Combustível puxa altas na BM&FBovespa em agosto

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Os contratos futuros de etanol lideraram os ganhos entre as commodities agropecuárias negociadas na BM&FBovespa em agosto. O preço médio dos contratos futuros de segunda posição de entrega do combustível saltou 5,61% em relação a julho, para R$ 1.266,72 por metro cúbico. No ano, o etanol acumula alta de 10,75%. As cotações médias de milho e café arábica também subiram, enquanto soja e boi gordo permaneceram praticamente estáveis.

Foi o terceiro mês seguido de alta dos futuros do etanol, que estão mais de 30% acima dos níveis de 2010 e 204% acima de 2009. A guinada, em plena safra, reflete os sucessivos cortes nas estimativas para a atual safra de cana no país, que pode ficar abaixo de 500 milhões de toneladas. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), a produção em 2011/12 será 17,2% menor que a da temporada passada.

Arnaldo Correa, da Archer Consulting, diz que o cenário em relação aos preços da commodity ainda é incerto diante da indefinição sobre o tamanho da safra e da crescente intervenção da Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP) no segmento. "Do ponto de vista da demanda", pondera, "a redução da mistura do etanol na gasolina representa um alívio muito pequeno".

Segundo melhor desempenho do mês na bolsa, os preços médios do milho ficaram 3,4% acima dos níveis de julho, mesmo com a pressão exercida pela colheita da safrinha no Brasil. Nos últimos 12 meses, os contratos do grão acumulam ganhos de 35,62%. "A geada comprometeu não só o tamanho, mas também a qualidade da produção no Paraná, o que deu sustentação aos preços", afirma Felipe Netto, da Safras & Mercados.

Segundo ele, produtores com milho de boa qualidade nas mãos seguram as vendas e apostam em altas, "de modo que a oferta não cresceu o quanto se imaginaria". Já a demanda segue firme. No front externo, as preocupações com a safra americana deram suporte às cotações internacionais, com reflexos domésticos.

A forte queda nos estoques daquele país, combinada com a demanda aquecida, sobretudo para etanol, deixa os produtores brasileiros animados com a possibilidade de ocupar parte do espaço deixado pelos americanos no mercado internacional.

Após cair em julho, os preços médios do café arábica se recuperaram e subiram 3,02%, em linha com o comportamento da commodity em Nova York. Nas últimas semanas, o mercado voltou a repercutir a preocupação com o aperto na oferta global. Nas próximas semanas, o mercado se volta para a florada das lavouras brasileiras, primeiro indicador sobre o potencial da colheita de 2012. Por isso, o clima no país em setembro terá grande influência sobre os mercados. Nos últimos 12 meses, o café acumula alta de 64,33%.

Fonte: Valor Econômico

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