CNC: Café teve desempenho contrário ao da maioria das commodities em 2013

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BALANÇO SEMANAL — 13 a 17/01/2014

– Enquanto a maioria das commodities agrícolas teve crescimento em seu valor bruto de produção no ano passado, o café recuou 30,5% frente a 2012

 

CAFÉ NA CONTRAMÃO — O Governo Federal anunciou, no dia 14 de janeiro, que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) registrou crescimento de 11,3% na comparação com 2012, totalizando R$ 430 bilhões no ano passado. Se o desempenho do setor foi positivo, não se pode dizer que o mesmo ocorreu com o café, que, junto com algodão, uva e cacau, encabeçou a lista de perdas em relação à safra anterior. Em 2013, a cafeicultura teve um desempenho 30,5% menor.

Esse número negativo do café brasileiro reflete os preços aviltados que imperam desde o fim de 2012, o que tirou a renda e a competitividade dos produtores, os quais se veem em um cenário crescente de endividamento. Apesar das medidas já adotadas para o setor, somos cientes que mais ações se fazem necessárias, por isso o CNC tem mantido contatos com os governantes para que sejam implementados programas como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), a retomada dos leilões de Cédulas de Produto Rural (CPR); a recompra dos cafés das Opções, de maneira que se gere caixa aos produtores; e a redução da taxa de juros da linha de financiamento do Funcafé destinada às cooperativas de produção.

MERCADO — Frente ao elevado limite de variação entre as diferentes estimativas para a oferta brasileira de café na temporada 2014/15, o mercado futuro do arábica operou com certa volatilidade nesta semana, registrando tendência de queda. O vencimento março de 2014 do contrato C encerrou a quinta-feira a US$ 1,1835 por libra-peso, acumulando perda de 230 pontos na semana.

A Somar Meteorologia divulgou mais um boletim reforçando que as condições climáticas no cinturão produtor brasileiro não têm sido favoráveis ao desenvolvimento da safra 2014/15. Desta vez foi destacada a redução dos níveis de umidade do solo na Região Sudeste, que já coloca algumas lavouras em situação de déficit hídrico em função dos baixos índices pluviométricos associados às altas temperaturas. Como a maioria dos cafezais de São Paulo e Minas Gerais se encontra na fase de enchimento de grãos, a redução da umidade tende a afetar negativamente o potencial produtivo.

Já o mercado futuro da variedade robusta apresentou pouca variação, com leve tendência de queda. O Vietnã vem aumentando sua comercialização antes do feriado de Ano Novo (final de janeiro/início de fevereiro), mas em níveis inferiores à média dos últimos cinco anos. Os produtores, capitalizados pelos altos preços praticados nas últimas temporadas, têm vendido o mínimo possível e esperam condições melhores de comercialização. Esse fato, frente à continuidade da redução dos estoques certificados monitorados pela NYSE Liffe, ajudou a evitar maiores quedas no mercado. O vencimento março de 2014 do contrato 409 da Bolsa de Londres perdeu US$ 4 até o fechamento de ontem, que se deu a US$ 1.735/t.

No Vietnã, o robusta tipo 2 (5% de grão pretos e quebrados) foi negociado nesta semana com descontos de US$ 10/t em relação às cotações da NYSE Liffe. Já para os grãos de qualidade elevada, os negócios foram fechados com prêmio de US$ 25/t. Muitos cafeicultores não estão satisfeitos com esses valores e mantém retração das vendas, por isso o movimento de comercialização está abaixo do esperado para essa época do ano.

Na Indonésia, segundo maior exportador mundial de robusta, foi iniciada a colheita da “safrinha” que antecede a principal, entre março e abril, mas os produtores também mantêm restrição de oferta, aguardando melhores remunerações. Além disso, o excesso de chuvas prejudica a secagem, comprometendo a qualidade dos grãos. Prêmios sobre as cotações de Londres variaram de US$ 40/t a US$ 80/t, com pouco interesse por parte dos compradores, frente aos preços mais competitivos no Vietnã.

No mercado doméstico brasileiro, os preços do café arábica não sofreram variação significativa, enquanto a variedade conilon teve pequena valorização. Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para o arábica e conilon encerraram a quinta-feira a, respectivamente, R$ 290,75/sc e R$ 229,79/sc, representando variação acumulada de -0,4% e 1,1% na semana.

O dólar operou em um patamar inferior ao da semana passada, influenciado por dados do mercado do trabalho norte-americano divulgados na última sexta-feira, que foram recebidos de forma negativa pelos investidores. Com isso, a divisa sofreu movimento de desvalorização ante as principais moedas, entre as quais o real brasileiro. A cotação média no Brasil, de segunda a quinta-feira, foi de R$ 2,358, 1,18% inferior à praticada no mesmo período da semana antecedente, de R$ 2,386.

Porém, com novas informações de aquecimento da atividade industrial em Nova York, o dólar voltou a fortalecer-se ante as principais moedas do mundo no final desta semana, reduzindo a pressão de valorização do real frente ao aumento da taxa de juros brasileira, à melhora das vendas no varejo do Brasil em novembro e ao início da rolagem de contratos de swap cambial que vencem em fevereiro. O fechamento do dólar ontem foi de R$ 2,3657.

Fonte: P1 / Ascom CNC (Paulo André Colucci Kawasaki)

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