Colheita mecanizada é até 50% mais barata do que a manual

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Muito se discute ainda sobre a mecanização das lavouras brasileiras. Alguns críticos dizem que as máquinas expulsam os trabalhadores rurais e custam caro para os pequenos produtores, mas esse argumento econômico não é mais verdadeiro, pelo menos para a cultura do café. Com o aumento da escolarização do trabalhador rural, maior valorização da mão-de-obra e, ao mesmo tempo, um crescimento muito grande na oferta de máquinas, o que provoca concorrência e queda de preços, a mecanização da colheita acabou ficando mais barata do que pagar pela colheita manual.

— Nós estamos vivendo um fato novo e mais intenso, que é a valorização do homem do campo, porque houve uma valorização efetiva do salário mínimo, a escolaridade da população está aumentando e estes trabalhadores rurais que vão se qualificando procuram serviços diferenciados ao invés de simplesmente trabalhar na roça, com serviço braçal. Anualmente, o preço da mão-de-obra vem subindo e o da mecanização é justamente o contrário. Cada vez são mais máquinas que estão no mercado, o que gera a concorrência. O custo da mecanização é 30% a 50% menor do que a mão-de-obra — explica o professor Fábio Moreira da Silva, da Universidade Federal de Lavras.

As colhedoras automotrizes estão custando entre R$ 450 mil e R$ 500 mil, o que não é um preço barato. No entanto, para compensar o trabalho destas máquinas seriam necessários muitos trabalhadores e, nas atuais condições, o salário deles ao longo do tempo seria até 50% maior do que comprar uma colhedora. Atualmente, além dos benefícios já conhecidos do uso das máquinas como a maior rapidez, a mecanização se tornou uma necessidade porque não há mão-de-obra suficiente para colher todo o café produzido no Brasil.

— Hoje, a mecanização basicamente se resume a atender à produção porque a mão-de-obra para atender à colheita do café está cada vez mais escassa na região. O sul de Minas deve colher em torno de 12 milhões de sacas de café e não existe um contingente de mão-de-obra, hoje, para colher todo este volume de produção. A mecanização tem sido o aporte do produtor para resolver essa questão de colheita — diz o professor.

Silva será um dos palestrantes e organizador do Simpósio Mecanização da lavoura Cafeeira, que acontece na Expocafé 2010, dia 15 de junho, na cidade de Três Pontas, em Minas Gerais. Durante o evento, ele vai falar sobre o processo de mecanização da colheita do café, que é relativamente novo na região, e explicar especialmente a colheita seletiva, em que se colhe apenas café cereja.

— Nós temos trabalhado com colheita seletiva, retirando preferencialmente os frutos cereja, o que implica em maior qualidade do café colhido e passando a colhedora duas vezes na lavoura. Para cada uma destas operações de passada desta colhedora existe uma regulagem específica da máquina, como existe também o momento certo de entrar com a colhedora fazendo essa colheita seletiva. Divulgamos este trabalho há mais de cinco anos e já existem alguns produtores trabalhando com isso. Os produtores devem estar atentos à regulagem de pressão, velocidade, agressão das varetas, número e posição das varetas.

Existem dois tipos de máquinas para se fazer a colheita do café mecanizada: as portáteis para solos com maior declividade e as tracionadas para solos com declividade abaixo de 15%. O professor lembra que para uma boa colheita funcionar os produtores precisam estar atentos a todo o processo de plantio, desde a escolha das variedades e, principalmente, os cuidados de manejo. Ele diz que, para a colheita mecanizada do café, o espaçamento entre plantas deve ser de 0,6 a 0,8 metros, o espaçamento entrelinhas mínimo de 3,60 metros, também se deve fazer um manejo do mato passando roçadora e trincha, deixar o solo mais uniformizado possível e deixar todo o atrito triturado para facilitar depois as operações de recolhimento do café do chão.

* Juliana Royo

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