Commodities valorizadas e os recordes comerciais

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A balança comercial de agosto registrou recordes na exportação e na importação, inclusive pelo critério de médias diárias, com superávit de US$ 3,8 bilhões, o maior do ano. A corrente de comércio (soma de exportações e importações) também foi recorde e atingiu US$ 456,5 bilhões, nos últimos 12 meses, 31,7% mais do que nos 12 meses anteriores. E nos primeiros oito meses do ano foi 27,6% maior do que no mesmo período de 2008, quando a economia global era bem mais forte.

Mas o Brasil continua aumentando a dependência das exportações de commodities, cuja valorização, em alguns casos, é extraordinariamente alta. Entre agosto de 2010 e agosto de 2011, o preço do milho subiu 65,9%; o do café em grão, 61,9%; o do petróleo, 56%; e o do suco de laranja, 48,9%. Além disso, houve altas entre 30% e 50% do algodão, soja em grão, açúcar em bruto, óleo de soja em bruto, etanol e açúcar refinado.

Comparando os primeiros oito meses de 2010 e de 2011, a receita das vendas de milho cresceram 85,3%; as de café, 69,9%; as de minério de ferro, 66%; e as de petróleo em bruto, 43,5%. É um ritmo extraordinário, sem o qual o superávit comercial de US$ 19,9 bilhões teria sido menor e o déficit nas contas correntes do balanço de pagamentos, bem maior que o de US$ 47,8 bilhões, em 12 meses, até julho.

As exportações brasileiras, com crescimento superior a 30% e à média mundial, de 18%, permitem que o País aumente sua participação no comércio global, notou a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres. Seria um indicador ótimo – e só -, não fosse a perda de importância dos manufaturados, cujas vendas cresceram apenas 19,3%, na comparação entre 2010 e 2011, reduzindo a participação nas vendas externas de 39,7% para 36,1%, enquanto a dos produtos básicos crescia de 44,3% para 47,8%.

Com uma indústria diversificada, capaz de produzir bens sofisticados, de consumo e de capital, o País carece de desoneração fiscal e de uma diplomacia comercial competente para, por exemplo, melhorar a qualidade do comércio com a China, cuja participação é de 17,4% nas exportações totais. Para a China são vendidos, principalmente, minério de ferro, soja em grão, petróleo em bruto e açúcar, além de importados eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, químicos orgânicos, brinquedos, plásticos e, agora, automóveis e autopeças.

Em agosto, porcentualmente, destacaram-se nas exportações de manufaturados os aviões (+73%), seguindo-se o etanol (+72%) – produto que o País passou a importar.

Fonte: O Estado de São Paulo

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