CNC: setor busca medidas para melhorar o cenário econômico da cafeicultura brasileira

Imprimir

BALANÇO SEMANAL — 05 a 09/05/2014

– Representantes da produção se reúnem com Governo para sugerir medidas que melhorem o cenário econômico da cafeicultura brasileira.

POLÍTICAS PARA O CAFÉ — Na terça-feira, 6 de maio, reunimo-nos com a secretária de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Cleide Edvirges, por duas vezes. Na primeira, apresentamos uma pauta de reivindicações do setor e, na segunda, que também contou com a presença do diretor do Departamento do Café, Jânio Zeferino, ao sermos convidados pela Comissão Nacional do Café da CNA, defendemos interesses comuns para a cafeicultura e buscamos medidas de apoio frente à atual condição de dificuldade após dois anos de baixos preços e do veranico que afetou severamente os cafezais no começo de 2014.

Entre os assuntos tratados nos encontros, destacamos o posicionamento do presidente executivo do CNC, Silas Brasileiro, que, em debate sobre o repasse dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), apontou a necessidade de, neste ano, voltarmos a atenção às cooperativas para melhorar o acesso de recursos a todos os produtores, haja vista que essa verba do Funcafé têm caráter social e, por isso, os conceitos de sua aplicação precisam ser revistos, fazendo com que chegue ao maior número possível de cafeicultores.

Ainda sobre os recursos do Fundo, os representantes do setor produtivo cobraram o Governo para que faça anúncios únicos e não segmentados, como acontecerá este ano, uma vez que os valores destinados às linhas de capital de giro (R$ 900 milhões) serão anunciados juntamente com o Plano Safra 2014/2015. Apresentar o montante total de forma unificada é fundamental para evitar expectativas no mercado, as quais são desnecessárias e geram riscos dispensáveis para os produtores.

Vale reiterar que o setor produtivo não concorda, em hipótese alguma, com a elevação de taxas para os recursos destinados às linhas de comercialização, visto que, conforme supracitado, o Funcafé tem um caráter social. Dessa maneira, os juros devem ser, efetivamente, os mesmos para as demais linhas de crédito, ou seja, 5,5% ao ano. Mesmo sendo voltados à comercialização, vale destacar que um virtual aumento nos juros elevaria o preço do café nas gôndolas e cafeterias e, por conseguinte, oneraria o consumidor final, fato que não desejamos.

Outra matéria tratada diz respeito às Resoluções BACEN nº 4.289 e nº 4.301. O setor explicou ao Governo que ambas não atenderam totalmente a demanda da cafeicultura, por isso solicitou a alteração da data estabelecida para a amortização mínima de 20% do saldo atualizado das linhas de custeio e estocagem para até 31 de dezembro de 2014. Essa medida se faz necessária, já que boa parte dos produtores não terá condições financeiras para honrar o compromisso até 30 de junho próximo, haja vista que vivenciaram um cenário de dois anos seguidos de baixos preços, que os cafezais sofreram com o veranico do começo deste ano e, ainda, que os cafeicultores não terão o produto para negociar e quitar a parcela, uma vez que o prazo para pagamento antecede a época de colheita.

A questão da prorrogação dos passivos referentes às Cédulas de Produto Rural (CPRs) também foi debatida. O setor recordou do acordo firmado com o Governo para sanar essa situação e, para isso, propôs a criação de uma linha de financiamento envolvendo um montante de R$ 200 milhões.

Por fim, os representantes da produção reiteraram a necessidade do Governo Federal honrar o compromisso firmado desde o ano passado, o qual implica reajustes anuais nos preços mínimos dos cafés arábica e robusta, situando-os sempre próximos à realidade dos custos de produção no campo. Este ano, já houve um reajuste de 15,48% no preço mínimo do conilon, que saiu de R$ 156,57 para R$ 180,80 por saca, atendendo a um pleito da cafeicultura capixaba junto à Secretaria de Produção e Agroenergia do Mapa e ao Ministério da Fazenda, que contou com o apoio do CNC.

Já o atual preço mínimo do arábica, de R$ 307,00 por saca – reajustado no ano passado após congelamento desde 2009, quando equivalia a R$ 261,69 –, está bem aquém dos custos para se cultivar, haja vista que a tabela de custo médio apresentada no ano passado era de R$ 343,00. Como em 2013 não houve cumprimento por parte do Governo com uma justa correção de preços do arábica, os produtores têm convivido com um endividamento crônico, razão pela qual o CNC continuará trabalhando para que este pleito seja atendido.

MERCADO — Diante da aproximação do período mais intenso da colheita no Brasil, o mercado futuro de café arábica continuou operando de maneira volátil nesta semana, com tendência de queda. Agentes de mercado aguardam a colheita de volumes mais expressivos para avaliar o tamanho das perdas quantitativas e qualitativas causadas pelo veranico do primeiro bimestre.

As previsões de clima mais seco nas origens brasileiras nos próximos dias e movimentos de realização de lucros pressionaram as cotações futuras na Bolsa de Nova York. Ontem, o vencimento julho do contrato C da ICE Futures US foi cotado a US$ 1,9550, acumulando perda de 770 pontos.

Os preços futuros do robusta na Bolsa de Londres também caíram nesta semana, que foi mais curta devido ao feriado da segunda-feira na Inglaterra. O fechamento do vencimento julho do contrato 409 deu-se a US$ 2.134 por tonelada ontem, com desvalorização de US$ 20 no acumulado dos últimos três dias.

A Associação da Indústria e Exportadores de Café da Indonésia voltou a divulgar projeções que mostram tendências de expressivo aumento do consumo naquele país, diante do aumento de renda da população. De acordo com os dados apresentados, o consumo deve crescer 33% nos próximos dois anos, saltando para 400 mil toneladas em 2016, ante as 300 mil toneladas estimadas para este ano. Com isso, haverá menos café robusta indonésio disponível para exportação. A Associação também aponta o crescimento da demanda por bebidas de melhor qualidade, já prevendo aumento da participação da variedade arábica na produção do país para 25% em três anos, ante os 19% de 2013.

No mercado doméstico brasileiro, a semana foi de baixa liquidez na comercialização, com produtores segurando as vendas diante do nível ofertado de preços para o café. Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon encerraram a quinta-feira a R$ 457,59 e R$ 253,61 por saca, respectivamente, com perda acumulada de aproximadamente 2% em relação ao final da semana antecedente.

Após atingir a maior cotação do último mês na segunda feira, o dólar comercial voltou a desvalorizar-se ante o real, encerrando a quinta-feira R$ 2,2144, nível próximo ao observado no final da semana anterior. Mesmo com a redução das intervenções do Banco Central do Brasil quando o câmbio cai abaixo de R$ 2,20, o fluxo cambial positivo, a melhora dos resultados do comércio exterior chinês e o sentimento de redução nas tensões na Ucrânia motivaram a tendência de apreciação do real ante o dólar.

Atenciosamente,

Silas Brasileiro
Presidente Executivo do CNC

Fonte: Assessoria de Comunicação do Conselho Nacional do Café – CNC (Paulo André Colucci Kawasaki)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *