CNC divulga Boletim Conjuntural do Mercado de Cafe de Novembro de 2014

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CNC: Boletim Conjuntural do Mercado de Café

— Novembro de 2014 —

Os preços futuros do café arábica oscilaram bastante em novembro, influenciados, principalmente, pelas condições climáticas e pela taxa de câmbio no Brasil, além da multiplicidade de estimativas de safras, as quais contribuem para o aumento da volatilidade do mercado.

A chegada das chuvas em maiores volumes sobre as origens brasileiras estimularam a principal florada da safra 2015/16, resultando em pressão baixista sobre as cotações futuras do arábica. Segundo a Climatempo, no final de novembro foram registradas fortes precipitações em áreas de São Paulo e Minas Gerais, de forma que várias localidades desses Estados acumularam, no mês, volumes próximos ou acima da média.

Os períodos de valorização dos futuros do arábica, observados entre as segunda e terceira semanas de novembro, coincidiram com a predominância de tempo aberto em grande parte das regiões produtoras, refletindo as incertezas dos investidores sobre o impacto do aumento da umidade no desenvolvimento da safra 2015 do Brasil.

Depois de dez meses de severa estiagem, que resultou em plantas mal nutridas e estressadas pela carga produtiva, nas quais foram observados menor crescimento dos ramos, desfolha, seca de ponteiros, indução de gemas vegetativas no lugar das florais, além de floradas irregulares e com menor pegamento, há consenso que a próxima colheita ficará abaixo do potencial produtivo do parque cafeeiro do Brasil. Mas somente a partir de janeiro será possível começar a quantificar essa redução, com embasamento técnico, o que ditará as tendências futuras do mercado do café.

Para dezembro, a Somar Meteorologia estima que os maiores volumes acumulados de chuvas deverão se concentrar sobre o Sudeste, especialmente sobre os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Por outro lado, também chama a atenção para a maior irregularidade das precipitações entre o Sudeste e o Centro-Oeste, “com municípios próximos registrando desvios positivos e negativos”. Ou seja, ainda é precipitado relacionar o aumento da umidade ao pegamento generalizado das floradas dos cafezais.

O comportamento dos futuros do arábica em novembro também foi influenciado pelas estimativas de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Volcafé. Os relatórios divulgados pelo USDA exerceram forte pressão baixista no mercado cafeeiro, pois apresentaram as revisões das projeções do órgão norte-americano para as safras 2014/15 do Brasil e da Colômbia, aumentando-as em 3,4% e 1,65%, respectivamente.

Posteriormente, a Volcafé auxiliou na reversão dessa tendência, ampliando, em seu relatório trimestral, a previsão de déficit global de café na temporada 2014/15 para 9,9 milhões de sacas de 60 kg. Além dos problemas climáticos que afetam a produção brasileira, o relatório baseia-se na redução da oferta global de robusta, devido à menor produtividade dos cafeeiros no Vietnã, para justificar sua nova previsão.

Outro fator de pressão nas cotações do café arábica foi o real desvalorizado. Especulações quanto ao futuro da política econômica do Brasil e a sinalização do Banco Central para o fim do programa de swap cambial contribuíram para a alta de 3,8% do dólar comercial, que encerrou novembro a R$ 2,5716.

No acumulado de novembro, o vencimento março do Contrato C da ICE Futures US registrou queda de 485 pontos, sendo cotado a US$ 1,8745 por libra-peso no último dia do mês. A cotação média mensal, de US$ 1,91, foi 77% superior à do mesmo período de 2013.

Os estoques certificados de café da Bolsa de Nova York diminuíram 37,5 mil sacas, encerrando o mês a 2,34 milhões de sacas. Esse volume é 12,9% inferior ao registrado em novembro de 2013, de 2,68 milhões de sacas.

Já o mercado futuro do robusta, negociado na ICE Futures Europe, apresentou tendência de valorização. Além das estimativas supracitadas da Volcafé, a Associação de Café e Cacau do Vietnã (Vicofa) projetou uma redução da ordem de 20% a 25% na quantidade de café a ser produzida pelo país asiático nesta safra. Esse fato, aliado aos baixos estoques carregados pelos produtores, resultaram em alta acumulada de US$ 26 no vencimento janeiro/2015, que foi cotado a US$ 2.074 por tonelada no último dia de novembro. A cotação média mensal, de US$ 2.062/t, foi 34% superior à do mesmo período do ano passado.

Os estoques certificados de robusta monitorados pela ICE Futures Europe eram de aproximadamente 2,08 milhões de sacas no final do mês, volume próximo ao registrado nos últimos dias de outubro. Os estoques se encontram em patamar 170% superior ao apurado no mesmo período do ano passado.

A arbitragem entre os terminais de Nova York e Londres apresentou tendência de estreitamento, dadas as perdas nos futuros do arábica, e encerrou o mês a US$ 0,93.

No tocante ao mercado físico brasileiro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que as oscilações nos preços durante novembro enfraqueceram o ritmo dos negócios. Houve melhora da liquidez apenas nas praças da Mogiana Paulista e da Zona da Mata Mineira, onde as quantidades comercializadas da safra 2014/15, em relação ao volume colhido, passaram de 20% para 60%.

O café conilon apresentou valorização mais acentuada do que o arábica. Em consequência, o diferencial de preços entre as variedades apresentou tendência de estreitamento, atingindo R$ 167/saca no último dia do mês, ante o pico de R$ 216 registrado em 19 de novembro. No fechamento do mês passado, os indicadores calculados pelo Cepea para as variedades arábica e conilon foram cotados a R$ 448,50/saca e a R$ 281,93/saca, respectivamente, com alta de 1,8% e 7,1% no acumulado mensal.

* Conteúdo elaborado pela assessoria técnica do CNC.



 

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