CNC defende fim do fornecimento de sementes brasileiras de café a concorrentes

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BALANÇO SEMANAL — 21 a 25/04/2014

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA — Desde maio de 2013, quando, junto à Fundação Procafé, tivemos ciência do fornecimento de sementes brasileiras de café — mais produtivas e resistentes a fungos e à seca — para outras nações produtoras, acionamos o Governo Federal informando que essa era uma prática que deveria ser interrompida, haja vista que estávamos municiando concorrentes através de nossas expensas e gerando um cenário futuro de pressão sobre os preços, com a possibilidade de um excedente produtivo em relação à demanda.

Durante a 66ª Reunião Ordinária do CDPC, realizada em agosto do ano passado, após manifestação de interesse de representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) em convidar profissionais da América Central ao Brasil, com o objetivo de compartilhar os nossos conhecimentos no combate à ferrugem cafeeira, chamamos a atenção para a necessidade de cautela na condução da política de cooperação internacional, principalmente no tocante à transferência de tecnologia, conforme alerta dado pelos pesquisadores da Fundação Procafé, que informaram que estávamos fornecendo gratuitamente resultados de estudos e pesquisas para outras nações produtoras ao mesmo tempo em que mal os aproveitávamos internamente.

Na ocasião, o CNC defendeu que o País não deveria incentivar e facilitar a transferência dos conhecimentos tecnológicos e científicos desenvolvidos com o empenho de valiosos recursos nacionais, sob a pena de sofrer as consequências do aumento da oferta dos países concorrentes e a subsequente pressão sobre as cotações. O Diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Jânio Zeferino da Silva, aproveitou nossa colocação para citar o documento da Procafé, que expressa preocupação com as exportações de sementes certificadas de café a outras nações produtoras.

Após todos terem ciência do fato, o CNC ratificou sua posição contrária à exportação dos conhecimentos gerados pelas pesquisas brasileiras, em especial das sementes certificadas das cultivares desenvolvidas pela Fundação Procafé e pelas entidades componentes do Consórcio Pesquisa Café. Mediante ao nosso posicionamento, os titulares do CDPC pontuaram que não havia interesse em incentivar a transferência dos conhecimentos científicos, embora fosse quase impossível vetar esse processo.

Como o assunto não teve desenvolvimento desde então, ao longo da 112ª Sessão do Conselho Internacional da Organização Internacional do Café (OIC), realizada de 1º a 7 de março de 2014, em Londres (ING), o setor produtivo brasileiro reiterou o alerta para a necessidade de cautela na condução da política de cooperação internacional do País, mencionando que não devemos incentivar e facilitar essa prática devido aos riscos de pressão sobre as cotações que um incremento desmedido da oferta poderia causar – baixos preços aos cafeicultores, com graves impactos econômicos e sociais nos municípios produtores.

Recordamos que esse posicionamento se faz necessário porque, além de não ser honesto o contrabando de nossas sementes, o Brasil já enfrenta dificuldades em competir com os países que as recebem, os quais têm mão de obra abundante e a custos inferiores aos nossos, haja vista que somos a nação com maior observância das leis sociais, atendendo a todos os princípios da sustentabilidade. E a transferência de conhecimentos, dessa maneira, extrai nossa principal vantagem competitiva sobre eles, que é exatamente a tecnologia, porque já têm as mesmas certificações internacionais que o nosso café, mesmo sem cumprir com as mesmas obrigações da legislação brasileira. O tema voltará a ser discutido em setembro, na próxima reunião do Conselho da OIC.

MERCADO — Os futuros do arábica apresentaram significativa recuperação nessa semana, influenciados novamente pelo mercado climático. A preocupação dos investidores com os danos causados pelo veranico, que atingiu as origens brasileiras no primeiro bimestre do ano, foi acentuada pelos maiores riscos de ocorrência do El Niño durante a colheita da safra 2014.

A Somar Meteorologia, o U.S. Climate Prediction Center e o MDA Weather Services divulgaram que a probabilidade de ocorrência do fenômeno climático aumentou, de maneira que podem ocorrer fortes chuvas durante o inverno brasileiro, com maior concentração na região Sul. Esse período é coincidente com a colheita do café, gerando a preocupação de maiores perdas por queda dos grãos. Paralelamente, consultorias e traders têm revisado para baixo suas estimativas para a safra do Brasil, reforçando a percepção de aperto de oferta no mercado.

Diante desse cenário, o vencimento julho do contrato C da ICE Futures US acumulou alta de 1.070 pontos até o fechamento de ontem, que se deu a US$ 2,1480 por libra-peso. O mercado tem operado de forma volátil e deve continuar assim, principalmente em função das incertezas quanto aos impactos futuros do veranico sobre a oferta de café.

Os futuros do robusta negociados na Liffe, em Londres, também acumularam alta nos últimos dias. O fechamento do vencimento julho do contrato 409 foi de US$ 2.166 por tonelada, com valorização de US$ 30 na semana, que foi mais curta devido ao feriado de 21 de abril, o qual encerrou a comemoração da Páscoa na Inglaterra.

No mercado físico brasileiro, a tendência foi de valorização, embora a liquidez tenha sido baixa. Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para os cafés arábica e conilon apresentaram ganhos de aproximadamente 3%, encerrando a quinta-feira a, respectivamente, R$ 488,05 e R$ 261,11 por saca. Segundo a entidade, a alta volatilidade do mercado tem inibido as negociações, com os produtores de arábica apresentando maior propensão a vender apenas quando os valores se aproximam de R$ 500 por saca. A instituição também informou que a amplitude dos preços do café arábica superou os R$ 100,00 por saca em abril.

O dólar comercial, por sua vez, apresentou desvalorização de aproximadamente 0,9% ante o real no acumulado das sessões desta semana, encerrando o pregão de quinta-feira a R$ 2,2158. O fluxo positivo cambial influenciou essa tendência.

Atenciosamente,
Silas Brasileiro – Presidente Executivo do CNC

Fonte: Assessoria de Comunicação do Conselho Nacional do Café – CNC (Paulo André Colucci Kawasaki)

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