Clima irregular já compromete o desenvolvimento dos chumbinhos de café no ES

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O clima irregular continua sendo uma preocupação dos cafeicultores no Espírito Santo e já afeta o desenvolvimento dos chumbinhos. Com isso, a safra 2016/17 do café arábica em Vargem Alta é uma incógnita e dependerá do comportamento das chuvas. As precipitações ocorreram no final de novembro do ano passado e só retornaram à região na 2ª quinzena de janeiro/16.

E com o déficit hídrico considerável, o produtor rural do município, Amarildo José Sartori, destaca que as floradas foram espaçadas e os grãos estão em diferentes estágios de desenvolvimento. “Uns estão mais adiantados, enquanto que outros são pequenos. A falta de tratos culturais no momento correto prejudica o desenvolvimento e o enchimento dos grãos. Ainda é prematuro fazer qualquer perspectiva em relação à colheita”, afirma.

Além disso, alguns produtores reduziram o parque cafeeiro e, inclusive introduzindo outras culturas características de montanha como o abacate, renovando muitas lavouras. “Consequentemente, diminui o volume de safra que poderia ser colhida, caso todas as lavouras estivessem em franca produção. Também é preciso destacar que ano passado tivemos perdas em função do clima adverso. A falta de chuvas e o sol forte comprometeram a qualidade dos grãos”, completa o produtor.

Preços

Nesse momento, Sartori sinaliza que os preços seguem firmes no mercado interno, influência da valorização cambial e da escassez de produto de boa qualidade. Atualmente, a saca de café de boa qualidade é negociada entre R$ 400,00 até R$ 430,00 na região. Já o de qualidade inferior é cotado entre R$ 368,00 a R$ 370,00 a saca.

“O problema é que são poucos os produtores que se beneficiam desse cenário. Isso porque, muitos cafeicultores tiveram que negociar o produto com preços mais baixos para quitar as dívidas. E os poucos que têm o café, o produto não tem qualidade”, diz o cafeicultor.

Paralelamente, os custos de produção também subiram nesta temporada acompanhando a movimentação do dólar. “Outra variável que também pesa bastante nos custos é a colheita. A mão-de-obra está escassa e cara na nossa região, uma alternativa seria a mecanização dos trabalhos, porém, os custos são altos”, pondera Sartori.

Produção de conillon

No Norte do estado, o destaque é a produção de café conillon, que também sofreu com a falta de chuvas. “O período de seca impediu que houvesse a retirada de água de mananciais e rios para a irrigação dos cafezais, pois o Governo priorizou o consumo humano. A perspectiva é que em algumas áreas as quebras deverão ser consideráveis”, relata.

Por outro lado, o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, poluiu o Rio Doce. “E há muitos cafezais estabelecidos às margens do rio, o que deve trazer consequências para a produção, já que os cafeicultores ficaram temerosos em utilizar a água do rio”, finaliza Sartori. 

Fonte: Notícias Agrícolas (Fernanda Custódio)

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