Colheita do café em Minas Gerais movimenta o setor

Imprimir

A colheita do café em Minas iniciou-se, na maioria das regiões do Estado, em maio e se intensificou nas últimas semanas. O trabalho desenvolvido ao longo do ano é posto à prova nesta fase, pois não termina com a retirada do fruto da árvore. A partir daí começa um dos maiores desafios da cafeicultura: a pós-colheita, quando o produtor deverá garantir, por meio de processos que vão da secagem lenta do grão (café natural), a maior doçura, até processos mais complexos que antecedem a secagem, como o descascamento (cerejas descascados), mais equilíbrio à bebida.

A qualidade dos cafés de Minas é cobiçada pelo mundo, pois, com as diferenças geográficas o Estado produz cafés em altitudes que vão de 600 a 1.300 metros, com nuances de sabores únicos e variados, atendendo aos mais exigentes paladares dos diversos consumidores. 

Os processos de pós-colheita para a manutenção da qualidade dos frutos são fundamentais para a sustentabilidade econômica da propriedade, pois a diferença de preços conferida pela qualidade chega a R$ 200 por saca. Para se ter qualidade no produto final, além dos fatores climáticos favoráveis (umidade relativa baixa e ausência de chuvas), outro ponto determinante é a mão de obra envolvida, que deve ser preparada para cada etapa do processo. Uma chuva ou um funcionário que não movimenta o café no tempo certo durante a secagem comprometem todo o trabalho e a qualidade final do grão.

A atividade da cafeicultura em Minas não movimenta apenas a propriedade, mas, sim, a economia do Estado. Minas é o maior produtor e exportador de café do mundo, com safra estimada entre 22 e 24 milhões de sacas, respondendo por 67% do café arábica produzido no Brasil, numa área plantada de 1.188.200 hectares, distribuídos em 587 municípios, envolvendo e gerando na cadeia produtiva 3 milhões de empregos diretos e indiretos. Na balança comercial de maio, o café foi o único item que apresentou variação positiva, dentre os cinco principais produtos exportados, passando de US$ 1,44 milhão para US$ 1,62 milhão na variação mensal.

Esses resultados são bons, mas precisam se adequar às novas demandas de consumo. Do plantio à venda, os consumidores têm exigido rígidos padrões internacionais de ética e sustentabilidade, que introduziram um novo conceito: cafés certificados.

Minas Gerais saiu na frente. Desde 2008, um grupo que era de apenas 383 propriedades hoje chega a 2.137, adotando estes padrões por meio do Programa Certifica Minas Café, que se tornou o maior programa de certificação individual do mundo, atendendo aos rígidos processos exigidos. O Certifica Minas Café é desenvolvido pelo governo de Minas e os produtores contam com a assistência técnica da Emater-MG e são auditados pelo IMA. O trabalho ganhou o reconhecimento internacional e formou parcerias com certificações mundiais como UTZ Certified e o 4C.

Fonte: Hoje Em Dia (Bernardino Cangussu Guimarães e Julian Silva Carvalho)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *