Classificação Comercial do Café – Parte I

A classificação é a parte mais importante e também a mais complexa pela qual passa o café, quando de sua comercialização. Inúmeras são as vantagens, algumas vezes diretas outras indiretas, do uso da classificação no comércio cafeeiro. Entre elas poderíamos citar:
  1. A possibilidade de realização de transações a distância, com a simples apresentação de amostras ou certificados de classificação.
  2. Maiores facilidades para financiamentos.
  3. Possibilidades de realização de transações em operações de bolsas.
  4. Estabelecimento de pregos justos de acordo com a quantidade do produto.

A classificação separa o café em diversas categorias, dependendo de suas características de qualidade. Para determinar a qualidade, cada um dos componentes que afeta a classificação deve ser examinado separadamente, usando-se para isso processos físicos e sensitivos.

HISTÓRICO DA CLASSIFICAÇÃO DO CAFÉ NO BRASIL

Inicialmente o café era negociado por partidas, sem nenhuma especificação sobre a qualidade do produto. Com o aumento das exportações. Os grandes mercados estabeleceram uma classificação com base no formato dos grãos chatos e mocas e na qualidade de impurezas.
A primeira classificação oficial para o café nasceu da regulamentação da província do Rio do janeiro, em 06/Março/1836 e era a seguinte:

  1. Primeira sorte (grãos chumbados com algumas pintas ou quebras).
  2. Segunda sorte (grãos desiguais ou esbranquiçados).
  3. Escolha (compreendendo o restolho).

Em 1860 os ensacadores do porto do Rio de Janeiro, classificavam os cafés segundo:

PROCEDÊNCIA:

  1. Café do Serra acima
  2. Café do Serra abaixo.


GRAU DE LIMPEZA E CUIDADOS NO PREPARO:

  1. Fina
  2. Primeiro boa
  3. Primeiro regular
  4. Primeiro ordinária
  5. Segundo boa
  6. Segundo ordinária
  7. Canjica.

Em 1885 foi fundada a bolsa de café do Nova Iorque que estabeleceu uma classificação baseada em amostras de 450 gramas que dividia o café em 10 tipos. O tipo 10 (escolhas) foi suprimido em 1904 e o tipo 9, em 1928.

CLASSIFICAÇÃO COMERCIAL UTILIZADA ATUALMENTE NO BRASIL

As normas para a classificação do café no Brasil estão fundamentadas no Decreto Federal no 27.173 de 14.09.1949 e nas resoluções baixadas anualmente pelo Banco Central.

A atual classificação adotada no Brasil condiz com as condições em que o café é produzido em nosso meio, tendo em vista as grandes áreas de cultura, falta de mão-de-obra na colheita, secagem por insolação, maturação desigual, escasso tempo que o fruto permanece no estado de cereja, que são fatores que ocasionam o aparecimento de numerosos defeitos. Assim, o nosso café é classificado por tipo e características de qualidade.

Não sendo fácil a retirada dos defeitos originados nas falhas de cultivo, colheita, preparo, etc, o melhor meio de se selecionar o produto é depreciar o café que apresenta características inferiores de qualidade.

No Brasil, a classificação é baseada em amostras que devem representar fielmente o lote de onde foram retirados. Tal amostra é acondicionada em latas que comportam em média 300g. de café beneficiado.

Tendo em seu poder a amostra de café, o classificador/degustador inicia a sua analise da seguinte maneira: cheira o café cru (para ter uma noção de bebida) iniciando então a análise de aspecto, tipo, torração, bebida, etc, que irão determinar a classificação final do café.

Para que se tenha noção exata da qualidade e necessário que o café seja classificado sob todos os aspectos, nunca sob um aspecto isolado, pois pode acontecer que um café classificado como ruim ou regular em um aspecto venha ser bom ou ótimo nos outros.

A classificação de um café é sempre feita de acordo com o fim a que se destina. Assim, temos classificação distintas para fins informativos, de financiamento, para exportação, etc.

CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE: aspecto, estilo, cor, aspecto da seca, torração, preparo, tamanho das favas(peneira).

O lote de café beneficiado antes de seca separado pelo tamanho das favas tem o nome de “Bica corrida” e tem, aproximadamente, a seguinte composição: 01% de café cabeça; 83% de café chato; 10% de café moca e 06 % de café escolha.

Os cafés são classificados quanto ao tamanho das favas segundo as dimensões dos crivos das peneiras oficiais nas quais ficam retidos.

Segundo os crivos, as peneiras são divididas em:

  1. PENEIRAS DE CHATOS
  2. PENEIRAS DE MOCA

O café classificado por peneiras, ficou sujeito às seguintes divisões e denominações:
magarogipe (22 21 E 20), chato grosso (19 18 E 17),chato médio (16 E 15), chatinho (14 13 E 12), moca demagarogipe (14), moca grosso (13 12 E 11), moca médio (10) e moquinha (09 E 08).

