Naturais, realizada durante o Salão Internacional do Café em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Os 12 degustadores, reconhecidos internacionalmente, avaliaram dez critérios, cada um valendo de zero a dez pontos, perfazendo um total máximo de 100 pontos. O melhor café da mesa, um arábica mineiro, recebeu nota 87. O que ninguém sabia é que, infiltrado nas amostras de arábica, estava um conilon natural capixaba, que levou nada menos que 82 pontos. O conilon capixaba obteve uma qualificação superior às amostras de dois arábicas naturais comerciais que estavam na mesa.

“Tudo começou numa brincadeira. A prova era de arábica natural. E alguém sugeriu colocar essa amostra de conilon. Ninguém imaginava que tinha conilon ali no meio, e ninguém esperava que ele obtivesse uma nota tão alta”, disse Gustavo Sturm, degustador da Conilon Brasil, integrante da comitiva do Espírito Santo no evento, liderada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

A notícia do conilon intruso surpreendeu os paladares mais exigentes do mercado cafeeiro mundial. O mexicano Manuel Diaz, que desenvolveu para o mundo o protocolo de análise sensorial do robusta fino, lembrou que muitos provadores identificaram características diferentes naquela amostra. “O aroma do café seco não agradou muito. Mas quando adicionaram água, nuances frutadas, doces e achocolatadas ficaram evidentes. Eles começaram a mudar as notas atribuídas àquela amostra”, disse o especialista.

O conilon natural tão surpreendente é cultivado pelo cafeicultor Luiz Cláudio de Souza, no Sítio Graças a Deus, em Muqui, município situado na Região Sul do Espírito Santo, a 550 metros de altitude. Ele já estava na estrada, voltando de Belo Horizonte, quando saiu o resultado dos testes de qualidade.

A boa nova chegou por telefone. Os portadores da notícia foram os filhos de seu Luiz Cláudio, Talles e Tássio Souza. “Ele não se cabe. Tá muito satisfeito, porque coroa o trabalho que ele faz desde o plantio. Ele cuida do cafezal igual a quem cuida de menino novo”, diz Talles, com a pronúncia alargada pelo enorme sorriso. O café de seu Luiz Cláudio foi parar em Belo Horizonte por intermédio da Cafesul, cooperativa da qual ele faz parte, e da qual o filho Talles é gerente operacional e degustador.

As colocações do filho mais novo de seu Luiz Cláudio, Tássio Souza, são um pouco mais técnicas, mas não menos orgulhosas. Pudera. Tássio é técnico agrícola, servidor do Incaper, e fez questão de adotar todas as tecnologias recomendadas pelo Instituto na lavoura da família. “Esse é um conilon da variedade ‘Vitória’, desenvolvida pelo Incaper. A maturação dos grãos foi tardia e uniforme. O café ia para o terreiro coberto todo dia. O segredo? Adubação equilibrada e as mexidas no terreiro!”, revelou, evidenciando as qualidades da variedade ‘Vitória Incaper 8142’, amplamente utilizada no programa de renovação das lavouras do Estado do Espírito Santo.

“Para nós, é um orgulho enorme. Estamos há três anos participando de concursos de qualidade e começamos a colher os frutos deste trabalho de conscientização do produtor em busca da qualidade”, disse Carlos Renato Theodoro, presidente da Cafesul.
 
E o conilon capixaba, condecorado segundo o protocolo do arábica, começa a ser desvendado. “A qualidade do conilon está sendo revelada. Ela existe e nós não conhecíamos”, disse em tom emocionado o pesquisador do Incaper e coordenador do programa de cafeicultura do Espírito Santo, Romário Gava Ferrão.

“Muitos produtores de arábica de qualidade medíocre se renderão ao conilon. Não devemos nos preocupar em parecer com o arábica. Temos que descobrir os sabores escondidos no grão do conilon”, finalizou Manuel Diaz. No caso do conilon do seu Luiz Cláudio, essas características já foram desvendadas, ainda que por acaso: acidez e doçura na medida certa; toques de vinho e pimenta. Características exóticas, que garantiram o triunfo do conilon capixaba.

Tal qual patinho feio banido de seu reduto, o conilon ‘Vitória’ enfrentou doses variadas de rejeição. Agora, é chegada a hora do belo cisne manifestar-se diante dos seus.

Fonte: Incaper

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