DEGUSTAÇÃO OU BEBIDA

Para os nossos cafés a classificação oficial apresenta 7 escalas de bebidas a saber:

  1. ESTRITAMENTE MOLE – Bebida de sabor muito suave e adocicado.
  2. MOLE – Bebida de sabor suave e adocicado.
  3. APENAS MOLE – Bebida de sabor suave mas com leve adstringência.
  4. DURA – Bebida com sabor adstringente.
  5. RIADA – Bebida com leve sabor de iodofórmio.
  6. RIO – Bebida com sabor forte e desagradável de iodofórmio.
  7. RIO-ZONA MACACO OU CARAPINGA- Bebida de sabor e odor intoleráveis ao paladar e olfato.

CLASSIFICAÇÃO POR TIPOS

Poucos paises do mundo adotam a ctassiflca9ao per tipos, que consiste em classificar o café segundo o numero de grãos defeituosos e imperfeitos, apresentados numa certa quantidade de café beneficiado (amostras de 300g).
Os defeitos podem ser de natureza intrínseca (grãos imperfeitos) que são grãos avariados pela imperfeita aplicação de processos agrícolas, de secagem e beneficiamento (pretos, ardidos, verdes, mal granados, quebrados, brocados etc) e extrínseca (impurezas) que são os elementos estranhos ao café beneficiado (cascas, paus, pedras etc).

ORIGEM DOS DEFEITOS:


1)DEFEITOS ORIGINÁRIOS DA PRÓPRIA CULTURA
  1. CHOCHOS: Adubação mal feita, pouca irrigação e fatores genéticos ou fisiológicos;
  2. GRANADOS: Provenientes do café cabeça (Fatores fisiológicos);
  3. CONCHAS: Provenientes do café-cabeça (Fatores fisiológicos);
  4. BROCADOS: Provenientes do ataque de pragas (Broca do café)

2)DEFEITOS ORIGINÁRIOS DA COLHEITA

  1. PRETOS: Colheita atrasada, fermentações prolongadas dos frutos em contato
    com o chão.
  2. VERDES: Colheita prematura, frutos verdes.
  3. ARDIDOS: Colheita atrasada, fermentag6es prolongadas no chão ou no terreiro
    (ardidos de terreiro) e frutos verdes.
  4. PAUS, PEDRAS, TORROES E CASCAS: Derriça no chão e abanação mal feita.


3)DEFEITOS ORIGINARIOS DO BENEFICIAMENTO

  1. QUEBRADO: Seca inadequada e descascador mal regulado;
  2. COCO: Descascador mal regulado;
  3. MARINHEIRO: Descascador mal regulado;
  4. CASCAS: Ventiladores mal regulados;
  5. PAUS, PEDRAS E TORRÕES: Bica de jogo, catador de pedras e torrões mal regulados.



NATUREZA CAUSA MODO
DE EVITAR
MODO
DE ELIMINAR
INFLUÊNCIA
NO TIPO
INFLUÊNCIA
NA QUALIDADE
PRETO Colheita
dos frutos em permanência prolongada em contato com o chão
Colheita
racional
Catação
manual ou eletrônica
1 Preto
= 1 Defeito
Prejudica
aspecto geral, torração e bebida
ARDIDO Colheita
de frutos verdes, colheita atrasada e permanência prolongada dos frutos
em contato com o chão
Colheita
racional
Catação
manual ou eletrônica
2 ardidos
= 1 defeito
Prejudica
aspecto cor, torração e bebida
VERDE Colheita
de frutos verdes
Colheita
somente de frutos maduros
Emprego
de separador de verdes, catação manual ou eletrônica
5 verdes
= 1 defeito
Prejudica
aspecto cor, torração e bebida
CONCHA: fatores
genéticos e possíveis causas fisiológicas
Seleção
genética e racionalização da cultura
No beneficiamento
e na catação manual ou mecânica
3 Conchas
= 1 Defeito
Prejudica
aspecto e torração
CHOCHO Fatores
genéticos ou fatores fisiológicos
Seleção
genética e racionalização da cultura
Ventilação
adequada no beneficio, catação manual ou mecânica
5 Chochos
= 1 Defeito
Prejudicao
aspecto e torração
BROCADO Ataque
da – `Broca do Café
Repasse
nas lavouras e combate a praga
Catação
manual ou mecânica
2 a 5
brocados = 1 defeito
Prejudica
o aspecto
QUEBRADO Seca inadequada
e ma regulagem
Secagem
adequada e regulagem correta do descascador
Regulagem
dos ventilaDores Catação Manual ou mecânica
5 Quebrados
= I defeito
Prejudica
o aspecto e a torração
COCO Má regulagem
do descascador
Regulagem
do descascador
Separação
no beneficiamento e catação manual
1 Coco
= 1 Defeito
Prejudica
o aspecto de torração
MARINHEIRO Má regulagem
do descascador
Regulagem
do descascador
Separação
na Sururuca e catação manual
2 Marinheiros
= 1 defeito
Prejudica
o aspecto e a torração
PAUS,
PEDRAS, TORRÕES E CASCAS
Colheita
por derriça no chão e abanação mal feita
Colheita
por derriça no pano ou colheita a dedo no cesto
Emprego
de lavradores e seletores Regulagem do catador e do ventilador no beneficiamento
Catação Manual
1 Pedra,
Pau, Torrão = 1 a 5 defeitos de acordo com o tamanho, 1 casca grande
= 1 defeito, 2 a 3 cascas pequenas = 1 defeito
Prejudica
o aspecto





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